Tuiuiú, símbolo do Pantanal, também aparece em outras regiões do País
Registro feito por leitor na MS-306, demonstra que a espécie não vive apenas no bioma
Um registro feito por um leitor na rodovia MS-306, próximo a Chapadão do Sul, chamou a atenção nesta quinta-feira (5) e levantou uma curiosidade comum em Mato Grosso do Sul. Embora seja considerada a ave símbolo do Pantanal, a espécie não vive apenas na região pantaneira e pode ser encontrada em diferentes áreas do Estado, do Brasil e até de outros países.
RESUMO
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O tuiuiú, embora seja conhecido como símbolo do Pantanal, possui uma ampla distribuição geográfica, ocorrendo em toda a América do Sul, América Central e partes do México. Cerca de 50% da população da espécie concentra-se na região que abrange Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e parte do Paraguai. Uma das maiores aves do Brasil, o tuiuiú pode atingir 1,60 metro de altura e possui envergadura de asas de até 3 metros. A espécie realiza migrações regionais, buscando ambientes aquáticos para alimentação, e é considerada um "engenheiro de habitat", pois seus ninhos servem de abrigo para outras aves.
De acordo com o biólogo, mestre e doutor em Ecologia e Conservação com estudos na área de aves, Guilherme Dalponti, o tuiuiú tem uma ampla distribuição geográfica. O especialista ressalta que a ave realiza movimentos migratórios, mas não de grandes distâncias, pois é considerada um migrante regional.
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“O tuiuiú é um símbolo do Pantanal, mas ele ocorre em toda a América do Sul, na América Central e até em algumas partes do México. A distribuição vai desde o Uruguai e o norte da Argentina até o México”, explica.
Mesmo assim, o Pantanal concentra a maior parte da população da espécie. Segundo o pesquisador, cerca de 50% dos indivíduos estão na região que abrange Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e parte do Paraguai.
Na plataforma WikiAves é possível acompanhar registros da espécie em todo o país. No local, fotógrafos e observadores publicam imagens e informações sobre avistamentos da ave. No entanto, segundo o especialista, a concentração de marcações no mapa não indica necessariamente onde há mais aves, mas sim onde há mais pessoas registrando fotos e observações da espécie.

Ave migratória - O especialista esclarece que o tuiuiú está diretamente associado a ambientes aquáticos, como áreas alagadas e regiões úmidas. Por isso, pode aparecer em locais fora do Pantanal em determinados períodos do ano.
“Ele realiza movimentos migratórios. Então, pode aparecer em áreas onde normalmente não é visto, passando um período ali enquanto procura alimento”, afirma Dalponti.
No Pantanal, o comportamento da espécie também acompanha o ciclo das águas. Durante a cheia, quando o volume de água é maior, os peixes têm mais espaço para se dispersar. Já no período de vazante, quando a água recua e surgem poças rasas e temporárias, as condições se tornam ideais para alimentação.
“Esses ambientes de água rasa concentram alimento. Então muitas aves voltam para o Pantanal nesse período para se alimentar e se reproduzir”, explica o biólogo.
Gigante dos céus - Imponente, o tuiuiú é uma das maiores aves do Brasil. A espécie pode atingir até 1,60 metro de altura e cerca de 1,40 metro de comprimento. A envergadura das asas chega a aproximadamente 3 metros, considerada a maior entre as aves do Pantanal.
Os ninhos, que se destacam pelo tamanho, são construídos com gravetos no alto de árvores ou estruturas elevadas, podem alcançar até 1,50 metro de diâmetro.
Além disso, o tuiuiú desempenha um papel importante no ecossistema. Segundo Dalponti, a espécie é considerada um “engenheiro de habitat”, pois as estruturas que constrói acabam sendo utilizadas por outras aves.
“Algumas espécies aproveitam o ninho do tuiuiú para se reproduzir. Existe, por exemplo, uma relação interessante com um periquito chamado caturite, que faz seu ninho na parte de baixo da estrutura”, explica.
Espécies migratórias - O especialista ressalta que a presença do tuiuiú fora do Pantanal ganha ainda mais relevância neste mês, pois entre os dias 23 e 29 de março, Campo Grande sediará a COP15 (Conferência das Nações Unidas para Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), que deve reunir de cerca 3 mil especialistas de ao menos 130 países.
Mato Grosso do Sul foi escolhido para sediar o encontro justamente pela importância do Pantanal para as espécies migratórias. Segundo Guilherme Dalponti, o bioma abriga 133 espécies de aves migratórias, incluindo um grande número de migratórias que chegam de diferentes regiões do continente.
“Temos aves que vêm da América do Norte, dos Estados Unidos e do Canadá, e outras que chegam da região da Patagônia. O Pantanal é um grande entreposto para essas espécies”, destaca Dalponti.
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