A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

21/11/2011 13:40

Após 28 anos da morte de Marçal, execução de indígenas assombra MS

Aline dos Santos

Das cinco balas que lhe tiraram a vida, uma acertou a boca. Estava calado o homem que fez da palavra a arma para denunciar o massacre de um povo

Imortalizado na arte do grafite, Marçal fez os olhos do mundo se voltarem para Mato Grosso do Sul. (Foto: João Garrigó)Imortalizado na arte do grafite, Marçal fez os olhos do mundo se voltarem para Mato Grosso do Sul. (Foto: João Garrigó)

“Queremos dizer a Vossa Santidade a nossa miséria, a nossa tristeza pela morte de nossos líderes assassinados friamente por aqueles que tomam nosso chão, aquilo que para nós representa a própria vida e nossa sobrevivência neste grande Brasil, chamado um país cristão”.

O apelo do “pequeno deus” ao representante de Deus na terra ainda busca resposta em Mato Grosso do Sul. O discurso de Marçal de Souza Tupã-I, cuja tradução é pequeno deus, foi feito ao papa João Paulo II em 1980, no Amazonas.

Três anos depois, em 25 de novembro, o líder indígena seria morto na porta de casa em Antônio João. Das cinco balas que lhe tiraram a vida, uma acertou a boca. Estava calado o homem que fez da palavra a arma para denunciar o massacre de um povo.

Vinte e oito anos depois, as vésperas do aniversario da morte de Marçal, sua súplica segue a ter sentido. Nesta semana, índios denunciaram a invasão de um acampamento em Amambai e a execução do líder indígena Nísio Gomes, de 59 anos.

Símbolo de resistência, a vida e morte de Marçal, assassinado aos 63 anos, fizeram olhos do mundo se voltar para Mato Grosso do Sul. Ele foi a primeira pessoa nascida no Estado a discursar na ONU (Organização das Nações Unidas).

“No dia da exumação do corpo em Dourados, tinha jornalistas do mundo todo. Daqui, só estávamos eu pela Folha de Londrina e outro pela TV Campo Grande”, conta o jornalista Luiz Taques. Para ele, a história do homem cuja boa oratória deu voz ao drama dos guaranis deixou profunda admiração. “Dei o nome de Marçal para o meu filho”.

Durante a cobertura, o jornalista identificou a participação de um policial civil, que já tinha sido protagonista de reportagem sobre tortura policial. “Foram oferecidas denúncias contra quatro pistoleiros e o capataz, mas não foram aceitas”, recorda.

Em 1993, dez anos depois do crime, foram a júri popular o fazendeiro Libero Monteiro de Lima e Romulo Gamarra. A acusação teve a assistência do ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh. Na defesa, o advogado Renê Siufi.

Os réus saíram absolvidos do tribunal. O mesmo resultado foi obtido cinco anos depois, em um segundo julgamento. “Houve protesto para que fosse realizado um terceiro julgamento, fora de Mato Grosso do Sul, mas não aconteceu”, recorda o deputado estadual Laerte Tetila (PT).

Marcos Veron foi morto em 2003. Mesmo ano em que o crime do assassinato de Marçal prescreveu. Marcos Veron foi morto em 2003. Mesmo ano em que o crime do assassinato de Marçal prescreveu.

O mundo pede justiça - A luta por um julgamento justo foi encabeçada pela Anistia Internacional. “Chegaram mais de 300 cartas a Dourados. Vindas do Japão, Chile, Estados Unidos”, relata o deputado. Então professor em Dourados, Tetila conheceu Marçal de Souza em 1968.

“Ele veio à escola para falar no Dia do Índio. Foi um discurso sem perder o fio da meada. Ele tinha boa oratória, teve formação de pastor evangélico”, remeora.

Presente nos dois julgamentos, o deputado avalia que o prestígio pesou a favor do fazendeiro. “Era muito influente. A corda, como sempre, arrebentou para o lado mais fraco”.

Em 2003, depois de duas décadas, o crime prescreveu. Neste mesmo ano, em Juti, foi a vez de calar o líder indígena Marcos Verón, de 72 anos. A morte foi resultado de disputa pela terra indígena Takuara, na fazenda Brasília do Sul. Homens armados atacaram os índios guarani. Veron sofreu traumatismo craniano.

Segundo denúncia, Nisio foi morto e teve corpo levado por assassinos. Segundo denúncia, Nisio foi morto e teve corpo levado por assassinos.

Vítimas - Em fevereiro deste ano, em júri realizado em São Paulo, três funcionários da fazenda foram condenados por sequestros, formação de quadrilha armada e tortura. O trio, que se livrou da acusação de homicídio, saiu em liberdade do tribunal.

Há dois meses, em Paranhos, foi morto o indígena Teodoro Recalde, de 33 anos. Ele era primo dos professores Genilvado Vera e Rolindo Vera, professores que desapareceram em 2009. Genivaldo foi encontrado morto, com sinais de espancamento. Rolindo nunca foi achado.

Em nome da terra - De acordo com dados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), ligado à Igreja Católica, de 2003 a 2010 foram assassinados 250 índios em Mato Grosso do Sul.

Há três anos, o governo federal deflagrou processo de vistoria para demarcação de terras indígenas. Os produtores rurais acionaram a justiça para impedir a visita dos antropólogos e o processo só foi retomado no fim do ano passado.



parabens aline, excelente reportagem.
 
Andre Luiz Souza em 22/11/2011 12:17:01
Continuação

e fomos buscar nele no Senador Delcidio apoio, deu a certeza aos indigenas do Estado do MS neste dia deste encontro que poderiam contar com o Senador ate hoje até dançou com eles tenho fotos registradas deixou bem claro seu apoio MAIS e advinhe meus amigos qual foi a decisão afinal desta CPI perguntem a ele qual foi o resultado....
 
Selma Regina Amorim em 22/11/2011 10:43:19
Deixo aqui meu comentario a minha indigniçao pelo fatos ocorridos,se eu me lembro bem,fizemos pelo CMS-coordenação dos movimentos sociais,um encontro com os povos indigenas com uns 600 participantes tendo como convidado para mesa Delcidio do Amaral ,que na época tinha seu primeiro mandato como Senador da republica do Estado do MS-e na época estava ele la encabeçando a CPI sobre as demarcação
ee...
 
Selma Regina Amorim em 22/11/2011 10:34:35
Como ficam todos? Devolvam as terras que os índios pedem! É assim que deve ser e vai ser! Devolver a quem vai tratar melhor delas, com certeza, não esplorar até acabar com o solo e não ter mais o que comer, como também estao fazendo em Belo Monte. Esses assassinos ´são tão perversos que não pensam nem em suas gerações. Vão ficar se água p beber um dia! E vc q ñ ganha nada com isso vai defender?
 
Josias morel em 21/11/2011 11:39:28
deviamos saber que justica nao e igual a legalidade nesse pais. Vejamos, por lei (aqui digo legalidade), os fazendeiros tem direitos as terras, mas por justica (aqui digo o que e certo) os indios merecem justica. Os papeis sao legais mas injustos e os indios nao devem pagar pelo GRAVISSIMO erro cometido por governos anteriores. Respeitem as culturas,para DEUS todos somos iguais!
 
denilson cardoso em 21/11/2011 11:34:32
vamos matar esses fazendeiros tbm..
 
Marcos Paulo em 21/11/2011 10:54:26
É desse tipo de gente que se diz Cristão,culto e abastado.que devemos ficar com os olhos bem aberto,Marcal foi a voz de um povo ele conseguiu trnsmitir toda a indignação de um povo.Serta vez eu quiz dar uma opinião sobre um assunto banal o meu professor,não quiz saber e agiu de uma maneira preconseituosa me disse que eu era indio e naci na aldeia e não sabia de nada,Hoje ele doutor.Formando gente.
 
Luis Mário em 21/11/2011 10:06:51
Os nosso nativos brasileiros são escravizados nas usinas de cana,trabalhando com salarios baixissimos em pessima condiçoes trabalhista.
 
Luis Mário em 21/11/2011 09:56:16
O poder economico sempre dominou desde de tempo remotos não e de admimrar que esses latifundiarios sempre saem como se foces bem feitores,pessoas que trazem dezenvolmento e progresso,primeiro Roubam as Terras dos Nativos depois escravisam os nativos,Isto e desde dos tempos de cololonização,Tem muito gente garfina que construiram furtuna grilando terras indigenas.
 
Luis Mário em 21/11/2011 09:50:52
mortes ainda continuarao enquanto o governo nao comprar terras e dar aos indios,pq tomar terra de quem tem o titulo é contra a constituiçao federal!
 
jose adir costa neto em 21/11/2011 05:27:02
Vamos ponderar novamente: quem REALMENTE tem o direito de disputar a propriedade da terra? Será que quem nela trabalha, colhendo os frutos que sem dúvida lhe trazem o sustento e dividendos, ou fazemos justiça e devolvemos aos antigos habitantes, para que possam viver desnudos como era há milhares de anos, sem o risco de choques culturais futuros que possam por em risco a harmônica convivência.
 
Fernando Andrighetti em 21/11/2011 05:09:24
Vamos fazer uma ponderação: As terras que fazem parte do território brasileiro foram há muito tempo, habitadas pelos silvícolas (que hoje chamamos de índios). Vieram os colonizadores (os brancos) e "tomaram" as mesmas e nelas edificaram uma nação. Desenvolveu-se o capitalismo e alguns se tornaram grandes ou pequenos proprietários,a maioria brancos COMO SÃO OS DO MST. E agora, como ficam todos?
 
Fernando Andrighetti em 21/11/2011 04:53:39
Interessante como após tantos anos de sofrimento e luta por demarcações de terras ainda lemos matérias como esta falando de um legítimo massacre dos índios (os primeiros habitantes da "nossa terra").

Fica somente um sentimento de indignação e revolta. Até quando veremos isso? Será que ainda temos jeito? O que é preciso? Entrego nas mãos de Deus...
 
Jaqueline Paula em 21/11/2011 04:04:37
Pelo que entendi, as mortes dos povos indígenas não vão parar, porque tem muita gente importante envolvida nisso tudo. E o governo federal deveria tomar postura frente a situação, porém só vai acontecer alguma coisa se fier pressão internacional, enquanto isso o massacre dos colonizadores continuará no velho oeste do MS. Lei do bang bang.
 
Junior Oliveira em 21/11/2011 04:01:39
Os Fazendeiros de MS, em sua maciça maioria, não compactuam com assassinatos, são pessoas ordeiras e tralhadoras que defendem na Justiça a posse das terras que adquiriram. A apuração é de interesse de toda a sociedade, principalmente da classe produtora.
 
Carlos Humberto em 21/11/2011 03:25:34
Nada justifica o assassinato de um índio ou qualquer pessoa que seja. Mas no caso Marçal de Souza, aparte o crime absurdo, todos as pessoas da época são unânimes ao afirmar a inocência do Sr. Líbero Monteiro de Lima, que enfrentou a justiça por mais de 10 anos acusado (injustamente) do crime.
Desta forma, é importante que o anseio por apuração e justiça não perca o foco e envolva inocentes.
 
Carlos Humberto em 21/11/2011 03:23:24
É lastimavel a situação dos indios, pois todos tem preconceito contra eles até os que se dizem que sofrem com preconceito(os negros) .Em MS esses donos de terras são uns verdadeiros bandidos(Tipo NEM e companhia).E os politicos nao fazem nada porque uma das coisas que eles vão fazer com tanto dinheiro que ganham com a politica será comprar "terras"
 
Rosa Marlene da Silva em 21/11/2011 03:01:13
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions