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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

16/07/2013 15:58

Após 4 anos de espera, concorrência acirrada é drama de sem-terra

Aliny Mary Dias e Edivaldo Bitencourt
Sem-terra montaram acampamento ao lado de fazenda de ex-secretário (Marcos Ermínio)Sem-terra montaram acampamento ao lado de fazenda de ex-secretário (Marcos Ermínio)

Após quatro anos e meio acampados debaixo de barracos de madeira ou lona, famílias sem-terra vão enfrentar uma acirrada disputa por um dos 150 lotes da Fazenda Nazaré, em Sidrolândia, a 60 quilômetros de Campo Grande. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) vai escolher os "sortudos" entre 2,5 mil famílias cadastradas na região. 

A concorrência por cada lote será de 16 famílias por lote, uma das maiores na história do órgão no Estado, conforme a assessoria de imprensa. De acordo com o Incra, o processo de desapropriação das terras que pertenciam a Plínio Rocha, ex-secretário estadual de Governo, estava parado há três anos. O anúncio da retomada do procedimento foi feito pelo órgão em abril deste ano após vistorias nas terras.

Dois meses depois, o instituto protocolou uma ação de desapropriação junto à Justiça Federal. Na quinta-feira (10), oficiais de Justiça e policiais federais estiveram na área para oficializar a desapropriação. Segundo o Incra, o valor da indenização repassada ao proprietário chegou a R$ 16,8 milhões.

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) vivem às margens da BR-163 desde janeiro de 2009. A maioria chegou na região por orientação da direção dos movimentos que avaliou a situação das terras e repassou aos assentados que o processo da desapropriação poderia ser rápido.

Maria Ilma está no acampamento há 4 anos e meio e aguarda com ansiedade a demarcação dos lotes (Foto: Marcos Ermínio)Maria Ilma está no acampamento há 4 anos e meio e aguarda com ansiedade a demarcação dos lotes (Foto: Marcos Ermínio)
Neuza retira água do poço que foi construído pelos assentados (Foto: Marcos Ermínio)Neuza retira água do poço que foi construído pelos assentados (Foto: Marcos Ermínio)

O primeiro a levantar acampamento no local foi Natalino José da Silva, 62 anos. O aposentado conta que vivia em outro acampamento em São Gabriel do Oeste, mas resolveu ir para Sidrolândia para conseguir o sonhado lote. “Falaram para gente que ia ser mais rápido e acreditamos. Levantei meu barraco no dia 30 de janeiro de 2009 e nunca mais saí”, conta o aposentado.

Em poucos meses, mais de 150 famílias montaram acampamento nas redondezas. Muitas desistiram, outras foram embora e voltaram, mas Maria Ilma, de 65 anos, continuou na região com esperança de que as terras fossem demarcadas.

A aposentada deixou os 4 filhos em Dourados e resolveu se mudar com o marido para um barraco de lona. As vigas de madeira e tábuas foram doadas pelas lideranças dos movimentos e a construção dos barracos foi feita em mutirão.

“Quando chegamos aqui o prazo era que em 4 ou 5 meses teríamos o lote. Mas o dono acabou indo embora e só ficou um capataz, o processo demorou, mas nunca entramos na fazenda. Eu sabia que a nossa hora ia chegar e eu nunca perdi a esperança”, conta Maria Ilma.

Ainda sem data definida para a entrega dos lotes, os acampados vivem na expectativa de conquistar o espaço. Alguns dizem que os técnicos do instituto prometeram as terras em poucas semanas, mas o que existe de concreto até agora é a vinda da presidente substituta nacional do Incra, Érika Galvani Borges, a Campo Grande nesta quarta-feira (17). A chefe do órgão se reunirá com as lideranças dos movimentos às 10 horas na sede do Incra na Capital.

Raimundo está há 3 anos no acampamento com mulher e duas irmãs (Foto: Marcos Ermínio)Raimundo está há 3 anos no acampamento com mulher e duas irmãs (Foto: Marcos Ermínio)
Porteira de fazenda que será desapropriada (Foto: Marcos Ermínio)Porteira de fazenda que será desapropriada (Foto: Marcos Ermínio)

Rotina – A existência dos barracos às margens da BR-163 muitas vezes não é notada por motoristas que passam em alta velocidade pela rodovia. As lonas pretas, tábuas, frio, chuva galinhas e cachorros fazem parte da rotina dos acampados.

Raimundo José da Silva, 62 anos, vive há 3 anos nos barracos e além dele e da esposa, levou as duas irmãs para disputar um lote na Fazenda Nazaré. Todos vivem em residências de até dois cômodos.

Um poço artesiano foi furado e uma alavanca manual somada à força dos braços é a fonte da água para todo o acampamento.

“É uma vida sofrida, mas foi uma escolha que fizemos e aguentamos tudo isso. Nossa rotina é de muita necessidade e trabalho, fazemos bicos em fazendas vizinhas e as mulheres procuram trabalho de diaristas em Anhaduí ou nas conveniências dos postos das estradas. A gente vai levando como dá”, desabafa Raimundo.

Empolgada com a demarcação que deve acontecer em breve, Neuza Cavalcanti Rodrigues, 66 anos, conta que a casa foi montada com doações e que o fogão de lenha só foi modernizado pela boa vontade de um caminhoneiro.

“Um dia um caminhoneiro passou aqui e me deu esse sofá e o fogão. Eu juntei o dinheiro e comprei o botijão e agora tenho água quente pra tomar banho”, conta a mulher.

Futuro – A esperança de um futuro melhor predomina entre o discurso dos sem terra. Enquanto a papelada para o novo lote não chega, eles fazem planos de como será a nova vida fora da rodovia.

“Nós vamos usar o crédito do Incra para comprar materiais de construção e fazer um mutirão para erguer nossas casas de verdade. Queremos plantar e criar nossos bichos, no futuro podemos até fazer uma cooperativa”, conta Neil Turatti, 63 anos.



Quem realmente precisa não ganha. Estou falando porque presencio de perto tudo isso. Quantos lotes comprados tem?? Muitos,eu sei.E ninguém tira, porque são os grandões que estão por de traz. Revoltante :(
 
Ediely Franco em 17/07/2013 08:31:18
Bem como um pais democrático que pertenço, não seria injusto dar minha opinião sobre esse tema dessa reportagem, e é pensando nisso que falo o seguinte..."de todos os futuros assentados quantos não tem casa própria, carros, e um ótimo emprego, ou melhor quantos não venderão suas terras em troca de um casa ou montarão um comercio na cidade...enfim sem fiscalização não saberemos se essas terras serão para beneficio próprio ou de trocas, agora vamos entender uma coisa: quem fiscalizará isso"???.
"As vezes tenho ideias, mas não tenho voz"
 
gildemar dantas em 16/07/2013 16:40:22
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