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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

15/04/2015 17:29

Capital é campeã no consumo de carne gorda, mas 2ª em hortaliças

Obesidade estabiliza no país e Campo Grande está entre as mais saudáveis

Flávia Lima
Prática de atividade física vem ganhando espaço entre os brasileiros (Foto: Fernando Antunes)Prática de atividade física vem ganhando espaço entre os brasileiros (Foto: Fernando Antunes)

Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2014) divulgados nesta quarta-feira (15) pelo Ministério da Saúde revelam que a obesidade está estável no Brasil, porém o número de brasileiros acima do peso vem crescendo de forma alarmante. Campeã no consumo de carne gorda, Campo Grande ficou em segundo no consumo de hortaliças e frutas.

Segundo o estudo, o excesso de peso atinge 52,5% da população adulta do país. Essa taxa, nove anos atrás, era de 43% - o que representa um crescimento de 23% no período O excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% nas mulheres

Para o Ministério da Saúde, o fator preocupante é que os quilos a mais são fatores de risco para doenças crônicas como as do coração, hipertensão e diabetes. Os dados foram coletados em 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal através de enquetes telefônicas, entre fevereiro e dezembro de 2014. Ao todo, 40.853 pessoas com mais de 18 anos.

Realizada desde 2006 pelo Ministério da Saúde, a pesquisa, ao medir a prevalência de fatores de risco e proteção para doenças não transmissíveis na população brasileira, serve para subsidiar as ações de promoção da saúde e prevenção de doenças.

“O Brasil tem feito algo inédito no mundo, que é manter esse sistema de monitoramento durante tantos anos. O mais importante neste momento é deter o crescimento da obesidade. E nós conseguimos segurar esse aumento. Isso já é um grande ganho para a sociedade brasileira”, ressaltou o ministro da Saúde Arthur Chioro durante a coletiva de apresentação da pesquisa nesta quarta-feira (15).

Já o médico cardiologista e membro da Academia de Medicina de Mato Grosso do Sul, Luiz Ovando, os resultados que indicam a estabilidade da obesidade não devem ser encarados com tanto otimismo. Para ele, o excesso de trabalho das civilizações ocidentais é o grande vilão que impede a eliminação da obesidade. “As pessoa só pensam em acumular riquezas e não dão a importância devida aos exercícios físicos e a vida saudável”, argumenta.

O cardiologista vai além e enfatiza que a obesidade é a raiz de todos os males, já que as demais doenças advém de um processo onde a preocupação com uma alimentação adequada é inexistente. “Quando engordamos muitas vezes nossa auto-estima cai e daí surge a depressão, não conseguimos mais desempenhar as atividades rotineiras devido a uma artrose e na sequência vem a falta de ar e insônia. Acaba virando um ciclo vicioso”, ressalta.

O estudo também revelou que o sobrepeso é maior entre os homens. O índice de excesso de peso na população masculina chega a 56,5% contra 49,1% entre as mulheres. Em relação à idade, os jovens (18 a 24 anos) são os que registram as melhores taxas, com 38% pesando acima do ideal, enquanto as pessoas de 45 a 64 anos ultrapassam 61%. 

Um dado curioso é que o sobrepeso é maior entre as pessoas com menor escolaridade. Quem nunca frequentou a escola ou teve até oito anos de estudo, registram o maior índice (58,9%), enquanto 45% do grupo que estudou 12 anos ou mais está acima do peso. As mesmas diferenças se repetem com os dados de obesidade. O índice é maior entre os que estudaram por até oito anos (22,7%) e menor entre os que estudaram 12 anos ou mais (12,3%).

De acordo com o cardiologista, os números referentes ao sobrepeso masculino já eram observados pro ele há 12 anos, quando percebeu que pelo menos 70% dos funcionários homens de uma empresa que passaram por exames em seu consultório, apresentavam excesso de peso.

Escolhas inteligentes - Em contrapartida ao aumento do número de pessoas acima do peso, a pesquisa aponta que o brasileiro está levando para a mesa mais frutas e hortaliças. Do total de entrevistados, 36,5% disseram consumir esses alimentos cinco ou mais dias da semana. Mas o índice cai para 24,1%, equivalente a um quarto da população, quando se considera a quantidade recomendada pela OMS – cinco ou mais porções diárias, 400 g. As mulheres são as que mais diversificam seus pratos. O consumo recomendado de frutas e hortaliças entre elas sobe para 28,2% enquanto entre os homens cai para 19,3%.

Nesse quesito da pesquisa, os campo-grandenses tem muito a comemorar. A Capital, com 26%, está entre as dez que mais consomem frutas e hortaliças, atrás apenas do Distrito Federal, com 29%. Na sequência vem Goiânia, com 25%. Mas o campo-grandense ainda não é muito adepto de um churrasco light e colocou a Capital entre as oito com o maior índice de consumo de carne com gordura, com 39,7%, a frente de Goiânia (36,8%) e seguida, em terceiro, por Cuiabá (43,7%).

Iara Dipp posa orgulhosa hoje mostrando a diferença de peso. (Foto:Divulgação)Iara Dipp posa orgulhosa hoje mostrando a diferença de peso. (Foto:Divulgação)

Mesmo ainda sendo preferência na Capital, as carnes e alimentos “engordativos” já não fazem mais parte do cardápio de pessoas que vem buscando uma alimentação saudável, como os integrantes do grupo Projeto Saboneteiras R.A, voltado para a reeducação alimentar, criado em Campo Grande, através das redes sociais, há um ano. As amigas Leilane Santos da Costa Rodrigues e Iara Dipp comemoram a mudança de hábito, que resultou na perda de peso da dupla.

Com 100,5 quilos ano passado, a auxiliar administrativa Leilane ressalta que renasceu após adotar práticas saudáveis. Pesando hoje 72 quilos distribuídos em 1,72 metros, ela diz que já atingiu a meta, mas não pretende voltar à vida antiga. “Me sinto tão bem que essa alegria passou para a minha família, que hoje me acompanha na dieta e nos exercícios físicos”, diz Leilane.
A amiga e fundadora do grupo, a culinarista Iara Dipp também está radiante com seus 80,9 quilos. Após 11 meses, ela ainda busca a meta de 50 quilos e os 115 quilos que marcavam na balança em 2014, pertencem a um passado que ela quer esquecer. “Sofri muito preconceito e humilhação”, conta.

A obesidade mórbida já estava acarretando uma série de problemas de saúde, entre elas a hipertensão e diabetes. Foi quando ela decidiu dar o basta. As duas buscaram orientação através da internet e montaram um cardápio onde fazem refeições a cada três horas. Por ser culinarista, Iara não teve dificuldade em criar seu novo cardápio. Mas as duas observam que não se utilizaram de “dietas malucas”, já que colocaram a saúde em primeiro lugar.

“Fizemos escolhas inteligentes. Ao invés de comer um salgado, optamos por uma fruta, além de aliar atividades físicas”, explica Leilane. Para o cardiologista Luiz Ovando, o grupo do qual as duas pertencem é uma exceção. Ele volta a enfatizar que a falta de conscientização ainda é o maior agravante da doença. “Precisa haver um comprometimento entre sociedade e governo para enfrentar o problema. A educação começa quando o indivíduo ainda é pequeno”, ressalta.

Leilane concorda com o médico e lembra que só teve consciência do seu problema quando ouviu uma sobrinha dizer que não queria mais ver fotos suas. “Ela dizia que eu estava me matando e isso me comoveu. Na verdade nós nos acomodamos mesmo e tudo vira uma bola de nove. Se a educação alimentar não vem de berço, é mais difícil depois, mas não impossível”, afirma.

E a prova é que as duas conseguiram levar as famílias para uma vida mais saudável. “Nossos filhos vão colher os frutos que estamos plantando com eles hoje. As crianças precisam ir para a rua, não podem ficar só nas redes sociais”, ensina Leilane.

Leilane e o marido encararam o desafio de uma vida saudável e agora educam os filhos. (Foto:Divulgação)Leilane e o marido encararam o desafio de uma vida saudável e agora educam os filhos. (Foto:Divulgação)

Mais exercícios - Apesar do avanço de fatores de risco como excesso de peso, a pesquisa indicou que população está mais atenta a hábitos saudáveis, com o crescimento da prática de exercícios. Segundo o Vigitel 2014, houve um aumento de 18% nos últimos seis anos do percentual de pessoas que praticam atividade física no lazer. Este ano, 35,3% dos entrevistados disseram dedicar pelo menos 150 minutos do seu tempo livre na semana com exercícios, enquanto o índice de 2009 era de 29,9%.

Os homens são mais ativos que as mulheres, 41,6% deles praticam o recomendado de atividade física contra 30% entre o público feminino. Os jovens, em ambos os sexos, são os que mais se exercitam, com índice de 50%.
As amigas Leilane e Iara concordam com os dados e ressaltam que o número de maridos participando do grupo vem crescendo. “Talvez por ciúme, mas o fato é que estão buscando acompanhar as mulheres”, diz Leilane.

Uma prova é o marido de Iara, que desde sua entrada no grupo perdeu 35 quilos. “Ele é educador físico e o excesso de peso já estava prejudicando seu trabalho”, conta.

Porém, ainda é alto o índice da população fisicamente inativa, o que representa 15,4% dos entrevistados. Os mais inativos são os idosos com 65 anos ou mais (38,2%), mas 12% dos jovens de 18 a 24 anos disseram também não ter feito esforços físicos. A boa notícia é que o hábito de ver televisão caiu. Apenas 25,3% dos entrevistados revelaram que passam mais de três horas em frente a TV.

No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, 31% dos adultos com 15 anos ou mais não são suficientemente ativos. Esse índice no Brasil, segundo o Vigitel 2014, que soma apenas as pessoas com mais de 18 anos, é de 48,7%.

O desafio assumido pelo Ministério da Saúde é reduzir esse percentual a 10% até 2025. Segundo a OMS, 3,2 milhões de mortes todo ano são atribuídas à atividade física insuficiente e o sedentarismo é o quarto maior fator de risco de mortalidade global, responsável por pelo menos 21% dos casos de tumores malignos na mama e no cólon, assim como 27% dos registros de diabetes e 30% das queixas de doenças cardíacas.



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