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Campo Grande, Quinta-feira, 25 de Abril de 2019

26/10/2018 19:20

"Grávida de Taubaté" de MS inventa gravidez e sogro procura polícia

Foram horas de investigação e busca pelo corpo da criança, até a verdade vir à tona: nunca houve gravidez

Geisy Garnes e Liniker Ribeiro
Pulseira fabricada pela gravida ao lado da original usada pelo hospital (Foto: Kísie Ainoã)Pulseira fabricada pela "gravida" ao lado da original usada pelo hospital (Foto: Kísie Ainoã)

Após nove meses de espera, duas famílias de Campo Grande finalmente conheceriam nesta sexta-feira, dia 26 de outubro, o rostinho de Heloisa Vitória, a primeira filha de um casal, de 20 e 23 anos. Os dias de espera no entanto se tornaram enredo de novela após a notícia que a bebê teria morrido durante o parto nesta madrugada. Foram horas de investigação e busca pelo corpo da criança, até a verdade vir à tona: nunca houve gravidez, em uma história realmente novelesca, semelhante ao famoso caso da "grávida de Taubaté", que chegou a gravar entrevistas como uma barriga gigante, mas falsa, na cidade do interior de São Paulo.

O caso chegou ao conhecimento da Polícia Civil nesta manhã, depois que o avô da criança foi ao Imol (Instituto Médico e Odontológico Legal) a procura do corpo da neta, que supostamente teria morrido ao nascer.

Sem qualquer registro da morte da criança, as equipes do Instituto entraram em contato com a 4ª Delegacia de Polícia Civil, que passou a investigar o caso.

Juntos há quatro anos, o casal - que mora no Jardim Itamaracá - teria descoberto a gravidez em janeiro deste ano. Durante os nove meses, a mãe do bebê, de 20 anos, apresentou exames e ultrassons comprovando a saúde do feto. Com a descoberta do sexo, toda a família se envolveu em um chá de revelação, assim como na montagem do quarto da menina, que se chamaria Heloisa Vitória.

No entanto, na véspera da data marcada para o parto a jovem desapareceu, sem dar qualquer explicação ao marido, de 23 anos. Foi uma noite de busca, de hospital em hospital, até que ela encontrada encontrada pela família no pátio do HU (Hospital Universitário). Sem a filha nos braços, ela contou que havia passado por dois hospitais durante a madrugada, que a bebê havia morrido por complicações no parto e o corpo já estava no Imol.

Lá, os avós paternos descobriram que sequer havia registro da morte da crianças e passaram a duvidar da versão da nora sobre o nascimento da criança. Sem duvidar da gravidez, duas hipótese foram levantadas pela polícia. “Homicídio culposo com ocultação de cadáver, ou a venda da criança”, contou a delegada Célia Maria, da 4ª Delegacia.

A jovem de 20 anos foi levada à delegacia e apresentou “provas incontestáveis” da sua passagem pelo hospital. Com uma pulseira de identificação feita de papel e escrita a mão, ela tentou comprovar o nome do médico que a atendeu e ainda o número do prontuário. “O material da pulseira provavelmente foi feito com uma folha que ela pegou no lixo do hospital. Fizemos a comparação das pulseiras, a original é de plástico, inclusive resistente a banho”, lembrou a delegada.

A investigação levou a polícia ao nome de uma amiga de infância da jovem, identificada Carolina Honório, com quem ela teria conversado durante toda a gestação e visitado na noite de ontem. Para a delegada, o suspeita contou que a suposta amiga morava em uma rua de terra na região do Jardim Aero Rancho e que saberia levar a equipe no local, no entanto a casa, ou sequer a rua, foram encontradas.

Ainda dentro da viatura, a delegada deu voz de prisão a jovem, que com medo de ficar presa, confessou a falsa gravidez. “Nunca teve crianças, meu marido brigou comigo em janeiro e eu queria voltar com ele”.

Ela detalhou que o suposta melhor amiga, na verdade era um perfil falso criado por ela. Se passando pela “amiga”, ela explicou que para justificar o sumiço do corpo, mandaria uma mensagem avisando que tinha enterrado o bebê para evitar sofrimento e ido embora da cidade, com o atestado de óbito.

A jovem ainda passou por exames de verificação de parto, que não apontou nenhum sinal de gravidez. Na delegacia foram ouvidos os pais, os sogros, e o marido, que confirmaram nunca ter desconfiado da gravidez, já que a mulher era obesa. “Ele contou que colocava a mão da barriga dela e sentia o bebê mexer”, detalhou a delegada.

“Foi registrado um boletim de ocorrência de preservação de direito, ela foi ouvida e liberada, porque na verdade não houve crime, já que foi o sogro quem denunciou o caso”, explicou a delegada.

Em depoimento, o marido ainda afirmou que iria perdoar tudo o que a mulher fez. “Apesar de toda essa mobilização, fico contente de não ter um corpo ou uma crianças vendida”, defendeu Célia Maria.



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