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Capital

A cada dois dias, um homem é preso por violência doméstica na Capital

Por Aline dos Santos | 16/02/2012 13:39

As mulheres vêm perdendo o medo de denunciar os companheiros agressores

“A droga e o álcool são potencializadores de toda essa violência”, enfatiza delegada. (Foto: Marlon Ganassin)
“A droga e o álcool são potencializadores de toda essa violência”, enfatiza delegada. (Foto: Marlon Ganassin)

Os primeiros 45 dias de 2012 mantêm tendência registrada nos últimos anos em Campo Grande: as mulheres vêm perdendo o medo de denunciar os companheiros agressores. A coragem para dar um basta a agressões físicas, psicológicas e morais veio na esteira da Lei Maria da Penha e é expressa em números.

Desde janeiro, a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) registrou 807 boletins de ocorrência e 21 prisões em flagrantes. “Não aumentou a violência, mas a procura. Por meio do conhecimento, do acesso à informação, a mulher vê que o problema não é só dela, que outras vivem o mesmo tipo de situação. Elas se sentem encorajadas”, afirma a delegada Rosely Molina.

Em 2004, quando ainda predominava a realidade do chavão “bate e doa cesta básica”, foram 1.786 boletins de ocorrência. Em 2006, quando a Lei Maria da Penha trouxe mais recursos para proteção da mulher, as denúncias deram um salto de 128%, passando para 4.076 boletins de ocorrências.

No ano passado, foram 6.210 boletins de ocorrências, as prisões em flagrante chegaram a 132. “A lei deu mais efetividade aos procedimentos. Agora, o agressor vai ser processado”, salienta a delegada.

Por dia, 70 mulheres procuram a delegacia em busca de atendimento. Além da denúncia, a vítima é encaminhada para o setor psicossocial, com psicólogas e assistente social.

Meninas – Na última terça-feira, um marido foi preso por bater na esposa de 16 anos. O casal tem um filho de três meses. O agressor ainda responde por crime de homicídio. Já foram 27 denúncias de adolescentes contra seus companheiros.

De diferentes idades, histórias e realidades, as vítimas da violência se assemelham em um traço. “Elas chegam muito fragilizadas, chegam carentes, querendo atenção, carinho”, relata a delegada, que desde outubro trocou as questões técnicas da Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Fazendários) pela realidade dos crimes de violência doméstica.

A delegada lembra que como pano de fundo há questões sociais, econômicas e culturais. No dia a dia, é comum encontrar casos de mulheres que retardam as denúncias por depender financeiramente do marido, ou, uma dependência ainda mais sutil, a ligação afetiva com o agressor.

Neste cenário, a própria vítima tenta advogar em defesa do companheiro. “Tem mulher que chega aqui e fala que ele é bom marido, bom pai, que só se torna agresssivo quando bebe. Pergunto se ele bebe muito, e ela me responde: ‘todos os dias’”, relata a delegada.

Denúncias podem ser feitas na Deam, na rua 7 de Setembro, internet e telefone. (Foto: Marlon Ganassin)
Denúncias podem ser feitas na Deam, na rua 7 de Setembro, internet e telefone. (Foto: Marlon Ganassin)

Vilões – O consumo de bebida alcoólica e o uso de drogas estão por trás da maior parte das denúncias de lesão corporal, ameaças, injúrias e vias de fato que chegam à Deam. “A droga e o álcool são potencializadores de toda essa violência”, enfatiza Rosely Molina.

Os agressores são encaminhados para atendimento, como no AA (Alcoólicos Anônimos). Além da Polícia Civil, a rede de enfrentamento da violência contra a mulher ainda conta com a PM (Polícia Militar), a Saúde, que oferece tratamento, o MPE (Ministério Público Eleitoral), a Justiça e as casas abrigos, para onde vão as vítimas que correm risco de vida.

Meter a colher – A Lei Maria da Penha passou por mudanças na última semana. O STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que a ação penal deve prosseguir independente da vontade da vítima. Ou seja, a mulher não precisa mais reafirmar, na frente do juiz, a denúncia. Outra mudança é que o crime de violência doméstica pode ser denunciado por outra pessoa, como, por exemplo, vizinhos e amigos da vítima.

De acordo com a delegada, a denúncia por meio de comunicantes já era aceita em Mato Grosso do Sul. “É para acabar com aquele ditado que em briga de marido e mulher não bota a colher”.

As denúncias podem ser feitas na delegacia virtual (), por meio do número 180 ou na Deam. A Delegacia da Mulher fica localizada na rua 7 de Setembro, 2425. O telefone é o (67) 3384-1149.

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