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Capital

Abraji repudia tentativa de quebrar sigilo de fonte de jornalista

Repórter do Campo Grande News foi intimada pela polícia após revelar áudio de briga entre delegados

Por José Roberto dos Santos | 02/12/2021 17:57
Abraji vê com preocupação medida adotada pela Corregedoria-geral de Polícia de MS ao intimar jornalista. (Foto: Reprodução)
Abraji vê com preocupação medida adotada pela Corregedoria-geral de Polícia de MS ao intimar jornalista. (Foto: Reprodução)

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) publicou hoje em seu portal uma nota repudiando a tentativa da Corregedoria-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul de convocar a repórter Geisy Garnes, do Campo Grande News, para prestar depoimento na próxima segunda-feira, 6, sobre reportagem que revelou discussão entre o delegado-geral da Polícia Civil, Adriano Geraldo Garcia, e sua colega de profissão Daniela Kades.

Na nota, a Abraji afirma que vê com preocupação a medida da Corregedoria. O direito ao sigilo da fonte é um preceito constitucional brasileiro, previsto no inciso XIV, do Art. 5º: "É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional", diz o texto.

A Abraji repudia toda e qualquer medida que vise cercear esse direito constitucional de jornalistas. Qualquer iniciativa do poder público, em qualquer esfera, de tolher esse direito é uma ameaça expressa à liberdade de imprensa e compromete o exercício jornalístico em seu papel de fiscalizar e acompanhar os diversos atores sociais.

A nota finaliza com a associação manifestando sua expectativa de que a Corregedoria da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul respeite os direitos constitucionais da jornalista Geisy Garnes e evite qualquer medida intimidatória contra os demais jornalistas envolvidos na cobertura do caso.

Entenda o caso – No dia 04 de novembro deste ano a jornalista Geisy Garnes publicou reportagem com o título "Na cara do chefe, delegada que investiga "mafiosos" diz não confiar na polícia".  Entre outras informações, a matéria reproduz um áudio onde fica evidenciada a discussão entre os delegados e, na ocasião a delegada é enfática ao afirmar que “não confia na polícia”, se referindo a série de denúncias de corrupção dentro dos órgãos de segurança pública feita pela própria força-tarefa da operação denominada Omertá.

E é exatamente sobre esse áudio que a Corregedoria-geral vem pressionando a jornalista para que ela revele a sua fonte.

Leia a nota de repúdio da Abraji na íntegra

Abraji repudia tentativa de quebrar sigilo de fonte

A repórter Geisy Garnes, de Campo Grande, foi intimada pela Corregedoria da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul a prestar depoimento na próxima segunda-feira (6.dez.2021), sobre reportagem que revelou um diálogo entre dois delegados de polícia do estado. 

A mesma Corregedoria oficiou o veículo de comunicação a entregar o áudio usado na reportagem. O Campo Grande News afirma ter divulgado em suas páginas o áudio recebido na íntegra. A intimação foi entregue no dia 30.nov.2021, por uma viatura com giroflex ligado.

O documento de intimação, assinado pelo delegado Elton de Campos Galindo, afirma que, caso não se apresente à Corregedoria, Garnes poderá ser indiciada pelo crime de desobediência, cuja pena pode chegar a seis meses de detenção.

A Abraji vê com preocupação a medida da Corregedoria. O direito ao sigilo da fonte é um preceito constitucional brasileiro, previsto no inciso XIV, do Art. 5º: É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. A Abraji repudia toda e qualquer medida que vise cercear esse direito constitucional de jornalistas. Qualquer iniciativa do poder público, em qualquer esfera, de tolher esse direito é uma ameaça expressa à liberdade de imprensa e compromete o exercício jornalístico em seu papel de fiscalizar e acompanhar os diversos atores sociais.

A Abraji espera que a Corregedoria da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul respeite os direitos constitucionais da jornalista Geisy Garnes e evite qualquer medida intimidatória contra os demais jornalistas envolvidos na cobertura do caso.

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