"Achei que iam me matar", relata motorista de aplicativo assaltada à luz do dia
Trabalhadora diz que reagiu ao crime, teve arma apontada para a cabeça e precisou de atendimento médico
Nem a rotina de quase uma década ao volante preparou uma motorista de aplicativo, de 53 anos, para o assalto que sofreu na tarde desta terça-feira (28), na Vila Planalto, em Campo Grande. Um dia após o crime, ela contou ao Campo Grande News que ainda revive os momentos em que teve uma arma apontada para a cabeça e foi arrancada do próprio carro por dois criminosos. O veículo foi recuperado cerca de 40 minutos depois, mas o medo permaneceu.
RESUMO
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Motorista de aplicativo de 53 anos foi assaltada por dois homens armados na tarde desta terça-feira (28), na Vila Planalto, em Campo Grande. A vítima, com quase uma década de profissão, teve uma arma apontada para a cabeça e foi retirada à força do próprio veículo. O Fiat Argo foi recuperado cerca de 40 minutos depois, abandonado em área de mata. Ela precisou de atendimento médico após o crime e afirma que pretende retomar o trabalho assim que possível.
"Em plena luz do dia, quem ajuda com dois homens armados?", questiona a motorista ao lembrar que o assalto aconteceu por volta das 15h, em uma rua movimentada. Ela havia acabado de deixar uma passageira na Rua Marte, e estacionou o Fiat Argo sob uma árvore para comer uma fruta e beber água.
Enquanto procurava o copo no assoalho do veículo, foi surpreendida por dois homens. "Quando levantei a cabeça, eles já estavam na porta do carro, os dois armados, mandando eu descer", detalhou. A motorista de aplicativo contou que tentou impedir o roubo, e chegou a lutar com um dos assaltantes.
"Primeiro eu lutei com eles. Foi nessa hora que machuquei a mão. O rapaz me bateu e disse que, se eu não descesse, iria me matar. Eles colocaram a arma na minha cabeça e eu senti o gelo do ferro", detalhou.

Segundo a motorista, por alguns segundos ela pensou em acelerar o veículo para fugir, mas desistiu ao perceber que os dois homens estavam armados. "Até pensei em ligar o carro e passar por cima deles. Dava, se o outro não estivesse armado. Mas os dois estavam. Quando ele colocou a arma na minha cabeça, não tinha mais o que fazer", contou ela à reportagem.
A motorista afirmou que, além de o crime ter ocorrido durante a tarde, havia outras pessoas na rua. "Não era uma rua deserta. Tinha dois motoristas de aplicativo atrás de mim, duas pessoas sentadas na frente de uma residência e uma senhora mexendo nas plantas. Todo mundo viu, todo mundo olhou. Mas quem vai se intrometer com dois homens armados? A gente nunca espera uma coisa dessas, ainda mais em plena luz do dia", disse a motorista.
Em nove anos trabalhando como motorista de aplicativo, ela conta que já viveu situações difíceis, como socorrer passageiros feridos por tiros e facadas, mas nunca havia sido vítima de roubo. O impacto emocional veio logo depois. Após registrar o boletim de ocorrência, ela precisou procurar atendimento médico.

"Tive que parar na UPA [Unidade de Pronto Atendimento]. Todo o lado esquerdo do meu corpo ficou dormente. Minha boca formigou, travou. Eu não estou acreditando até agora", detalhou.
O Fiat Argo foi localizado pela equipe do Batalhão de Choque cerca de 40 minutos após o roubo, abandonado em uma área de mata na saída para Cuiabá. A motorista acredita que os criminosos desistiram do veículo ao perceberem que ele possuía rastreador.
"O carro é meu instrumento de trabalho. Agora estou totalmente parada. Vou ficar mais de três dias sem trabalhar. Mas eu pretendo voltar. Não tem como não voltar. Se a gente for pensar nos crimes, eles acontecem em todo lugar. A gente precisa sobreviver. As contas não esperam. Assim que eu recuperar o carro, volto para a rodagem", finalizou.
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