No Campeonato Mundial da Carne, venceram bifes argentinos e uruguaios
Cerca de 2,2 milhões de toneladas de carne bovina foram exportadas pelo Brasil até agosto, gerando uma receita de US$ 12,7 bilhões. A China lidera as importações, EUA, Chile e Rússia também se destacam entre os principais destinos. Já a Argentina, exportou em período similar 411 mil toneladas, faturando US$1,76 bilhão. O Uruguai projeta exportar cerca de 520 mil toneladas no ano inteiro e faturar mais de US$ 2 bilhões. Entre os três países, a diferença fundamental está no destino da carne. A brasileira será usada prioritariamente na produção de hambúrguer, um alimento de segunda qualidade e valor. Argentinos e uruguaios procuram propagandear a excelência de seus bifes e não buscam destinos onde suas vacas virem hambúrguer. Eles ficam com as medalhas da qualidade de suas carnes, nós com a quantidade. É uma luta desigual. Eles agem profissionalmente, nós parecemos pastores medievais.
A organização do campeonato.
No lugar, assam centenas de quilos de carne. Na cozinha, escondida atrás do salão principal, um grupo de dez cozinheiros trabalham orquestrados e sob a marca da confidencialidade para que os jurados não identifiquem de onde provem cada bife servido. Os assadores dão voltas nos bifes sobre um assador elétrico rigorosamente marcado em 185 graus. Assam durante quatro minutos e meio de cada lado. Em seguida, distribuem uma das carnes para os jurados comensais constituídos por “sommeliers de carnes” de vários países.
Sabor, textura e sucosidade.
Avaliam três aspectos: sabor, textura e sucosidade. Os bifes são servidos sem sal e com cocção mediana. Não bebem nada a exceção de água. Os cortes são apenas de bife ancho e contrafilé, que por sua vez, se dividem em bifes provenientes de animais alimentados no pasto e os que provem de animais alimentados com grãos.
Os desacordos.
Nas mesas se misturam jurados de distintas nacionalidades. Cada um trás um gosto adquirido. Há desacordos e brigas nas mesas em que estão argentinos, brasileiros e paraguaios. Algo bem parecido com as arquibancadas do futebol. Nunca se entendem. Também há diferenças entre latinos e europeus. Os latinos preferem carnes jovens; os europeus se inclinam por animais mais pesados, de maior idade e carnes maduras.
Os argentinos e uruguaios vencem.
Duas medalhas de ouro para argentinos, uma para os uruguaios. O Brasil, tal como no futebol, ficou com a medalha da incompetência generalizada. Esse foi o resultado do Campeonato Mundial da Carne, ocorrido em solo argentino. Roubaram? Não é um resultado estranho. Na competição ocorrida na Inglaterra os resultados foram similares. Do lado latino, competiram Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e, estranhamente, o Peru (tinha levado uma medalha na competição anterior). Pelos europeus, entraram em campo ingleses, irlandeses e espanhóis. Apesar das medalhas argentinas e uruguaias, quem tem a melhor fama - e valor - no mundo são os bifes irlandeses.
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