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Campo Grande, Quarta-feira, 24 de Abril de 2019

17/01/2019 11:25

Acusada de homicídio diz que vítima a acordou perguntando como queria morrer

Em depoimento, “mãe Maria” alega que não sabia da execução e que se quisesse teria matado a vítima sozinha

Bruna Pasche
Mãe Maria, como era conhecida alega que estava dormindo quando levaram a vítima para morrer. (Foto: Henrique Kawaminami)"Mãe Maria", como era conhecida alega que estava dormindo quando levaram a vítima para morrer. (Foto: Henrique Kawaminami)

Presa há um ano e quatro meses, Ana Maria Calixto, de 59 anos, conhecida como “Mãe Maria”  foi a júri popular na manhã desta quinta-feira (17). Ela é acusada de ter instigado e facilitado o homicídio do ajudante de tornearia, Hélio Teixeira da Costa, de 29 anos, em seu terreiro, no bairro Jardim Tijuca, em janeiro de 2017. Ela alega que não sabia da morte de Hélio e que se quisesse ela mesma o teria matado.

Durante o depoimento, Maria conta que havia feito uma festa por volta das 19h para Exu no dia do crime, e que Hélio, que já frequentava o lugar teria aparecido. Incorporada, Maria teria mandado a vítima e um amigo irem embora. Hélio voltou ao local pela manhã e a acordou perguntando se ela queria morrer deitada ou em pé.

“Eu não me lembro das coisas que faço quando estou incorporada, no outro dia fiquei sabendo que a entidade pediu para ele ir embora e ele foi, mas voltou de manhã e me acordou falando que iria me matar, perguntando como queria morrer e eu falei para ele parar de brincadeira porque nunca acreditei que ele fizesse isso”.

Conforme a acusada, ela se levantou, empurrou Hélio e foi para o banheiro quando ouviu os outros três acusados, seu marido Gleibson José de Lira conhecido como Lagoa, o cunhado José Glebson de Lira, “Lagoinha” e Lucas Rodrigues de Almeida, dizendo que iriam levar Hélio da casa. “Eu pedi três vezes para não levarem ele porque queria que ele me contasse quem havia mandado ele me matar. Não tive coragem de denunciar porque na cadeia cagueta morre, meu erro foi esse. Nunca seria capaz de mandar matar alguém e sou mulher para fazer isso se quisesse”, lamentou.

No entanto, Neusa Jara Dias, testemunha que estava no local no dia da festa, contou por vídeo conferencia que acordou no terreiro por conta do barulho da briga. Maria agrediu Hélio até que ele ficasse desacordado e questionou o marido se ele não faria nada, já que a vítima estaria lá para mata-la. Os homens presentes então pegaram uma faca e o levaram do local.

“Eu falei para ela, Maria estão levando o Hélio com uma faca e ela respondeu dane-se que mate ele para lá. Depois eles voltaram só de cueca e cheios de sangue ameaçando a mim e a minha amiga que se a gente falasse, iam fazer pior conosco”.

Outras duas testemunhas que viviam no local confirmaram que a acusada agrediu a vítima e que ela ficou sabendo do homicídio no momento em que o trio voltou fato que Maria nega, mas que ela não teria instigado à execução. “Quando ele caiu desacordado, ela falou para eles se livrarem do Hélio, mas no sentido de tirar ele do local. Na volta, Lucas chegou falando que tinha deixado ele como uma galinha destroncada”.

Rodrigo Antônio Stochiero, defensor de Maria, pontuou que a acusada não tem nenhuma participação na morte, não instigou e nunca desejou a morte de Hélio. Já o Ministério Público defende que além de provocar o trio, ainda facilitou o crime dando a chave do carro para que desovassem o corpo, sustentando a acusação de homicídio qualificado pelo meio cruel para todos os acusados.

Os acusados foram presos sete meses depois do crime após uma denúncia anônima. (Foto: João Paulo Gonçalves)Os acusados foram presos sete meses depois do crime após uma denúncia anônima. (Foto: João Paulo Gonçalves)

Caso - Hélio Teixeira da Costa, de 29 anos, foi espancado e assassinado com um golpe de faca no pescoço em 29 de janeiro de 2017, após uma discussão com a mãe de santo Ana Maria Calixto, de 59 anos, em seu terreiro no Jardim Tijuca.

Um dia antes do crime, ainda 28 de janeiro de 2017, a vítima teria ido à casa da mãe de santo, onde funcionava um centro de candomblé e estava sendo realizada a “festa de Exú” e ido embora durante a noite.

Na madrugada seguinte, Hélio teria retornado à residência, visivelmente embriagado e foi violentamente agredido a socos e pontapés. Quando a vítima mal conseguia se mexer, o cunhado da mãe de santo, José Glebeson de Lira, de 34 anos, conhecido como ‘lagoinha’, e mais o auxiliar de cozinha de Três lagoas que também participara da festa, Arislan Rios da Silva, 40, o arrastram até o veículo da mulher para matá-lo fora do terreiro.

O esposo da mãe de santo, Gleibson José de Lira, o “lagoa”, de 36 anos, dirigiu o veículo, enquanto os outros acusados continuaram a agredir Hélio. Lucas Rodrigues de Almeida, com 18 anos na época, teria, inclusive, dado golpes de faca na cabeça da vítima ainda viva e depois cortado seu pescoço.

O trio foi preso sete meses depois do crime, no dia 3 de agosto, após a polícia receber uma denúncia anônima contando o que havia acontecido na noite da festa. Na época, os presos atribuíram o crime ao que chamaram de 'briga de espíritos' e que a vítima havia recebido um santo, com o nome de "Exu 7 facadas".

 



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