Adolescente acusado de atear fogo em amigo ficará apreendido por 45 dias na Unei
Pai afirma que foi um acidente entre duas crianças que não tinham noção da gravidade de brincar com álcool

O adolescente de 12 anos apreendido por decisão da Justiça da Infância após o incêndio que deixou um menino de 11 anos com queimaduras em cerca de 85% do corpo permanecerá por 45 dias na Unei (Unidade Educacional de Internação). Em entrevista ao Campo Grande News, o pai do garoto, operador de máquinas de 34 anos, afirmou que o filho está sendo tratado como "um monstro" e defendeu que o caso foi um acidente durante uma brincadeira entre duas crianças.
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Adolescente de 12 anos apreendido após incêndio que deixou um menino de 11 anos com queimaduras em 85% do corpo ficará 45 dias internado na Unei. O pai defende que foi um acidente durante brincadeira com álcool e fogo. A vítima, porém, relatou que o colega jogou álcool nele propositalmente após uma briga, versão que levou a polícia a investigar o caso como tentativa de homicídio. A audiência está marcada para o dia 17.
"São dois pré-adolescentes. Foi uma brincadeira que terminou em tragédia. Meu filho não fez isso de propósito. Estão tratando uma criança de 12 anos como se fosse um bandido", disse.
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Segundo ele, o filho permanece abalado e, quando foi ouvido pelo pai, contou novamente a mesma versão apresentada à Polícia Civil: os dois brincavam com álcool quando o fogo se espalhou. "O que aconteceu foi uma brincadeira. Eles não tinham noção da gravidade de brincar com álcool e fogo. Meu filho falou que eles foram acender uma pedra e o álcool se alastrou. Quando viu o amigo pegando fogo, tentou ajudar, levou para o chuveiro, ligou a bomba da água, deu roupa para ele e ficou na casa. Ele não fugiu", afirmou.
O pai disse que só soube da ocorrência depois de receber uma ligação de um vizinho enquanto trabalhava. Ao chegar em casa, encontrou apenas viaturas policiais. Segundo ele, o filho já havia sido levado pelos agentes. "Eu nem consegui acompanhar meu filho naquele momento. Quando cheguei, ele já tinha sido levado. Depois consegui conversar com ele e ele repetiu que foi um acidente", detalhou.
Ainda de acordo com o operador de máquinas, o adolescente demonstrou preocupação com o estado de saúde do amigo durante a conversa na Unei. "Conversei bastante com ele. Pedi para ficar calmo. A gente está muito preocupado com a vida do menino também. O que mais queremos é que ele sobreviva", disse o pai do garoto.
O pai também afirmou que o filho e a vítima eram amigos e que os desentendimentos entre eles eram comuns na infância. "Criança briga, depois volta a brincar. Eles eram colegas. O menino que foi até a nossa casa naquele dia. Não tinha essa maldade que estão dizendo", afirmou.
Na avaliação dele, a acusação de que o filho teria ateado fogo propositalmente surgiu em meio ao desespero da vítima. "Eu penso que, naquele momento de dor, ele falou que meu filho jogou álcool nele. Mas meu filho não fez isso de propósito. Essa palavra acabou condenando ele", disse o operador de máquinas.
O adolescente permanecerá internado provisoriamente por 45 dias e tem audiência marcada para o próximo dia 17. A defesa pretende pedir a revogação da internação.
Investigação - A versão apresentada pelo pai é diferente da relatada pela vítima e da linha de investigação adotada pela Polícia Civil. Antes de ser intubado devido à gravidade das queimaduras, o menino de 11 anos contou a profissionais de saúde, ao pai e ao médico que o atendia que o adolescente teria jogado álcool sobre seu corpo e ateado fogo após uma discussão.
Foi esse relato que levou a Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) a deixar de tratar o episódio como acidente e passar a investigar o caso como ato infracional análogo à tentativa de homicídio.
Internado na UTI de queimados da Santa Casa, o garoto permanece em estado grave, sedado e intubado. Segundo a mãe, ele sofreu queimaduras em aproximadamente 85% do corpo e os médicos avaliam a necessidade de hemodiálise por comprometimento da função renal, além de possíveis enxertos nos braços e na região genital.
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