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Capital

Agentes funerários são homenageados por trabalho de risco durante a pandemia

Mesmo com medo da doença, profissionais são os responsáveis por preparar o corpo para o enterro

Por Ana Paula Chuva e Laiane Paixão | 20/09/2020 10:52
Imagens do Campo Grande News sendo usadas para mostrar o trabalhos dos homenageados. (Foto: Paulo Francis)
Imagens do Campo Grande News sendo usadas para mostrar o trabalhos dos homenageados. (Foto: Paulo Francis)

“Nós também temos medo”, frase dita pelo agente funerário Airton Candido Jácomo na manhã deste domingo (20) durante evento de homenagem aos profissionais que lidam com a covid-19 de frente todos os dias no anonimato.

Responsáveis ela retirada e preparação do corpo, os profissionais lidam ainda com o preconceito de uma sociedade que não aprendeu a conviver com a morte.

“Trabalho nisso há 20 anos, nunca imaginei estar no meio de uma pandemia. As pessoas tem muito preconceito com nosso trabalho. Se vale a informação, nós também temos medo, mesmo com todos os equipamentos de proteção’, explicou Airton.

“Somos nós quem recebemos o corpo. Nós lidamos diretamente com as pessoas que morreram", completou.

A homenagem na manhã de hoje, organizada pelo grupo Pax Nacional, fez parte do evento Mundo Unido Pela Vida, e foi realizada no cemitério Jardim das Palmeiras, em Campo Grande.

Para o diretor-executivo da empresa Artur de Carli, o propósito foi agradecer os funcionários do sistema funerário da Capital que seguem firmes e anônimos trabalhando durante a pandemia. “As pessoas deram muito prestigio aos médicos e enfermeiros, e eles merecem mesmo, mas os agentes funerários estão no anonimato de frente com a covid-19 e muita gente ainda tem preconceito”, disse.

Na ocasião ele também destacou que por mais preconceito que as pessoas tenham ninguém se despede dos mortos sem cumprir os rituais. “Somos nós que realizamos esse trabalho. Não trabalhamos com a morte. Preparamos a despedida, uma última homenagem”, explicou.

Segundo ele, nesse momento em que os familiares não podem nem chegar perto do ente querido, os funcionários tem se dedicado a ter compaixão com as famílias.

Dos 70 agentes funerários da empresa, dois tiveram covid-19 e segundo a diretora-presidente Nilma Ribeiro Cardoso, nesses seis  meses foram 185 sepultamentos pela doença realizados pela Pax Nacional em Campo Grande.

“Mesmo com tudo isso, nenhum deles desistiu. Por isso decidimos fazer essa homenagem”, finalizou Artur.

Durante a cerimônia de agradecimento,  que cumpriu todos os protocolos de segurança , os funcionários receberam uma medalha como forma de reconhecer o trabalho feito no período.

Inclusive, imagens do fotógrafo do Campo Grande News Henrique Kawaminami foram usadas para mostrar o trabalho realizados pelos profissionais responsáveis por cuidar dos corpos e levar os caixões durante a pandemia.

Uma das imagens do Campo Grande News usadas para mostrar o trabalho dos homenageados. (Foto: Henrique Kawaminami | Arquivo)
Uma das imagens do Campo Grande News usadas para mostrar o trabalho dos homenageados. (Foto: Henrique Kawaminami | Arquivo)


Unidos pela Vida - O evento mundial está em sua 9ª edição e Mato Grosso do Sul participa pela 1ª vez com a homenagem aos agentes funerários. Além de Campo Grande, São Paulo e Porto Alegre também fazem parte das ações que acontecem simultaneamente neste domingo.

Ao todo são mais de 100 mil pessoas envolvidas em 30 países reunidos para celebrar a vida.

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