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Capital

Após acordo, famílias deixam área invadida e rua de acesso ao aterro é liberada

Uma comissão composta por cinco moradores foi formada para fazer uma relação com o nome de todos e repassar a EMHA

Por Geisy Garnes e Paulo Francis | 28/07/2020 13:55
Moradores criaram uma comissão e fizeram uma lista com nomes para repassar a EMHA (Foto: Paulo Francis)
Moradores criaram uma comissão e fizeram uma lista com nomes para repassar a EMHA (Foto: Paulo Francis)

Após horas de manifestação, um acordo entre representantes das 150 famílias que ocupam a área pública às margens da BR-262, próximo ao aterro sanitário do Bairro Antônio Barbosa II, Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Gestão Urbana) e EMHA (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande), colocou fim ao bloquei da Rua Evelina Figueiredo Selingardi, principal acesso do bairro para o rodovia.

As famílias bloqueavam a rua desde o início da manhã, em protesto à ação que as forçou a desmanchar os barracos construídos na área ontem de tarde. Com pedaços de paus, sofás velhos, galhos de árvores e fogo, fecharam três cruzamentos da Evelina Figueiredo Selingardi, principal via que dá acesso ao aterro sanitário.

Equipes da Guarda Municipal, da Semadur e um fiscal da EMHA foram ao local para conversar com os moradores. Duas retroescavadeiras também foram levadas a área para derrubar as barricadas.

De um lado, os servidores públicos explicaram que a área pertence a Prefeitura de Campo Grande e só pode ser ocupada com autorização da Semadur. A Guarda Municipal avisou ainda que se ficassem no local, os moradores poderiam ser presos por aglomeração, já que muitos estavam sem máscaras e descumpriam as medidas de sanitárias impostas para o combate ao coronavírus, e por ocupação de área pública.

Em contrapartida, os moradores reforçaram que não tinham para onde ir, que muitos estavam desempregados e perderam a única fonte de renda em razão da pandemia do novo coronavírus. Afirmaram também que o terreno estava abandonado, que era usado como deposito de lixo e foi parcialmente limpo por eles.

Para tentar resolver a situação, um acordo foi selado. Uma comissão composta por cinco moradores foi formada para fazer uma relação com o nome e repassar a EMHA. Ao Campo Grande News, Rogério Sebastião, fiscal da agência, explicou que a lista será analisada e os nomes inclusos no cadastro para recebimento de lotes. “Muitos já foram beneficiados, por isso vamos fazer uma triagem”, detalhou.

Depois do acordo, as duas retroescavadeiras foram usavas para retirar os galhos que bloqueavam a rua e para derrubar os barracos que já estavam sendo construídos. Alguns moradores ainda conseguiram salvar as lonas e madeiras antes que a estrutura fosse destruída pelas máquinas.

Rua foi bloqueada com pedaços de galhos e até um sofá velho (Foto: Paulo Francis)
Rua foi bloqueada com pedaços de galhos e até um sofá velho (Foto: Paulo Francis)
Os moradores ainda atearam foto para impedir os carros a passar (Foto: Paulo Francis)
Os moradores ainda atearam foto para impedir os carros a passar (Foto: Paulo Francis)