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Capital

Após flagrante, prefeitura reforça ações contra trabalho infantil em semáforos

Equipes orientam população em locais monitorados após flagrante de adolescentes vendendo doces por até 10h

Por Maurício Aguiar | 04/08/2026 18:41
Após flagrante, prefeitura reforça ações contra trabalho infantil em semáforos
Ações de conscientização reforçadas em regiões críticas tem como finalidade conscientizar a população sobre o enfrentamento ao trabalho infantil. (Foto: Reprodução/SAS)

Locais com histórico recente de trabalho infantil em Campo Grande começaram a receber ações reforçadas de conscientização promovidas pelo Seas (Serviço Especializado de Abordagem Social). Nesta segunda-feira (3), equipes da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) atuaram no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Avenida Arquiteto Ruben Gil de Camillo, local onde a reportagem do Campo Grande News flagrou, no último dia 29 de julho, adolescentes cumprindo jornadas de até 10 horas diárias na venda de doces.

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Campo Grande reforçou ações de conscientização em pontos críticos de trabalho infantil. Equipes da Secretaria de Assistência Social atuaram na Avenida Afonso Pena, onde adolescentes de 12 e 14 anos foram flagrados trabalhando até 10 horas diárias. O Ministério Público do Trabalho mantém procedimento administrativo sobre o caso e recomendou à Prefeitura a criação de um Plano Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.

A mobilização teve como foco alertar a população sobre os impactos da exploração infantil e a importância do combate a essa prática. Durante a ação, os técnicos distribuíram panfletos informativos e orientaram motoristas e passageiros do transporte coletivo sobre como identificar e denunciar os casos.

De acordo com a SAS, a intervenção no local faz parte de um monitoramento contínuo das regiões da Capital. A pasta mantém um mapeamento atualizado dos pontos com maior incidência de denúncias e, ao identificar o aumento de casos em determinada área, desloca equipes de abordagem para intensificar a presença e a fiscalização nos locais críticos.

Flagra – Na ocasião registrada pela reportagem no dia 29 de julho, dois adolescentes, de 12 e 14 anos, trabalhavam no cruzamento em frente ao Shopping Campo Grande e próximo ao próprio MPT (Ministério Público do Trabalho). Segundo os garotos, a rotina exaustiva ocorria das 11h às 21h, com o consentimento das famílias.

Eles contaram que as denúncias ao Conselho Tutelar são frequentes por parte de quem passa pelo local. Nessas ocasiões, deixam o ponto por alguns dias, mas logo retornam. A justificativa para a insistência é o faturamento: a arrecadação diária no sinaleiro chega a R$ 400, segundo os adolescentes.

Procedimento – O MPT-MS (Ministério Público do Trabalho da 24ª Região) informou que mantém instaurado um procedimento administrativo para apurar as denúncias de exploração do trabalho infantil na Capital, articulando ações com órgãos de fiscalização e forças de segurança.

Como parte desse plano, o MPT realizou uma reunião com a Polícia Militar no dia 30 de julho para alinhar ações de inteligência voltadas ao mapeamento dos principais pontos de trabalho infantil na região central.

Em outra frente, o órgão cobrou providências da Prefeitura de Campo Grande por meio de um documento enviado em 22 de julho, desdobramento de uma apuração aberta em 2025. O MPT recomendou que o município estruture e fortaleça suas políticas públicas, prevendo a elaboração do Plano Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, acompanhado de orçamento próprio para sua execução.

As recomendações do MPT também exigem o fortalecimento da equipe técnica de referência, a organização de um fluxo eficiente de atendimento socioassistencial para as famílias vulneráveis e a oferta de cursos de profissionalização voltados aos adolescentes.