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Capital

Após liminar do Tribunal de Justiça, professores apelam à irreverência

Com boca fechada e faixa “Não buzine, silêncio! prefeito trabalhando", grevistas fazem manifestação criativa

Antonio Marques e Flavia Lima | 29/06/2015 10:49
Com esparadrapos na boca e faixa pedindo silêncio, professores iniciam a semana com protesto irreverente em frente à Prefeitura (Foto: Marcos Ermínio)
Com esparadrapos na boca e faixa pedindo silêncio, professores iniciam a semana com protesto irreverente em frente à Prefeitura (Foto: Marcos Ermínio)

Depois da decisão do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) que proibiu os professores de usar instrumentos sonoros, bloquear ruas e impedir o acesso à Prefeitura de Campo Grande, na quinta-feira, 25, os professores decidiram cumprir a decisão, mas com irreverência. Cerca de 100 educadores estão no gramado do Paço Municipal em silêncio. Alguns colocaram esparadrapos na boca e seguram faixas pedindo silêncio à população enquanto o prefeito trabalha, enquanto entregam panfletos aos motoristas.

Uma das faixas que os professores seguram, na esquina da rua 25 de Dezembro com a Avenida Afonso Pena, pede “Não buzine, Silêncio! 'Prefeito trabalhando'”. No entanto, os motoristas não estão obedecendo à solicitação dos educadores. “As pessoas não estão respeitando nosso pedido, pois começam a buzinar depois de ver a faixa”, comentou o presidente da ACP/Sindicato (Associação Campograndense dos Profissionais em Educação), Geraldo Gonçalves Alves.

Segundo Geraldo, os professores também estão em quatro saídas da cidade (para São Paulo, Cuiabá, Aquidauana e Rochedo) fazendo panfletagem e recolhendo assinaturas da população em apoio a lei que obriga a Prefeitura a pagar o reajuste do piso salarial nacional da categoria e a lei municipal 5.411/2014, que prevê um acréscimo ao piso salarial profissional de 13,01%.

Na última quinta-feira, o desembargador Romero Osme Dias Lopes, do Órgão Especial do TJ/MS, atendendo um pedido do município, proibiu os professores de usar instrumentos sonoros, bloquear ruas e impedir o acesso na Prefeitura Municipal durante a greve. Foi estabelecida multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento.

Na ação, o Executivo solicitava que os educadores mantivessem distância mínima de 200 metros do Paço pelo menos até que haja uma decisão no processo que irá julgar se a paralisação é legítima, mas o desembargador não acatou esta parte do pedido.

Impasse - Educadores da Reme (rede Municipal de Ensino) estão em greve para obter o reajuste de 13,01%. O Executivo já chegou a oferecer 8,5%, que foi recusada pela categoria. Porém prometeu uma nova contraproposta após ajustar a folha e reduzir o gasto com pessoal, em conformidade com a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).

Os professores pediram os 13,01% em dez parcelas, como forma de facilitar o cumprimento da lei por parte da Prefeitura, mas até o momento não houve acordo e a greve entra no 36º dia, enfraquecido pela volta de parte das escolas às atividades.

Segundo a Semed (Secretaria Municipal de Educação), apenas 10% das escolas da Reme (Rede Municipal de Ensino) estão paradas. Para a ACP, das 94 escolas, 30 estão funcionando normalmente, 55 de forma parcial e 13 aderiram totalmente à paralisação.

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