Após vistoria, Santa Casa afirma que centro cirúrgico opera conforme demanda
Fiscalização noturna apontou 4 salas em atividade e superlotação no pronto-socorro e falta de anestesistas
A Santa Casa de Campo Grande afirmou que o funcionamento de apenas quatro salas cirúrgicas durante o período noturno faz parte de um modelo de gestão baseado em critérios técnicos, assistenciais e operacionais. O esclarecimento foi divulgado após fiscalização realizada na noite de 10 de junho por representantes da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e da Defensoria Pública.
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A Santa Casa de Campo Grande defendeu o funcionamento de apenas quatro salas cirúrgicas à noite, afirmando que a medida segue critérios técnicos de gestão. A explicação veio após fiscalização realizada em 10 de junho pela Sesau, pelo MPMS e pela Defensoria Pública, que também constatou superlotação na ala vermelha do pronto-socorro, com 83 pacientes em espaço para seis, e relatos de pacientes aguardando cirurgias por vários dias.
Durante a vistoria, o NAES (Núcleo de Apoio Especial à Saúde), do MPMS, acompanhou a equipe de controle e avaliação da Sesau na verificação das condições de atendimento no hospital. Conforme divulgado pelo Ministério Público, apenas quatro salas do Centro Cirúrgico estavam em funcionamento no momento da inspeção, situação atribuída à insuficiência de equipes de anestesistas para manter a escala regular.
A fiscalização também constatou superlotação na ala vermelha do pronto-socorro. Segundo o MPMS, havia 83 pacientes em atendimento em um setor com capacidade para apenas seis. A equipe ainda observou retenção de macas dos serviços de ambulâncias de emergência.
Além disso, pacientes ouvidos durante a visita relataram espera de vários dias para a realização de cirurgias previamente agendadas. Segundo os relatos, alguns permaneciam em jejum prolongado após sucessivos cancelamentos de procedimentos, sem justificativas apresentadas.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (12), a Diretoria Técnica da Santa Casa contestou a interpretação de que a quantidade reduzida de salas em funcionamento durante a noite represente deficiência operacional. De acordo com o hospital, a gestão do Centro Cirúrgico é realizada com base na análise contínua dos indicadores assistenciais, do perfil epidemiológico da demanda e do chamado “mapa de calor” da produção cirúrgica institucional.
Segundo a instituição, essa ferramenta permite identificar os períodos de maior e menor demanda por procedimentos, orientando o dimensionamento das equipes e dos recursos disponíveis ao longo das 24 horas do dia.
A Santa Casa informou que, nos períodos de maior concentração de cirurgias eletivas, de urgência e de emergência, especialmente durante os turnos diurno e vespertino, mobiliza sua capacidade operacional máxima, com equipes multiprofissionais, anestesistas, instrumentadores, profissionais de enfermagem especializados, recursos diagnósticos e estrutura física compatíveis com a demanda observada.
Já durante os períodos historicamente marcados por menor volume de procedimentos programados, principalmente na madrugada, o hospital afirma que o Centro Cirúrgico é dimensionado para priorizar os atendimentos de urgência e emergência, mantendo capacidade de resposta para todos os casos que necessitem de intervenção cirúrgica imediata.
Ainda conforme a nota, o modelo adotado busca compatibilizar a capacidade técnica e operacional da instituição com as necessidades assistenciais da população, preservando a eficiência operacional, a segurança dos pacientes e a sustentabilidade dos serviços prestados.
A direção também defendeu que a avaliação da capacidade operacional de um centro cirúrgico não deve ser feita a partir de uma observação pontual em determinado horário, mas por meio da análise de indicadores de produção, disponibilidade de equipes especializadas, tempos de resposta às urgências e emergências e capacidade efetiva de atendimento da demanda.
A Sesau informou que considera importante o acompanhamento realizado pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública e destacou que participou da fiscalização em razão do contrato mantido com a Santa Casa.
A Santa Casa reafirmou, por fim, seu compromisso com o SUS (Sistema Único de Saúde), a segurança dos pacientes e a assistência à população sul-mato-grossense, colocando-se à disposição dos órgãos de controle e dos gestores públicos para prestar esclarecimentos sobre seus processos assistenciais, indicadores de produção e capacidade operacional.


