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Campo Grande, Domingo, 17 de Dezembro de 2017

06/10/2014 18:08

Arrendado para ser hospital, Sírio Libanês pode virar só UPA infantil

Lidiane Kober
Previsão é de que Hospital da Criança seja inaugurado no dia 12. (Foto: Marcelo Calazans)Previsão é de que Hospital da Criança seja inaugurado no dia 12. (Foto: Marcelo Calazans)

Idealizado para ajudar a suprir o déficit de leitos hospitalares em Campo Grande, o Centro Municipal Pediátrico deve virar mais uma UPA (Unidade de Pronto-Atendimento), apesar de pagar supersalários a médicos e arrendar um hospital equipado para ser sede do centro, apelidado, inclusive, de Hospital da Criança do SUS (Sistema Único de Saúde).

O espaço será inaugurado no domingo (12), Dia da Crianças. No início das atividades, no entanto, só será ofertado serviços ambulatoriais, como consultas e nada de internação, muito menos leitos cirúrgicos, principal déficit da Capital.

A ideia não conta com o aval do Conselho Municipal de Saúde, que determinou a revogação de todos os decretos de criação do centro pediátrico, justamente por ver alto investimento para abrir mais uma UPA.

“Arrendei um hospital, com equipamentos para funcionar, aí faço um projeto para atender como UPA. Isso é complicado, não dá para autorizar um gasto que não está condizente com o serviço”, frisou Sebastião Júnior, integrante do Conselho Municipal de Saúde.

Segundo ele, os 20 médicos pediatras vão receber três vezes mais que os profissionais com o mesmo gabarito, que atuam nas UPAs. Já o salário dos enfermeiros, dos assistentes sociais e dos administrativos contará com adicional de 100%.

“Pela legislação do SUS, só é possível pagar diferencial conforme a tipologia de atuação e a distância do local de trabalho. Portanto, se dará incentivo para atuar no centro, na mesma função dos pediatras das UPAs”, comentou Sebastião. “E como ficarão os profissionais que fazem a mesma coisa nas unidades de saúde das Moreninhas, do Coronel Antonino, da Vila Almeida?”, questionou.

Ao mesmo tempo, o conselheiro enfatiza que UPA e Centro Pediátrico já existem em Campo Grande. “O que falta é leitos hospitalares, salas cirúrgicas, não precisamos de mais UPAs, isso não é a prioridade”, ressaltou. “Fora, isso o SUS manda descentralizar o antedimento e não centralizar”, completou.

Diante das ponderações, o conselho reprovou o projeto da prefeitura, abriu câmara técnica e faz força-tarefa para tentar, em conjunto com a prefeitura, sanar os impasses até domingo. “Para abrir com esse investimento, precisa ser hospital”, refendeu Sebastião.

Só para alugar o prédio do Hospital Sírio Libanês a prefeitura pagará R$ 198 mil por mês. Prevendo mais gastos, inclusive, apresentou projeto de suplementação orçamentária de R$ 4,6 milhões para investir até o final do ano no centro.

Visão do secretário – Apesar das observações do Conselho Municipal de Saúde, o titular da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Jamal Salem afirmou que não há possibilidade de iniciar as atividades já com serviço hospitalar. “Vamos abrir no domingo como ambulatório”, reforçou.

Segundo ele, “faltam detalhes técnicos para serem implementados no centro cirúrgico, como adaptações na estrutura e realização de manutenção” antes de abrir como hospital. “Estamos em conversação com o conselho para ajustar o projeto, mas não tem como fazer isso agora”, ponderou Jamal.

De acordo com o secretário, são necessários mais dois meses para abrir os leitos. No projeto, porém, a prefeitura não prevê o prazo de implementação das três etapas do hospital. “Não detalhamos para não correr o risco de não conseguir cumprir os prazos”, justificou Jamal.

Assim que estiver com a estrutura toda montada, tanto física quanto operacional, o custo médio do hospital pode chegar a R$ 2 milhões por mês, totalizando R$ 24 milhões por ano. A previsão é contar com 111 profissionais, entre médicos, enfermeiros, farmacêutico, motorista, auxiliar de serviços diversos, entre outros.



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