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Campo Grande, Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018

05/10/2017 18:47

Artistas pedem que delegado seja investigado por apreender quadro

Representação já reúne cerca de 150 assinaturas e deve ser levada a corregedoria na próxima semana

Geisy Garnes e Izabela Sanchez
Policiais civil durante apreensão no Marco (Foto: Marina Pacheco)Policiais civil durante apreensão no Marco (Foto: Marina Pacheco)

Depois de 21 dias da apreensão da obra de arte intitulada "Pedofilia", assinada pela artista plástica mineira Alessandra Cunha, artistas de Campo Grande se uniram para pedir que o Corregedoria da Polícia Civil abra investigação contra o delegado Fábio Sampaio, da Depca (Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente).

Por meio do advogado Marcelo Barbosa Martins, integrantes da classe artística se mobilizam para entregar à corregedoria uma representação coletiva, pedindo que um processo administrativo seja aberto para investigar a ação da equipe da Depca no dia em que a obra foi apreendida.

Segundo Martins, a classe entende que a ação da polícia 'não foi discreta e não foi proporcional como determinada para esse tipo de caso'. Durante a audiência pública Arte! MS contra a Censura, realizada na tarde desta quinta-feira (5), na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), os artistas se uniram para pedir assinaturas para a representação. Mais de 80 pessoas aderiram a manifestação.

"Entendemos que ele [delegado] violou alguns dispositivos da lei orgânica da Polícia Civil, como por exemplo, cometeu uma violência desnecessária quando entrou com quatro policiais armados no museu, como se estivesse se dirigindo a um local onde haveria resistência", explicou. A apreensão sem mandado de busca e apreensão também é questionada pelo advogado.

A obra era uma das 31 telas expostas no Marco (Museu de Arte Contemporânea) de Mato Grosso do Sul, na série intitulada ‘Cadafalso’, que segundo a artista, conhecida como Ropre, expõem as violências a que mulheres são submetidas, inclusive a pedofilia, em uma sociedade machista.

A tela foi retirada do museu após denúncias de três deputados estaduais, depois de uma sessão ordinária na Assembleia Legislativa que debateu a situação. Na tarde do dia 14 de setembro, os investigadores, coordenados pelo delegado Fábio Sampaio, foram até o Marco e apreenderam a obra, entendendo que ela estimulava a pedofilia.

Em entrevista ao Campo Grande News, na data do ocorrido, o delegado explicou que após receber a denúncia dos deputados, equipe de especializada foram ao local e entenderam que a tela em questão fazia apologia ao crime de estupro de vulnerável. Na imagem, é possível ver uma menina entre dois homens nus.

A apreensão causou grande polêmica, que envolveu deputados estaduais, governo, polícia, artistas e toda a sociedade civil. Dois dias depois de ser retirada do museu, a tela foi devolvida a exposição. A representação organizada pelos artistas já soma 150 assinaturas e deve ser entregue a corregedoria no início da próxima semana. "Eu acho que é uma maneira de congregar pessoas que precisam se manifestar politicamente. É uma proposta jurídica que vem somar", defendeu o advogado.



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