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Capital

Assassino foi torturado por pelo menos três horas em boate, garante defesa

O crime, como explica, teria acontecido por conta de uma mal-entendido. Começou com o furto da boate

Por Geisy Garnes | 19/09/2020 09:15
Nas costas de Kelvin ainda é possível ver as marcas da tortura (Foto: Direto das Ruas)
Nas costas de Kelvin ainda é possível ver as marcas da tortura (Foto: Direto das Ruas)

Kelvin Dinderson dos Santos, de 29 anos, foi torturado por pelo menos três horas dentro da boate de Ronaldo Nepomuceno Neves, de 48 anos, antes de reagir e matar o empresário na madruga de sábado, dia 12 de setembro, na região da Cachoeira do Ceuzinho. É o que diz a defesa do rapaz, preso desde terça-feira (15) pelo crime.

A prisão aconteceu durante investigações da 2ª Delegacia de Polícia Civil e do GOI (Grupo de Operações e Investigações). Outros três amigos de Kelvin também foram responsabilizados pelo crime - Igor Figueiro Rando, de 21 anos, Marcelo Augusto da Costa Lima, 21 anos, e Almiro Cassio Nunes Orgeda Queiroz Neto, 25 anos.

Nesta sexta-feira (18), o advogado Willer Souza Alves de Almeida, responsável pela defesa de Kelvin, afirmou que antes do assassinato, o cliente foi tortura por três horas e chegou a ser dado como morto, antes de participar do assassinato de Ronaldo, conhecido na região como Brasília.

O crime, como explica, teria acontecido por conta de uma mal-entendido. Começou com o furto da boate, na Avenida Ernesto Geisel, no Bairro Cabreúva, há cerca de quatro meses. Sem saber da situação, Kelvin negociou uma furadeira com um dos funcionários da casa noturna e dias depois a revendeu para um morador da região.

Na época, Ronaldo já procurava o autor do furto e assim que soube da venda, deduziu que Kelvin foi o responsável pelo crime. Por conta disso, começou a ameaçar o rapaz, que mora em uma área conhecida como “fazendinha”, bem em frente à boate.

Foi para tentar resolver a situação que Kelvin procurou “Brasília”, na sexta-feira (11). Segundo o advogado, a intenção era ir até a boate explicar onde conseguiu a furadeira, mas depois que entrou no local, não conseguiu sair mais. Foi amarrado e espancado por três homens. Os gritos eram ouvidos do outro lado da rua, mas nem a esposa, nem os amigos, desconfiaram que os pedidos de socorro eram de Kelvin.

Ronaldo comandava a sessão de tortura. Ele foi afogado em um balde, recebeu choques com fios desencapados para confessar o crime e ainda foi ferido com facadas e pauladas. “Molharam o corpo dele e encostavam o fio para dar choque”, detalhou o advogado. Kelvin ficou na boate das 17 às 20 horas. As agressões só pararam depois que ele desmaiou.

Para a defesa, neste momento, “Brasília” achou que o rapaz estava morto e resolver “tirar sarro” da família dele. Atravessou a rua, bateu na casa de Kelvin e avisou a mulher dele: “vai buscar seu marido, ele está morto na caminhonete”. Os outros três acusados pelo assassinato também estavam no local e se revoltaram com a situação.

Ferimentos estão pelos braços e pelas pernas de Kelvin (Foto: Direto da Rua)
Ferimentos estão pelos braços e pelas pernas de Kelvin (Foto: Direto da Rua)

Enquanto a mulher e dois amigos atravessavam a rua para “buscar o corpo” de Kelvin, os outros que ficaram na casa seguraram Ronaldo. Depois de muito insistir, o trio conseguiu entrar na boate e resgatar o rapaz, que estava na caçamba da caminhonete de Ronaldo, uma Ford Ranger.

Ele foi carregado de volta para casa e lá reencontrou “Brasília”. Houve uma briga. Na discussão, afirma a defesa, o dono da boate voltou a fazer ameaças. Não só para Kelvin, mas a todos que estavam ali. Foi por isso, que se reuniram e levaram Ronaldo para a região do Ceuzinho.

“Por temer pela própria vida e por já ter indícios de que ele realmente faria isso, pois tinha feito minutos antes, ele reagiu. Se não tinha sido ele”, defendeu Willer Souza. Para o advogado, Kelvin contou que ouviu mais de uma vez de Ronaldo que se fosse solto, mataria todos que estavam na casa. Por isso, os quatro acusados agiram pelo “instinto de sobrevivência”, já que a situação ultrapassou as ameaças, chegou na agressão e quase morte de um deles.

Segundo o advogado, a prova disso, foi como o crime aconteceu. As “armas” usada, garrafas e pedras, foram encontradas no próprio local do crime. Não houve uma premeditação do assassinato. Outro ponto que para a defesa deve ser desmentido, é a tentativa de carbonizar o corpo. “No desespero, eles colocaram fogo na caminhonete, não no corpo”, reforçou. O fogo se espalhou pela vegetação.

“A pergunta que fica é se a polícia está apurando essa tentativa de homicídio, porque para nós foi uma tentativa de homicídio, da mesma maneira que está apurando o assassinato. Nada está sendo dito pelo menos”, afirmou Willer.

Willer Souza trabalha na defesa de Kelvin e vai tentar a liberdade do cliente (Foto: Geisy Garnes)
Willer Souza trabalha na defesa de Kelvin e vai tentar a liberdade do cliente (Foto: Geisy Garnes)

Da prisão – Agora, a defesa vai tentar libertar Kelvin, justamente por entender que a prisão foi ilegal. Na visão do advogado, o flagrante justificado pela polícia para manter o quarteto detido, não se enquadra as determinações impostar pelo Código Processo Penal: eles não estavam cometendo o crime quando foram encontrados, não tinham acabado de cometer, não foram perseguidos após a ação e não carregavam as armas usadas quando foram localizados.

“Por isso vamos pedir o relaxamento da prisão ou a liberdade provisória com medidas cautelares diversas de prisão”. Além disso, a defesa requisitou a justiça imagens de câmeras de segurança da boate para comprovar a versão do cliente e também exame de corpo de delito para comprovar a tortura. O caso segue em investigação na 2ª Delegacia de Polícia Civil.

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