Aulas começam com homenagem à menina de 6 anos estuprada e estrangulada
Alunos se reuniram no pátio da Escola Municipal João Nepomuceno, onde a vítima estudava
O dia de aula na Escola Municipal João Nepomuceno, na Vila Taquarussu, em Campo Grande, começou com os alunos reunidos no pátio e um minuto de silêncio pela morte da menina de seis anos, vítima de estupro e estrangulamento. A criança estudava na unidade e a notícia do crime deixou os pais chocados e desolados. O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (28) na Vila Carvalho, a aproximadamente 2,4 km da casa da família.
RESUMO
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Em Campo Grande, a Escola Municipal João Nepomuceno realizou uma homenagem a uma aluna de 6 anos, vítima de estupro e estrangulamento. Durante o evento, alunos e funcionários fizeram um minuto de silêncio, e a coordenação alertou sobre a importância da vigilância em relação à segurança das crianças. Pais de alunos expressaram preocupação com a segurança na região, destacando a presença de usuários de drogas nas proximidades. A advogada Jakeline Bebete ressaltou que a maioria dos casos de abuso é cometida por pessoas próximas à família, enfatizando a necessidade de maior atenção das escolas e do poder público.
Antes de os estudantes entrarem em sala de aula na manhã desta sexta-feira (29), eles foram colocados em fila no pátio e a coordenação anunciou que hoje era um dia triste para todos com a notícia do assassinato da menina. Os responsáveis pela unidade ainda deixaram um alerta para as famílias e finalizaram o momento com a oração do Pai Nosso.
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“Prestem atenção em quem anda com vocês. Pode ser colega de família, pode ser parente, o que for, nós temos que estar atentos. Com quem vocês andam, aonde vão. Não está fácil. As pessoas sempre buscam fazer o mal, é triste, mas temos que estar atentos. Em respeito à nossa aluna, vamos fazer um momento em silêncio para que possamos refletir”, disse o coordenador da unidade.
Em frente à unidade, os pais afirmaram estar em choque com a notícia da morte trágica da menina. Ao Campo Grande News, a advogada Jakeline Bebete, 37 anos, relatou que no momento em que recebeu a informação participava de uma audiência sobre abuso sexual infantil.
“A gente não espera que seja alguém tão próximo. Mas nossas estatísticas mostram que a maioria dos autores são parentes ou pessoas próximas da família. Precisamos estar atentos, não só os pais, mas a escola e o Poder Público como um todo. É um assunto que precisa ser falado na escola, a criança não tem noção do que é abuso”, explicou Jakeline, que foi deixar um dos filhos na unidade.
Ela ainda contou que algumas quadras para baixo da escola há muitos usuários de drogas e pessoas em situação de rua, exigindo ainda mais atenção de quem vive no bairro. “Muitas vezes a gente nem consegue sair de casa. Temos que ficar atentos”, finalizou.
Também levando o filho para a aula, a professora Graice Souto, 39 anos, disse estar desolada. “A gente que é mãe fica em choque. Fiquei sabendo pelas redes sociais quando a escola comunicou que não teria aula à tarde. É uma situação horrível e muito perto da gente. Até vesti preto para vir levar meu filho na escola, porque a gente fica de luto”, disse.
O mecânico Albano Margato, de 44 anos, fica sempre atento aos filhos, que são prioridade dele e da esposa. “Não deixo com ninguém, porque a cada dia que passa aumentam os casos de abuso. Meu filho mais novo fica com a irmã mais velha ou com alguém de vínculo forte. É triste demais um pai e uma mãe passarem por uma dor assim. Até conversamos em casa sobre essas situações. Orientamos todos os dias”, explicou.
Ainda na tarde de ontem, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) publicou uma nota de pesar em rede social, lamentando a morte da menina. Na postagem, compartilhada pela escola, a pasta destaca que a pequena deixará saudades e manifesta solidariedade aos amigos e familiares da vítima.
O caso - Na madrugada de ontem, o corpo da criança foi encontrado no banheiro de uma casa alugada na Avenida Joaquim Manoel de Carvalho, no Bairro Vila Carvalho. A vítima estava enrolada em um cobertor, dentro da banheira, apresentando sinais de estupro.
A residência, onde morava o principal suspeito, Marcos Willian Teixeira Timóteo, conhecido como “Gordinho”, apresentava sinais de abandono. A casa estava revirada e quase sem móveis. Em um dos cômodos havia apenas um pedaço de papelão no chão ao lado de uma pequena bacia, enquanto um móvel improvisado guardava um saco de ração de cachorro e, na cozinha, uma panela permanecia esquecida sobre o fogão.
Imagens de câmera de segurança mostram o momento em que a menina saiu de casa na manhã de quarta-feira (27), na Vila Taquarussu, acompanhando Marcos Willian. Ele aparece de camiseta roxa, bermuda jeans e boné claro, atravessando a rua. A criança, de calça escura e camiseta branca de manga longa, o segue de perto. O trajeto até a casa da Vila Carvalho é de cerca de 2,4 km e teria sido feito a pé.
Os pais só deram falta da filha à tarde e, ao checarem as câmeras, reconheceram o suspeito. A Polícia Militar foi acionada e, horas depois, a menina foi localizada já sem vida.
Após o crime, Marcos Willian fugiu, mas nesta manhã foi encontrado na região do Inferninho, saída para Rochedo, em Campo Grande. Ele teria resistido à abordagem e, então, acabou sendo baleado por policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigações). Os policiais o levaram até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida, mas ele não resistiu e morreu.
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