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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

13/01/2016 16:21

Avenida Zahran: de caminho dos bois à rota dos acidentes de trânsito

Aline dos Santos
Buraco na avenida Zahran, antes do cruzamento com a Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)Buraco na avenida Zahran, antes do cruzamento com a Rodolfo José Pinho. (Foto: Fernando Antunes)
Cacilda, mora há 48 anos na avenida.  Isso aqui era estrada boiadeira, passava boi, diz. (Foto: Fernando Antunes)Cacilda, mora há 48 anos na avenida. " Isso aqui era estrada boiadeira, passava boi", diz. (Foto: Fernando Antunes)

De estrada boiadeira a vice-líder em acidentes de trânsito. Os últimos 48 anos da história de onde hoje fica a Avenida Eduardo Elias Zahran se desenrolou sob os olhos de Cacilda Blan, 88 anos. A via que se estende por quatro quilômetros, entre as rotatórias da Rua Joaquim Murtinho e Avenida Costa e Silva, foi o endereço da casinha de madeira onde se mudou com o marido e três filhos. A menina se foi há 27 anos, vítima de atropelamento na avenida, perto do cemitério. Mas a tragédia não tirou o carinho pelo lugar onde se vive toda uma vida.

Questionada se é bom morar na avenida de trânsito ruidoso e por vezes perigoso, ela não pensa duas vezes. “Nossa mãe do céu. É demais. Isso aqui era estrada boiadeira, passava boi”, conta Cacilda. A vizinhança de casas de madeira foi substituída por imóveis comerciais.

Do quintal cheio de árvore frutíferas, sobrou o pé de manga, testemunha das brincadeiras das crianças. Cacilda diz que na época cercou o terreno com varinhas. “Tinha que brincar aqui dentro. Queria que eles estudassem e, graças a Deus, deu certo”, relata.

Com as mudanças, também teve que se habituar ao barulho da avenida, com seus ônibus, carros e motocicletas. “Só aquieta depois da meia noite e volta 3 horas da manhã. Mas a gente acostuma”, diz.

Fatores - Estreita, com fluxo intenso, cortada por faixas de pedestres e semáforos que às vezes só piscam no alerta, a avenida é propícia para acidentes, principalmente por parte dos condutores desatentos. “Tem muito acidente porque se um parar na faixa, os outros que vêm atrás não param e batem”, conta a universitária Samara Augusta de Souza Menon, 23 anos.

Mas mesmo com as faixas, os pedestres enfrentam dificuldade. “É um pouco difícil passar. Às vezes espera bastante”, afirma o Thiago de Freitas, 23 anos. A demora é porque a travessia segura depende da boa vontade dos condutores.

Ele conta que a cada chuva forte, o cruzamento da Zahran com a Rui Barbosa, ponto de bastante fluxo, ficam com os semáforos no alerta, ocasionando acidentes e confusão. Revitalizada em 2002, o ordenamento viário ainda tem reclamações, como no cruzamento com a rua Jornalista Leite Neto, que virou mão única. “Os clientes reclamam que é preciso dar uma volta grande depois que deixou de ser mão dupla”, afirma a vendedora Sirlene Ferreira da Silva, 41 anos.

Ao fundo, rua Jornalista Leite Neto virou mão única. (Foto: Fernando Antunes)Ao fundo, rua Jornalista Leite Neto virou mão única. (Foto: Fernando Antunes)
Para Sirlene, falta de atenção contribui para acidentes na avenida. (Foto: Fernando Antunes)Para Sirlene, falta de atenção contribui para acidentes na avenida. (Foto: Fernando Antunes)
Cruzamento com a Rui Barbosa tem semáforo.  Mas confusão acontece quando equipamento fica no alerta. (Foto: Fernando Antunes)Cruzamento com a Rui Barbosa tem semáforo. Mas confusão acontece quando equipamento fica no alerta. (Foto: Fernando Antunes)

Para ela, os problemas são os buracos. “A Zahran é uma avenida segura, o motorista que não respeita. Deveria ser menos acidente, mas toda semana tem um. É falta de atenção”, avalia. A Zahran aparece entre as vias de Campo Grande com mais acidentes. Em outubro do ano passado, por exemplo, ficou em segundo lugar, atrás somente da avenida Afonso Pena.

Com nome de visionário e endereço de três emissoras de televisão, a avenida oferece serviços variados. Tem de banco a mosteiro. A oferta ainda inclui lanchonetes, igrejas, supermercado, farmácias, concessionária de automóveis, escritórios de advocacia. Também figuram na paisagem muitas placas de aluga-se.

O homem atrás do nome - Eduardo Elias Zahran nasceu em Bela Vista no ano de 1922. Ainda bebê, sofreu um choque térmico que trouxe dificuldades pela vida. Mas, os problemas de saúde não interferiram no espírito empreendedor.

Em 1955, foi dado o pontapé inicial daquilo que hoje é o Grupo Zahran. A ideia da distribuidora de gás, a Copagás, surgiu quando Eduardo percebeu que as mulheres só cozinhavam utilizando querosene ou lenha. Depois, conseguiu concessão de um canal de televisão e surgiu a TV Morena.

Eduardo Zahran morreu em 1969. Ele tinha 47 anos e sofreu uma parada cardíaca.

Nas ruas – O Campo Grande News abre nesta quarta-feira série de matérias mostrando a situação de ruas e avenidas da cidade. As escolhidas foram algumas entre as de maior fluxo, por onde circula boa parcela dos campo-grandenses.


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