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Capital

Mais de 20 horas depois, bairros ainda sofrem com falta de energia

Moradores de várias regiões relatam transtornos e dizem que concessionária não deu previsão de retorno

Por Jhefferson Gamarra | 11/09/2026 13:26
Mais de 20 horas depois, bairros ainda sofrem com falta de energia
Comércio no Jardim São Bento com placa improvisada avisando da falta de energia (Foto: Juliano Almeida)

Mais de 20 horas após o temporal que atingiu Campo Grande no fim da tarde de quinta-feira (10), moradores de diferentes bairros da Capital continuam sem energia elétrica nesta sexta-feira (11). Os relatos enviados ao Campo Grande News mostram que a interrupção, iniciada por volta das 17h30 e 18h em algumas regiões, ainda afeta residências, estabelecimentos comerciais, uma escola e até um lar de idosos.

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Mais de 20 horas após o temporal que atingiu Campo Grande na quinta-feira (10), moradores de vários bairros ainda estavam sem energia elétrica na sexta-feira (11). A Energisa quadruplicou equipes e recebeu reforços de outros estados. Cerca de 30 postes foram danificados, com previsão de até 100 afetados. Às 13h, 82% dos clientes já tinham serviço restabelecido. Ventos chegaram a 87 km/h e a Defesa Civil alertou para novas tempestades.

No Bairro Pioneiros, a moradora Fatima Maria Siqueira afirma que está sem luz desde aproximadamente 17h30 de quinta-feira. Segundo ela, a falta de energia atinge toda a Rua Caiscais, enquanto imóveis nas proximidades já tiveram o fornecimento restabelecido.

“Sem luz desde ontem, Jardim Morenão, aqui na Rua Caiscais, toda está sem luz. Em volta tudo tem luz. Não tem fio arrebentado nem nada, acabou ontem por volta das 17h30. A concessionária disse que voltaria de manhã, mas até agora nada”, relatou.

A situação também persiste no Jardim TV Morena. Thayane Couto contou que a mãe permanece sem energia desde o temporal. Na região das ruas Quintino Bocaiuva e Calarge, segundo ela, árvores e fios chegaram a cair durante a tempestade.

“Minha mãe mora no [bairro] e, desde ontem, não foi restabelecido. Nas ruas Quintino Bocaiuva com a Calarge tinha árvores e fios caídos, mas eles estão sem energia. Ela ficou sem telefone também, acabou a bateria e não teve retorno. Eu nunca vi nada igual esse temporal, estou vendo essa destruição”, afirmou.

No Bairro Maria Aparecida Pedrossian, a jornalista Leticia Silvino também relata mais de 20 horas sem energia. Segundo ela, o fornecimento começou a oscilar por volta das 17h30 e caiu definitivamente às 18h.

A interrupção, conforme o relato, passou a afetar tarefas básicas da rotina. Sem energia, o portão da residência não abre, o celular não pode ser carregado e a moradora ficou sem comunicação. Durante a madrugada, o fornecimento voltou em outras partes do bairro, mas a casa dela continuou sem luz.

Ela afirma que acionou a concessionária ainda na noite de quinta-feira e recebeu nesta sexta-feira a previsão de que o serviço seria normalizado às 9h34. O horário passou, porém, sem que a energia retornasse ou uma nova previsão fosse informada.

Para conseguir manter o celular carregado e não ficar incomunicável, a moradora precisou ir até a associação de moradores, que já estava com o fornecimento restabelecido.

No Jardim Paulista, a falta de energia também ultrapassa 20 horas. Ketlen Santos, assessora de comunicação, conta que a residência dela e um lar de idosos localizado ao lado continuam sem luz desde as 18h de quinta-feira.

“Desde ontem à noite sem luz, sem condições. Do lado da minha casa tem um lar de idosos que também está sem luz. A Energisa não dá previsão de retorno, desde as 18h”, relatou.

A falta de energia também afetou a rotina escolar. Segundo Ketlen, o Colégio Status, onde estuda o filho dela, suspendeu as aulas nesta sexta-feira por causa da interrupção no fornecimento.

Na área da saúde, uma clínica de fisioterapia localizada no Jardim São Bento precisou cancelar atendimentos previstos para a tarde desta sexta-feira. Conforme relato encaminhado à reportagem, a unidade está sem energia desde a noite de quinta-feira e recebeu previsão de retorno somente a partir das 22h.

Os relatos também chegam de moradores do Jardim Centro-Oeste, Monte Castelo, Novos Estados, Oliveira 2 e 3, Vila Eliane, entre outras regiões da Capital.

Mais de 20 horas depois, bairros ainda sofrem com falta de energia
IMPCG na região central de Campo Grande também está sem energia desde ontem (Foto: Juliano Almeida)

Rede danificada - A Energisa informou, em boletim divulgado às 13h desta sexta-feira, que ampliou em quatro vezes o número de equipes técnicas mobilizadas para atender os danos provocados pela tempestade. Profissionais de Minas Gerais, Tocantins, Paraíba, Sergipe, Acre e Rondônia também foram enviados para reforçar os trabalhos em Campo Grande.

Segundo a concessionária, objetos foram arremessados pelo vento em diversos pontos da cidade, mas a maior parte dos danos à rede elétrica foi provocada pela queda de árvores de grande porte.

Até o momento, cerca de 30 postes danificados já foram ou estão em processo de substituição. A previsão da empresa é de que o número chegue a 100 estruturas danificadas. Em alguns pontos, será necessário reconstruir completamente a rede elétrica.

A Energisa afirma que nenhum bairro teve o fornecimento de energia interrompido por completo, embora diversas áreas da cidade tenham sido afetadas. Às 13h desta sexta-feira, cerca de 82% dos clientes atingidos já haviam tido o serviço restabelecido.

Ainda conforme a concessionária, os serviços essenciais, incluindo hospitais, já foram normalizados.

A empresa reforçou que segue trabalhando para normalizar o fornecimento para todos os clientes afetados pela tempestade.

Mais de 20 horas depois, bairros ainda sofrem com falta de energia
Queda da arvore na rua Brilhante esquina rua Coronel Camisão bairro Amambai. (Foto: Juliano Almeida)

Temporal deixou rastro de destruição  -A tempestade atingiu Campo Grande por volta das 17h de quinta-feira e provocou queda de árvores, postes e fiação em diferentes regiões. O fenômeno também foi acompanhado de chuva intensa, granizo e ventos fortes.

Estações meteorológicas registraram rajadas de 87 km/h no Aeroporto Internacional de Campo Grande e de 84 km/h na Embrapa Gado de Corte. Segundo o meteorologista Vinícius Sperling, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), os ventos podem ter chegado próximo de 100 km/h em alguns pontos, considerando a dimensão dos estragos observados.

Imagens registradas durante a chegada da tempestade mostram uma grande formação de nuvens avançando sobre a Capital. Segundo Sperling, a estrutura pode estar relacionada a uma nuvem-prateleira, embora não seja possível descartar completamente a possibilidade de uma supercélula sem uma análise mais detalhada da rotação da formação.

O meteorologista explicou que o ambiente atmosférico estava favorável à formação de tempestades severas, com aquecimento durante a tarde e condições de abafamento antes da chegada do sistema.

Nesta sexta-feira, a Defesa Civil Municipal voltou a alertar para a possibilidade de novas tempestades, e o Cemtec também indicou que as condições atmosféricas poderiam favorecer novas formações de tempo severo durante a tarde.