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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

18/11/2015 08:00

Bebê morre três dias após nascimento por falta de vaga em UTI Neo Natal

Ricardo Campos Jr.
Débora mostra uma das solicitações de vaga na UTI Neo que os médicos fizeram, em vão, para tentar salvar a recém-nascida (Foto: Silas Lima)Débora mostra uma das solicitações de vaga na UTI Neo que os médicos fizeram, em vão, para tentar salvar a recém-nascida (Foto: Silas Lima)

A atendente bancária Débora Heloísa Barbosa de Lima, 21 anos, tenta, há quatro meses, se recuperar da morte da filha recém nascida. A menina nasceu prematura, apenas um mês antes da data ideal, e viveu por apenas três dias aguardando vaga de UTI neonatal, todas estavam ocupadas em Campo Grande. É difícil não pensar que a história poderia ter sido diferente. Os médicos fizeram nove solicitações de leito ao poder público, todas em vão.

“Tive uma gravidez normal, sem problema algum. Fiz todo o pré-natal, mas tive um descolamento de placenta. Ela nasceu bem, chorando e apresentava um pouco de desconforto pulmonar”, conta a jovem.

Segundo ela, a equipe da Maternidade Cândido Mariano, onde a cesariana foi realizada, fez o possível para salvar a bebê e improvisaram uma pequena incubadora. “Nunca reclamo do atendimento. Ela era bem cuidada. Os profissionais sempre conversavam comigo. Moveram céus e terras para conseguir a vaga”, lembra Débora.

A família, naquele momento, também não pensou em medir esforços para garantir o melhor para a recém-nascida. “Eu cheguei para uma médica e falei que se era dinheiro que eles precisavam, que colocassem na particular, porque ela nasceu pelo SUS, mas ela disse que não tinha divisão nas vagas e estavam todas cheias”.

Um leito na própria maternidade foi liberado no terceiro dia após o nascimento da menina, que até então já tinha apresentado uma parada cardíaca e não resistiu.

Débora teve depressão profunda após a perda da filha e hoje faz tratamento. Quatro meses após a tragédia, decidiu que não ficaria calada diante da inoperância do sistema de saúde e acionou o MPE (Ministério Público Estadual) sendo colocada, segundo ela, como mais um caso em um inquérito que apura falta de vagas para recém-nascidos na rede pública do município.

Ela também conseguiu apoio com um grupo de mães que mantêm um grupo no aplicativo WhattsApp chamado “Unidas por anjos” e outro “De volta à estaca zero”.

“Para mim, a ficha não caiu ainda. Estava tudo pronto para a chegada dela e eu estava preparada para ser mãe, foi um sonho interrompido. Será que naquele dia todas as mães que tiveram seus filhos em estado grave os perderam por falta de vagas?”, questiona.

O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande, mas até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

Detalhe mostra motivo da solicitação: não havia vagas em leito de UTI Neo na maternidade onde menina nasceu (Foto: Silas Lima)Detalhe mostra motivo da solicitação: não havia vagas em leito de UTI Neo na maternidade onde menina nasceu (Foto: Silas Lima)
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