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Capital

"Vivia fechada", dizem vizinhos sobre casa onde Bernal diz morar

Imóvel onde fiscal tributário foi morto pelo ex-prefeito parecia estar fechado, dizem testemunhas

Por Anahi Zurutuza e Gabi Cenciarelli | 25/03/2026 15:50
"Vivia fechada", dizem vizinhos sobre casa onde Bernal diz morar
Casa na Rua Antônio Maria Coelho, pivô de disputa que terminou em morte (Foto: Osmar Veiga)

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi visto poucas vezes pelos vizinhos do imóvel da Rua Antônio Maria Coelho, que está no centro da briga que terminou na morte do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde desta terça-feira (25). Para “defender” a casa, Bernal também já teria ameaçado outra pessoa com arma.

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, era visto esporadicamente no imóvel da Rua Antônio Maria Coelho, onde ocorreu o homicídio do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini. Vizinhos relatam que a casa permanecia frequentemente fechada e que Bernal já havia ameaçado pessoas com arma de fogo anteriormente. O caso culminou na morte de Mazzini, que reivindicava a posse do imóvel avaliado em R$ 3,7 milhões, supostamente adquirido da Caixa Econômica Federal. Bernal alega legítima defesa, afirmando que atirou por reflexo ao encontrar a vítima tentando invadir a propriedade. O chaveiro que acompanhava Mazzini, contudo, afirma que o ex-prefeito chegou atirando sem dar chance de defesa.

Uma das vizinhas, que pediu para ter o nome preservado, diz não parecer que o ex-prefeito estivesse morando no local. “Vivia fechado, ele aparecia de vez em quando. Parece que tinha um escritório aí e vinha, mas estava sempre fechado. Nunca tive nenhum contato não”, afirmou à reportagem.

Já gerente de comércio localizado na mesma rua, que também falou na condição de anonimato, se lembra de episódio em dezembro do ano passado, quando carro parou em frente à garagem do imóvel, bloqueando o acesso. “Ele saiu de dentro da casa arruando confusão. Parece que via pelas câmeras. Saiu dizendo que podia matar o cara se ele não saísse de lá e levantou a blusa, mostrando uma arma. Depois disso, todo mundo ficou com medo. A gente preferia passar longe”.

Uma terceira pessoa ouvida pela reportagem também afirma que o imóvel não servia mais como moradia para o ex-prefeito.

O imóvel foi comprado pelo ex-prefeito, em agosto de 2016, por R$ 1,669 milhão. Na última avaliação, o valor calculado era de R$ 3.787.057,09.

No registro do imóvel, no cartório do 1º ofício, consta que a primeira propriedade era de um engenheiro, em 2001. Em fevereiro de 2002, a descrição aponta que o terreno com 1.440 m² de área total possui 678,42 m² de área construída, contendo garagem para seis carros, guarita, sala para três ambientes, mezanino, lavabo, escritório, quarto de prataria, cozinha, copa, dois quartos de empregada, WC, área de serviço, suíte master com closet, um apartamento, dois quartos, WC social, sala íntima, roupeiro, jardim de inverno, piscina, quiosque com quarto, sauna, banheiro, casa de máquinas, churrasqueira, bar e casa do caseiro com um apartamento, sala, cozinha e lavanderia.

"Vivia fechada", dizem vizinhos sobre casa onde Bernal diz morar
Casa no Jardim Paulista citada em processo de cobrança de pensão alimentícia (Foto: Reprodução dos autos de processo)

Outros endereços – Bernal realmente tem outros endereços. No CNA (Cadastro Nacional de Advogados), a localização para encontrar o profissional fica na Travessa Zezé Flores, no Bairro Santa Fé.

Já em processo judicial de cobrança de pensão alimentícia, imóvel no Jardim Paulista é indicado como local de moradia do ex-prefeito. Depois de ir ao local cinco vezes, entre setembro e outubro do ano passado, para notificar Bernal de ordem judicial de avaliação e dar com a cara na porta, oficial de justiça comunicou juiz que a casa estaria fechada.

Em março deste ano, o mesmo servidor voltou ao endereço e disse ter sido atendido pela ex-mulher de Bernal, Mirian Elzy Gonçalves, que informou morar na residência desde 2005 e que o ex-companheiro “não reside ali há muitos anos”. Ela negou por isso o acesso ao imóvel para avaliação a pedido da Justiça.

"Vivia fechada", dizem vizinhos sobre casa onde Bernal diz morar
Endereço profissional de Bernal em cadastro de advogados fica no Santa Fé (Foto: Reprodução)

Legítima defesa – Em seu depoimento à Polícia Civil, Bernal afirmou que morava e mantinha escritório de advocacia no local. Na tarde de ontem, não estava na casa, mas foi avisado por uma empresa de segurança de uma suposta tentativa de invasão, e, quando chegou ao local, foi surpreendido com Roberto Carlos e um chaveiro.

“Invadiu minha casa e estava invadindo novamente”, afirmou sobre a vítima. “Eu dei os tiros e não foi para matar, porque ele veio para cima de mim, uma pessoa que eu não conheço, nunca vi”, completou durante interrogatório. A defesa alega que o cliente atirou por reflexo, com o intuito de se proteger.

O fiscal tributário morreu após ser atingido por dois tiros. Roberto Carlos Mazzini reivindicava a posse da casa da Antônio Maria Coelho, que teria sido comprada por ele da Caixa Econômica Federal. O imóvel avaliado em R$ 3,7 milhões foi levado a leilão pelo banco por dívida.

O chaveiro que acompanhava a vítima afirmou que o ex-prefeito chegou atirando e “não deu chance de defesa”.

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