Fazenda de 60 hectares vai se transformar em 1º condomínio com vinhedo de MS
Grupo estima investir R$ 30 milhões em casas de alto padrão, turismo e produção de vinho em Aquidauana
Um condomínio residencial de alto padrão integrado à produção de vinho – modelo inédito em Mato Grosso do Sul e no Centro-Oeste – aguarda licenças ambientais da Prefeitura de Aquidauana para sair do papel. Batizado de Quintas do Terroir, o projeto prevê investimento inicial de R$ 30 milhões em infraestrutura e será implementado em uma área de mais de 60 hectares na fazenda Estância Haras Segredo, em Camisão, distrito pantaneiro do município conhecido como “Portal do Pantanal”. O lançamento está previsto para correr até o final do ano ou início de 2027.
RESUMO
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O projeto é fruto de uma parceria entre a vinícola Terroir Pantanal, a primeira vinícola de Mato Grosso do Sul, a FXT Negócios Imobiliários e a Nova Paxixi Empreendimentos Imobiliários, proprietária da fazenda com mais de 60 hectares onde será erguido o primeiro “condomínio-vinhedo” do Estado e também do Centro-Oeste. O empreendimento será vizinho da vinícola, localizada em Aquidauana.
O município pantaneiro vem diversificando sua pauta econômica e explorando novas fronteiras no enoturismo, ao combinar agropecuária, mercado imobiliário e turismo. Hoje, a maior parte da área onde será implementado o “condomínio-vinhedo” é utilizada para a produção de gado, que vem perdendo espaço econômico para o turismo na região.
Na parceria, a Nova Paxixi entra com o terreno, a incorporadora participa da comercialização dos lotes e a vinícola, contribui com a expertise na produção de vinhos, disse o executivo Fernando Moya de Morais, sócio-proprietário da FTX. “Será um condomínio de lazer com conceito ecológico, em que os proprietários terão acesso à produção própria de uvas e vinhos, voltada tanto à experiência quanto ao consumo”, afirmou.
Camisão está localizado próximo à Serra de Maracaju, região que se destaca pelo turismo de natureza e gastronômico.
Comercialização de lotes
O empreendimento será comercializado em lotes com metragem entre 720 e 1.200 metros quadrados. Ao todo, serão 284 unidades, cujos valores ainda não foram divulgados. O comprador adquire apenas o terreno e constrói a residência por conta própria.
Ao adquirir o lote, o proprietário passa a ter participação proporcional na área produtiva comum do empreendimento. Ou seja, receberá, anualmente, uma quantidade de vinhos proporcional à área adquirida.
A área destinada ao plantio de videiras é estimada em 5 hectares, exclusivamente para produção de vinhos, com capacidade inicial entre 20 mil e 30 mil garrafas por safra, podendo chegar a até 60 mil garrafas anuais após os primeiros três anos de produção. A expectativa é iniciar o plantio ainda este ano, independentemente do início das obras do condomínio.
A produção dos vinhos será realizada pela Terroir Pantanal, por meio da terceirização desse serviço, evitando que o condomínio precise montar essa estrutura no local.
Segundo o empresário Gilmar França, da vinícola Terroir Pantanal, o primeiro ao produzir vinhos em terras pantaneiras, ainda não há data prevista para o lançamento do empreendimento, já que a documentação está em fase de tramitação na prefeitura. “O condomínio depende de uma série de licenças para ser lançado, como licenças ambientais, autorização para produção e aprovação do projeto na prefeitura”, disse.
O lançamento comercial ocorrerá após a conclusão das obras de infraestrutura, que devem consumir investimentos iniciais de cerca de R$ 30 milhões, com recursos próprios. Entre as estruturas previstas estão heliponto, empórios, adega compartilhada, área para eventos e espaço gourmet, além de serviços básicos como energia solar, abastecimento de água, portaria e pavimentação.
“É um condomínio com ampla infraestrutura, planejada para atender às expectativas e às demandas da região”, afirmou.
Segundo França, o modelo é bastante consolidado na Califórnia (EUA) e começa a ganhar espaço no Brasil, com projetos em desenvolvimento no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Trata-se de um conceito que vem se expandindo em áreas próximas a vinícolas, oferecendo aos interessados a possibilidade de produzir o próprio rótulo.
O empresário descreve o projeto como se cada futuro proprietário tivesse uma pequena vinícola particular. “Cada proprietário terá sua cota de produção, com rótulo próprio e opções alinhadas às suas preferências. O objetivo é oferecer a oportunidade de morar em uma região valorizada e, ao mesmo tempo, viver a experiência de produzir o próprio vinho”, disse.
Segundo França, produção de vinhos no Pantanal é viabilizada por uma técnica chamada dupla poda, que inverte o ciclo da videira e permite que a colheita ocorra no inverno. A videira se adapta a diferentes regiões, mas, para produzir vinhos de qualidade, a uva precisa de condições específicas, como boa amplitude térmica e ausência de chuvas no período de maturação, para atingir o nível ideal de açúcar e, consequentemente, o teor alcoólico adequado.
A produção torna-se viável em Aquidauana porque, no inverno, a região apresenta dias ensolarados, noites mais frias e praticamente nenhuma chuva. Esse cenário, segundo afirma, favorece a produção de uvas de qualidade, justamente por causa desse manejo da dupla poda.
O entendimento é de que o condomínio residencial integrado ao plantio de parreirais terá impacto na valorização da região e na geração de empregos. Segundo ele, a vinícola ajudou a revelar o potencial local, que hoje atrai cada vez mais investidores e visitantes. “O condomínio também surge dentro desse contexto de desenvolvimento regional”, afirmou.
Viabilidade comercial
O projeto foi estruturado por uma empresa de São Paulo especializada no mercado imobiliário, informou o sócio-proprietário da FTX, Fernando Moya de Morais. O estudo de viabilidade analisou o mercado de Campo Grande e da própria região pantaneira.
“A proximidade com Campo Grande foi determinante para dar continuidade ao projeto, porque a cidade tem poucas opções de lazer. Além disso, o empreendimento fica praticamente no caminho de Bonito, principal destino turístico dos campo-grandenses”, acrescenta Morais. A fazenda está a 135 quilômetros da capital sul-mato-grossense.
Conjuntura econômica
As partes envolvidas no empreendimento não divulgaram expectativas de receita de vendas, sob a justificativa de que o licenciamento do projeto urbanístico ainda é aguardado para dar sequência à proposta.
Morais avalia com cautela o lançamento do projeto ainda em 2026, considerando a conjuntura econômica, fator que interfere diretamente no mercado imobiliário, com destaque para os juros elevados, além do impacto da escalada da guerra no Irã no agronegócio do Estado.
“O Estado é muito dependente do agro, e fatores como preço da soja e clima influenciam. Estamos avançando com cuidado, sem pressa para vender”, disse.
Ainda assim, o investimento é visto como uma oportunidade de diversificar a pauta de negócios dos futuros investidores em uma região onde o mercado imobiliário está em plena valorização e vem recebendo novos projetos relevantes.



