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Campo Grande, Terça-feira, 23 de Abril de 2019

19/11/2018 16:06

Bombeiros registram, em 30 dias, 102 casos de retenção de macas na Capital

Situação impediu “desembarque” de pacientes em unidades de saúde em períodos de 20 minutos a até 12 horas; Sesau reconhece problema e busca soluções

Humberto Marques
Viatura do Corpo de Bombeiros, que mantêm cinco equipes ao dia em atuação; retenção de macas dificulta atendimentos. (Foto: Arquivo)Viatura do Corpo de Bombeiros, que mantêm cinco equipes ao dia em atuação; retenção de macas dificulta atendimentos. (Foto: Arquivo)

Entre 26 de setembro e 25 de outubro deste ano, o Corpo de Bombeiros registrou em Campo Grande 102 casos de retenções de macas em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e CRSs (Centros Regionais de Saúde), que concentram atendimentos de urgência e emergência na cidade. A situação, causada pela impossibilidade de deixar pacientes nos locais, também mantêm presas equipes de resgate por períodos que variam de 20 minutos a até 12 horas, conforme contabilizado pela corporação.

A situação, porém, não é exclusividade dos bombeiros. Em nota ao Campo Grande News, a Prefeitura de Campo Grande aponta que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) também é vítima do problema, condicionado à “incapacidade física momentânea da unidade de saúde em absorver esse paciente, ou seja, por falta de leitos”. Várias reuniões e estudos vêm sendo realizados para minimizar o problema, que persiste.

“Desde o ano passado essas retenções estão se agravando cada vez mais”, afirmou o coronel Marcelo Fraia, comandante Metropolitano do Corpo de Bombeiros e chefe do setor de Resgate da corporação. Ele salienta que a situação, que deveria ser informada logo na entrada das unidades, acaba por atingir a população –uma vez que, enquanto não entregam o paciente, as equipes de resgate não podem deixar as unidades de saúde.

“Quando o bombeiro socorre uma vítima, ela é regulada para uma unidade de saúde. Se retém a maca, acaba indisponibilizando a viatura para atender a outras ocorrências”, explicou. Diariamente, são cerca de cinco unidades de resgate do Corpo de Bombeiros atuando concomitantemente. O problema, destacou o coronel BM, não tem dia ou horário certo para ocorrer, concentrando-se nos horários de pico de atendimento. “Já tivemos caso de maca ficar retira por até 12 horas”.

Mapeamento – No período acompanhado pelos bombeiros em que houve 102 casos de retenção de macas, foi realizado também um levantamento sobre os gargalos no setor. A “campeã” é a UPA Leblon, que registrou 23% dos casos. Somando-se o tempo de retenção, chega-se a um tempo de 95 horas –exatos três dias, 23 horas e 40 minutos.

UPA Leblon registrou maior percentual de macas retidas, conforme levantamento. (Foto: Arquivo)UPA Leblon registrou maior percentual de macas retidas, conforme levantamento. (Foto: Arquivo)

Na UPA Vila Almeida foram 45 horas e 56 minutos (um dia, 21 horas e 56 minutos) de retenções, e na UPA Coronel Antonino, 47 horas e 11 minutos (um dia, 23 horas e 11 minutos).

Fraia reforça que o problema é resultado da superlotação e da falta de macas nas unidades, que acaba por contrariar e lei municipal 5.170/2012, que proíbe a prática em relação aos serviços móveis de urgência.

A maior preocupação em relação aos resgates envolve as vítimas de acidentes de trânsito. “E recebemos recentemente um investimento grande em viaturas e materiais, estamos com uma equipe técnica treinada de militares. Mas a sociedade acaba prejudica. Somos acionados e demoramos a chegar não porque faltam viaturas, equipamentos ou preparo, e sim pela retenção das macas”.

Discussões – O tema, conforme apurou a reportagem, vem sendo discutido entre as autoridades competentes, porém, continua a esbarrar na falta de espaço –não havendo onde acomodar o paciente, não tem como o mesmo ser deixado na unidade. O impasse inclui, ainda, mudanças em atendimentos em hospitais como Santa Casa e Hospital Regional.

Em nota, a Sesau reforçou que o Samu também é atingido pelo problema, vinculado à dificuldade momentânea na recepção de pacientes por falta de leitos. “Essa situação tem se potencializado conforme o aumento na demanda de casos de maior gravidade que, porém, não está relacionada exclusivamente à absorção de pacientes que poderiam ser encaminhados diretamente às unidades hospitalares”, frisa a pasta.

A secretaria reforça que vem tomando medidas que façam com que situações pontuais não se tornem recorrentes e, de fato, “a população tenha um atendimento de melhor qualidade”.



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