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Capital

“Caí feito um patinho”, lamenta idosa vítima de golpe do “amor eterno"

Caso que parece até história de filme terminou com golpista preso e prejuízo de R$ 1 mil para idosa

Por Jhefferson Gamarra, Silvia Frias e Bruna Marques | 20/10/2021 12:26
Zé Mineiro era procurado por aplicar golpes em mulheres pelo País. (Foto: Reprodução)
Zé Mineiro era procurado por aplicar golpes em mulheres pelo País. (Foto: Reprodução)

Preso no Jardim Columbia, em Campo Grande, na tarde da última segunda-feira (18), após tentativa de aplicar um novo golpe, o estelionatário José Reinaldo dos Santos, 47 anos, passou por audiência de custódia e ganhou liberdade provisória na manhã desta quarta-feira (20). O tratorista que estava foragido após fazer várias vítimas pelo País, será monitorado por tornozeleira eletrônica durante 180 dias.

Na Capital sul-mato-grossense, José Mineiro, como é conhecido o estelionatário, tentou aplicar um golpe disfarçado de “amor eterno”, em uma idosa de 63 anos, durante a compra de um imóvel avaliado em R$ 220 mil.

Ao chegar em Campo Grande, o golpista primeiramente tentou ludibriar um comerciante no Jardim Columbia, dizendo que compraria uma residência por R$ 140 mil e que pagaria o valor a vista, com o que receberia da venda de algumas cabeças de gado que estaria sendo comercializada por ele, mas o “negócio” não prosperou.

No mesmo dia, sem conhecer a índole do golpista, o comerciante da região apresentou o José Mineiro à idosa, que tinha uma casa à venda no valor de R$ 220 mil no mesmo bairro, na intenção de estreitar os laços e concretizar a negociação do imóvel.

“Ele apareceu aqui com uma mochilinha. Perguntando se eu sabia onde tinha casa pra vender. Eu falei que tinha bastante casa no bairro e na inocência aleatoriamente indiquei uma. Ele falou que na sexta-feira viria aqui. Sexta depois do temporal apareceu, comprou uns negócios pagou, comprou umas roupinhas e trocou de chip e já achei meio estranho”, narrou o comerciante de 58 anos e que há 20 mora no bairro.

Ao conhecer a idosa, que não terá a identidade revelada, no dia 15, o golpista visitou o imóvel à venda e contou a mesma história sobre a venda de gados, afirmando que fecharia o negócio no dia 18. Nesse meio tempo, os dois começaram a manter relacionamento, tendo José proposto casamento dentro de um mês, o que foi aceito pela idosa. O golpista afirmou ainda que não iria transferir o imóvel para o nome ele e ainda providenciaria um frete para trazer os móveis para a nova casa, onde ambos morariam juntos.

No dia 18, data marcada para fechar o negócio, o estelionatário disse para a “futura esposa”, que estava sem cartão e não poderia retirar o dinheiro na data, prorrogando o acordo para o dia 22. No mesmo momento, José Mineiros pediu que a idosa realizasse um saque de R$ 1 mil que seria usado para pagar o frete e o montador de móveis, o que foi atendido pela idosa.

No mesmo dia do saque no valor de R$ 1 mil, a filha e o genro da vítima foram até a casa e desconfiaram do relacionamento repentino e “puxaram a capivara” do golpista, onde descobriram que o falso comprador, na verdade, era estelionatário conhecido por aplicar golpes em mulheres. A Policia Militar foi acionada e o golpista que estava foragido foi preso em flagrante com R$ 160 dos R$ 1 mil sacados, o cartão e o RG da idosa.

"Passei muita vergonha nessa historia, caí igual feito um patinho, não quero falar sobre o assunto, fiz boletim de ocorrência. Sou evangélica e creio que Deus está na causa”, lamentou a idosa por telefone à reportagem.

Em declaração prestada à equipe da PM, José Reinaldo dos Santos confessou a prática dos golpes, porém, à Polícia Civil, preferiu ficar em silêncio e se manifestar apenas em juízo.

No auto de prisão em flagrante, consta que José Reinaldo tem várias condenações por estelionato e apropriação indébita, além passagens criminais pelos mesmos crimes que foram arquivadas ou extintas em Pacaembú (SP), Caririaçú (PE), Mirassol do Oeste (MT), Araguaína (TO), além de Itaporã, Nova Andradina, Coxim, Dourados e Campo Grande.

Salvo a condenação de quatro anos e quatro meses em Caririaçú (PE), em que cumpriu em regime fechado, todas as outras sentenças, que variaram de um a sete anos, foram cumpridas em regime semiaberto.

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