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Capital

Calor de matar exige cuidado extra com higiene em tempos de máscara obrigatória

Especialista explica que ideal é proteção ser trocada a cada duas horas, mas muitos usam a mesma máscara durante o dia todo

Por Ana Paula Chuva e Aletheya Alves | 16/09/2020 17:39
Eriberto trabalha com limpeza e conta que o calor deixa o uso da máscara mais desconfortável. (Foto: Kisiê Ainoã)
Eriberto trabalha com limpeza e conta que o calor deixa o uso da máscara mais desconfortável. (Foto: Kisiê Ainoã)

Calor excessivo aliado a baixa umidade tem tornado o uso da máscara ainda mais desconfortável para os campo-grandenses. A troca da proteção facial nesses períodos de temperaturas altas exige paciência, mas também manda respeitar á risca as questões de higiene.

Para o pintor Edson Lopes Soares, 45 anos, o jeito tem sido diminuir o tempo da troca da máscara durante o dia, hábito corretíssimo, orientam os médicos. “O calor tem sido bem mais intenso esse ano, a máscara dá sensação de agonia em dia muito seco. O jeito tem sido tomar muita água e ficar trocando de máscara porque a gente transpira muito”, disse.

Dificuldade também tem enfrentado Eriberto de Oliveira Silva, que trabalha com limpeza. Ele que gosta de usar máscara preta conta que sente ainda mais intenso o calor.

“Eu gosto de usar preto porque acho mais bonito, mas realmente pega mais calor. Como a gente já tá acostumado com suor e sol, não faz tanta diferença, só dá um pouco de falta de ar em alguns momentos. Precisa ficar limpando o rosto sempre e tomar cuidado”, explicou.

Ele ainda relata que faz caminhadas e para o exercício físico tem sido pior. “Faço caminhada e é pior ainda porque o exercício esforça mais, principalmente quando a gente resolve correr. Aí sofre um pouco”, completou.

Trabalhando o dia inteiro no sol, Letícia de Oliveira Bitencourt, 25 anos, a máscara fica suja de forma mais rápida e por isso troca mais vezes.

“Trabalho o dia inteiro debaixo do sol, então a máscara nem dura muito porque fica suja. Já é difícil calor, com coronavírus e pandemia só aumentou a sensação ruim e suor”, desabafou.

Letícia conta que máscara suja mais fácil no calorão. (Foto: Kisiê Ainoã)
Letícia conta que máscara suja mais fácil no calorão. (Foto: Kisiê Ainoã)

Higiene - Segundo o médico e doutor em saúde, Odair Pimentel, a questão da troca das máscaras é questão de higiene, independente da temperatura.

“As máscaras necessitam de descarte em função do tempo de uso e consequentemente da saturação do tecido com partículas em suspensão, secreções respiratórias e da orofaringe. A temperatura ambiente não interfere diretamente neste processo. Os cuidados para higienização e descarte são os mesmos”, disse.

Mas ele lembra que a temperatura alta aumenta a transpiração e acaba tornando o uso do “acessório” mais incomodo e desagradável.

“É importante considerar que as máscaras em uso pela maioria da população são de tecidos e funcionam apenas como uma barreira semipermeável . Neste caso a perda da eficiência é mínima. O contrário seria se usássemos máscaras profissionais de uso em controle biológico como uma N95 em função do seu poró ser menor para reter microrganismos”, detalhou.

Edson bebe mais água por conta da máscara no calorão. (Foto: Kisiê Ainoã)
Edson bebe mais água por conta da máscara no calorão. (Foto: Kisiê Ainoã)

“O uso da máscara é envolvido em dificuldades técnicas no dia a dia da população. A indicação seria que a cada 2 horas ela seja substituída, pelo menos alguns especialistas   assim o indicam. Do ponto de vista prático um trabalhador com jornada de 8 horas teria que levar por dia 4 máscaras ao trabalho. Mas sabemos que isso na prática não funciona. Quando muito trocam 1 a duas vezes por dia. A questão da troca da máscara de pano passa a ser mais uma questão higiênica do que técnica.”, completou.