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Capital

Carro que atropelou Mariana foi presente do pai e sonho realizado, diz família

Sentimento é de revolta após liberdade do namorado, que dirigia o veículo dela na hora do acidente

Por Anahi Zurutuza | 17/05/2021 14:04
Mariana Vitória morreu aos 19 anos atropelada pelo namorado (Foto: Reprodução das redes sociais) 
Mariana Vitória morreu aos 19 anos atropelada pelo namorado (Foto: Reprodução das redes sociais)

Natural de Amambai, Mariana Vitória Vieira Lima, de 19 anos, jovem que morreu atropelada por carro conduzido pelo namorado no fim de semana, morava há pelo menos 10 anos em Campo Grande com a mãe e o padrasto, funcionários da Energisa, além dos dois irmãozinhos, de 5 e 7 anos.

Ela havia terminado o Ensino Médio no ano passado e em 2021 começou cursinho preparatório para vestibulares. Queria cursar Medicina. Também neste ano, Mariana realizou um sonho: ter um carro. Ela ganhou o Toyota Etios do pai. “Foi uma realização e foi esse carro que levou a vida dela”, lamenta a advogada Ana Paula Vieira e Silva, de 34 anos, tia da menina, que ainda chora a cada lembrança.

Toyota Etios, que vítima ganhou de presente neste ano, no local do acidente (Foto: Kísie Ainoã) 
Toyota Etios, que vítima ganhou de presente neste ano, no local do acidente (Foto: Kísie Ainoã)

Jovem de muitos amigos, antes da pandemia, Mariana não marcava festa com menos de 30 pessoas, também recorda a tia. “Uma van com 12 amigas veio para o velório dela aqui em Amambai”.

Ana Beatriz Nascimento de Queiroz Bravo, 19, uma das amigas inseparáveis, confirma. “A Mariana era uma pessoa com muita luz, onde ela chegava era impossível não notar. Iluminada mesmo e tinha um jeito que era só dela”.

As amigas fizeram homenagem nesse domingo (16). Na sepultura de Mariana, escreverem no cimento frase postada pela jovem dias antes da morte: "Não existe fim para pessoas incríveis".

Sobre o casal, nem a tia e nem a amiga têm muito o que dizer. Rafael e Mariana estavam juntos há cerca de quatro meses. “Nem cheguei a conhecer”, revela a tia, que mora em Amambai.

Mariana ao lado da amiga, Ana Beatriz (Foto: Arquivo pessoal) 
Mariana ao lado da amiga, Ana Beatriz (Foto: Arquivo pessoal)

A investigação -  Mariana Vitória foi atropelada na Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camillo, que liga a Afonso Pena à Via Parque, em frente ao Shopping Campo Grande, na madrugada de anteontem. A jovem sofreu múltiplas fraturas e morreu no local.

A Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) foi acionada, na manhã de sábado (15), logo após o acidente, porque havia suspeita de que o rapaz havia cometido feminicídio.

Segundo Joilce Silveira Ramos, da Deam, o rapaz deu duas versões sobre o que causou a morte de Mariana. A primeira, ainda no local do acidente, disse que ela estava dirigindo e em certo momento trocaram o volante. Então, quando ele quis dirigir, ela subiu no capô para tentar impedi-lo.

Só depois, na delegacia, ele afirmou que ser tratava de uma "brincadeira" dos dois. Ele deitou-se na parte externa do carro e ela dirigiu e algum tempo depois, o casal trocou de lugar, mas ele perdeu o controle da direção, bateu em meio-fio e a atropelou.

A delegada afirma que a equipe montada para a investigação vai analisar imagens de cerca de 10 câmeras que registraram o carro antes do acidente. O objetivo é verificar se Rafael disse a verdade no depoimento.

As imagens extraídas do circuito de segurança de farmácia localizada no cruzamento da Afonso Pena com a Rua Espírito Santo mostram o Etios com uma pessoa dependurada. O trajeto entre este ponto e o local do acidente é de 1,5 km.

Ainda não é possível saber ao certo quem é a pessoa dependurada no capô na hora que o carro passa pela drogaria, mas se for Mariana Vitória é possível afirmar que a jovem passou pelo menos 3 minutos em cima do carro até o namorado perder o controle da direção, bater em meio-fio, atropelar e matar a vítima.

Momento que carro para metros após vítima ser atropelada (Foto: Reprodução) 
Momento que carro para metros após vítima ser atropelada (Foto: Reprodução)


Dois lados - A defesa de Rafael vai refazer o trajeto por meio das gravações. “Eu estou fazendo uma investigação, para conseguir provar a versão que foi dada pelo Rafael, que é a verdade. Foi uma infeliz brincadeira, que teve um resultado trágico, mas nada teve de maldade”, afirmou mais cedo ao Campo Grande News o advogado Marlon Ricardo Lima Chaves.

A família da vítima também pretende contratar escritório de advocacia para acompanhar o inquérito e processo. “É necessário porque a gente quer a verdade”, afirmou a tia de Mariana.

Rafael foi preso no sábado e na manhã desta segunda-feira (17), ganhou o direito de ficar em prisão domiciliar, mediante monitoramento eletrônico.

Revolta é o que sentiu a família de Mariana ao saber que o namorado da moça, apontado como o responsável pelo acidente, já pode ir para casa, segundo a tia. “É revoltante. A gente sabe que nada vai trazer nossa menina de volta, mas vamos em busca da verdade”, reiterou Ana Paula.

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