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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

16/09/2016 09:16

Com a cidade cheia de buracos, estagiários põem 'o pé na massa'

Adriano Fernandes
Estagiários de engenharia contratados pela prefeitura trabalhando na última quarta-feira (14) na Rua Paraíba. (Foto:Adriano Fernandes) Estagiários de engenharia contratados pela prefeitura trabalhando na última quarta-feira (14) na Rua Paraíba. (Foto:Adriano Fernandes)

Com tantas ruas cheias de buraco, uma cena diferente tem sido vista em Campo Grande ultimamente: jovens tapando buracos usando enxadas e os próprios pés. Os envolvidos neste tipo de trabalho garantem que ele é eficaz.

Nas ruas, os jovens atuam em duplas e usando apenas vassouras, enxadas e compactadores manuais da massa asfáltica fria que é colocada nas crateras. Trata-se de um programa de estágios da Prefeitura de Campo Grande, neste caso coordenado pela Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação).

Segundo as informações oficiais, atualmente são 55 estudantes dos cursos de engenharia e arquitetura da UFMS, Uniderp e UCDB.

As equipes são dividas por engenheiros que encaminham os estudantes para as ruas e avenidas onde o número de buracos é menor e que, ao mesmo tempo, não exigem o trabalho feito com maquinário.

Os estudantes põem literalmente as mãos e pés na “massa” para preencher os buracos. Depois de serem varridas, a base dos buracos é compactada e em seguida recebe um produto a base de água que é usado para dar mais aderência à cobertura.

Por fim, os buracos recebem a massa asfáltica a frio, também conhecida como de CBU (Concreto Betuminoso Usinado), que é uma espécie de mistura entre pedrisco, cascalho e piche. O material é o mesmo utilizado nas obras de tapa-buracos com acabamento feito por meio de rolo compressor e compactadores mecânicos.

A rua da Paz também recebeu o recapeamento com massa fria feita pelos estudantes. Os trabalhos sempre se concentram em ruas com menor número de crateras. (Foto: Adriano Fernandes) A rua da Paz também recebeu o recapeamento com massa fria feita pelos estudantes. Os trabalhos sempre se concentram em ruas com menor número de crateras. (Foto: Adriano Fernandes)

Outra diferença é que nestes casos o CBU é despejado quente, a uma temperatura de aproximadamente 150°C. Nas equipes com acompanhamento dos estagiários o material é mantido em sacos plásticos.

Mas o trabalho também tem objetivo fiscalizatório, conforme explica o engenheiro fiscal e coordenador do programa de estagiários da Seintha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação), Elias Atala .

“Eles asseguram que os trabalhos estão sendo executados de acordo com as normas técnicas estabelecidas pelos engenheiros, fiscalizam o trabalho dos auxiliares quanto a compactação da massa e preenchimento dos buracos”, explica.

De acordo com o engenheiro, mesmo exigindo menos efetivo e sem uso de rolo compressor, a durabilidade da massa é de até 15 anos. O próprio fluxo de veículos serve de compactador, afirma Elias.

Esse tipo de massa passou a ser utilizada em meados de julho, como medida paliativa em alguns buracos. Mas, foi incorporada aos trabalhos executados pelos estagiários. 

“O trabalho executado por estes estudantes contribui para a qualificação profissional deles porque permite que eles coloquem em prática o aprendizado teórico da faculdade. Além de qualificá-los para o mercado de trabalho”, comenta o secretário da Seintrha, Amilton Cândido de Oliveira.

O programa – Além dos trabalhos de pavimentação e tapa-buracos nas ruas de Campo Grande, os estagiários de engenharia e arquitetura da prefeitura também atuam nas áreas de infraestrutura de casas populares, ceinfs e até escolas de Campo Grande.

Eles também executam atividades administrativas de planejamento, orçamentos e estudos da Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação). E o fluxo das atividades é rotativo.

“Todos os estagiários destas áreas executam desde o serviço de tapa-buracos nas ruas até a parte de planejamento. O tempo em que cada um deles executa determinada função varia de acordo com a demanda, mas todos recebem os mesmos aprendizados práticos. Passam por todos os setores de atuação da secretária”, completa Elias.

"Tive acesso na prática ao aprendizado que até então, só tinha visto em teoria, na faculdade", comenta a estudante Jennyfer Vicente, de 20 anos. Há seis meses no programa a jovem já trabalhou nos multirões de casas populares e agora atua no setor adminisrativo da secretária. 

Há pouco mais de um ano Jeferson Zanata, de 21, também ocupa uma vaga no setor. Mas ainda não foi transferido para a área que pretende atuar após a faculdade. "Meu interesse é mesmo a infraestrutura e pavimentação de ruas e estradas", conta.

O programa de seleção de estagiários das áreas de engenharia civil e arquitetura foi criado em 2013, sobre a administração do prefeito Alcides Bernal (PP).

Requisitos - Estudantes que cursam a partir do sétimo semestre podem se cadastrar de para participar das seleções de estagiários. As incrições podem ser feitas pelo site da prefeitura ou indo a secretaria de administração do município.

Cada estagiário recebe uma bolsa auxílio no valor de um salário mínimo, tem direito a alimentação e vale transporte. A carga horária é de 4 horas por dia de segunda até sexta-feira. Os contratos duram no máximo um ano. 



Eu concordo em aprender na prática até mesmo para saber coordenar uma equipe futuramente. Agora, tem que ver se esses serviços estão sendo executados de forma correta e com qualidade ou só é mais uma enganação.
 
Wagner Cabriote em 16/09/2016 15:37:10
Ah! então foi um destes estagiários que eu vi "trabalhando", uma situação absurda, o sujeito varria o buraco e jogava toda a terra dentro da galeria pluvial, pena meu celular estar sem bateria.
 
Marco em 16/09/2016 13:04:08
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