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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

01/11/2012 16:39

Com a guarda provisória de menino, família vive dilema após agressões

Paula Maciulevicius
Mãe adotiva da criança não aguenta mais as agressões. Mãe adotiva da criança não aguenta mais as agressões.

O carinho perdeu espaço para o medo e o receio de que algo muito ruim aconteça e agora uma família pensa na ideia de entregar o filho adotivo à Justiça, depois de oito anos de criação. A decisão ainda não é a final, mas está entre as possibilidades de quem diz ter dado muito amor e recebido, de volta, agressões à mãe, uma senhora de 73 anos. Foram três episódios até o último sábado.

“Ela vai ficando mais fraca e ele mais forte. A gente fica preocupado e quer devolver antes que o pior aconteça”. O desabafo é da filha da senhora que tem há quatro anos a guarda do menino que cria desde 1 ano. Hoje a criança está com 10 anos e os pais adotivos, 73 e 77 anos.

O menino vive com a família na região de Sidrolândia. Em três anos foram três agressões, ocorridas, segundo relatos da família, quando o filho ouve um ‘não’.

A primeira agressão, diz a família, foi há três anos, quando no momento em que a mãe pedia que o menino desligasse a televisão e fosse tomar banho, ele chutou o pé, acertando e lesionando o dedo mindinho.

Em seguida, num intervalo de três meses, ele mordeu o braço da mãe, também depois de desobedecer a ordens do cotidiano de uma família com filhos pequenos. A terceira foi mais grave. No último sábado, ele derrubou a mãe já idosa no chão e ainda chutou. O resultado foi o raio-x apontando uma luxação no braço. No coração, ficou a dor maior de se ver apanhando do próprio filho.

À primeira vista o caso parece de desprezo. De quem quer dar o filho como troca uma mercadoria. Mas quem vê de perto, enxerga uma família desesperada por ajuda, por qualquer ajuda. A filha reconhece “ele é muito carismático, muito querido, mas não pode contrariar. Com os dois é mais complicado, ele não respeita meu pai e nem a minha mãe”, descreve.

Depois das agressões, a sequência a seguir é de desculpas. “Ele pede perdão diz que está arrependido e depois fica amuado”. No segundo episódio, há três anos, o menino chegou a fazer acompanhamento psicológico.

A criança veio parar na família depois que um dos sete filhos biológicos do casal, todos já adultos, pegou o menino que vivia sem o mínimo cuidado e entregou aos pais. O menino é o terceiro que o casal cria. Em nenhum dos casos, o processo de adoção chegou a ser feito. Os dois primeiros filhos criados ficaram com o casal por 10 anos e três anos. Até que as respectivas famílias biológicas voltassem a ter condições de criá-los.

“Era só ela e o meu pai e eles sempre tiveram vontade de criar”, completa a filha.

Os filhos do casal procuraram o Conselho Tutelar na segunda-feira desta semana. “A gente quer ver o que pode ser feito. Nem eu sei. Vamos nos reunir entre os filhos e ver. Nós queremos um parecer do Conselho, da Justiça, de como eles podem interferir e ajudar no que tiver de ser feito”, explica.

A família sustenta que se tentar conversar, o repertório de pedir desculpas pode acontecer outras vezes.

A interrogação que fica na cabeça de quem tenta assimilar a história toda é: e se fosse um filho biológico? Não que seja aceitável a possibilidade de devolver um filho adotivo, tanto pelo lado humano quanto judicialmente falando, mas o equívoco de acreditar que a adoção é reversível leva a família a não ver outra possibilidade?

Ela responde: “A gente não sabe o que se passa na cabeça dele, dentro dele, o que ele carrega de DNA. Não sei... A gente vê tanta fatalidade, você vê filho biológico e filho adotivo matando. É um ponto de interrogação que fica na cabeça”.

A filha diz que o assunto para a mãe ainda não está definido. “Uma hora ela quer entregar, mas depois ela quer dar mais uma chance. Pegar um psicólogo, mas eu acho que vai se repetir”.

No Conselho Tutelar, a confirmação é de que eles foram acionados nesta semana e que o caso foi encaminhado ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), órgão do Governo Federal que atende famílias em situação de ameaça, violação de direitos, violência física e psicológica.

Conselheiros conversaram com a senhora que tem a guarda do menino e uma das filhas.  Conforme o conselheiro tutelar Adenilson Assunção, esta foi a primeira vez que o Conselho foi acionado. “Nós fizemos o primeiro atendimento e repassamos ao Creas, para um parecer psicosocial, para então tomar outras medidas”, explica.

Ao Conselho cabe o encaminhamento para análise aos órgãos específicos.

Na Justiça, a lei é clara e diz que a adoção é irreversível e irrevogável. No entanto, como se trata de um caso de guarda provisória, que a família tem há quatro anos, pode ser modificada a qualquer momento.

“Quando um filho chega nessa situação é porque foi criado sem limites e vai sofrer as consequências disso. Mas assim como a Justiça não aceita que os pais venham devolver os filhos biológicos, a gente também não aceita que pais devolvam crianças que foram adotadas. Ninguém devolve filho”, diz a juíza da Vara da Infância e Juventude Katy Braun.

Num caso como este, de guarda provisória, a juíza fala que o casal tem a responsabilidade de criar e educar a criança, mas não a assumiram como filho. “É uma modalidade diferente em colocação à família substituta. A adoção rompe veículos com família biológica, mas na guarda, se mantém o poder familiar dos pais biológicos”.

Pela legislação, segundo explicou a magistrada, a Justiça delega uma terceira pessoa que não são os pais, o direito de educar e criar a criança. No caso de reverter a guarda, é preciso que a família entregue para a mesma pessoa que concedeu.

“Eles tem que ver de quem receberam a criança. Eles vão procurar por quem deu a guarda”.

Do outro lado, o desabafo familiar. “Eu tenho medo quando vejo casos... Eu fico preocupada. Não sei o que se passa na cabeça da criança adotada. Talvez um vazio que eu não posso preencher, o meu pai e minha mãe também não”.

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Isto é um absurdo!!!! Querer devolver a criança. Não se trata pessoas como mercadoria.. ah, enquanto foi possivel, ficou com a criança, agora que ela já está grandinha e dando trabalho, quer devolver... pelo amor de Deus né.
Esse filho que pegou a criança, porque entregou para os pais???? Se hoje a criança tem 10 anos e os pais adotivos 73, isso significa que quando aceitou criar a criança já eram idosos.
Já nao aceitava desde o inicio. Entregasse para o conselho tutelar quando tinha 01 ano e não com 10 anos. Porque um dos sete filhos, nao fica com a criança?? Gente, essa criança será um adulto revoltado.
FILHO ADOTIVO NÃO É MERCADORIA, SE SERVE FICA, SE NAO DEVOLVE. ABSURDO!!
 
Gisele Martins em 30/12/2012 14:04:19
Agressão em momento algum é aceitavel principalmente quando são em idosos, pois até uma criança de 3 anos sabe que a agressão faz mal e traz consequencias. O que este garoto realizou foi um ato inaceitável difícil de entender. Penso que uma família que sempre teve um segmento religioso, que criou seus filhos com integridade jamais ensinaria a esse garoto coisas ruins e errôneas. Este garoto precisa de estar com pessoas que tenham força e condições para criá-lo, pois os dois idosos estão cansados fartos de tanto sofrer.
 
Sonia Cavalcanti em 06/11/2012 19:34:47
Gostaria apenas de falar em nome de minha familia, temos sofrido e muito, o que podemos dize de uma familia pobre e miseravel que tem uma renca de filhos passando fome e necessidades morando nas barracas dos sem terra... meus pais se compadeceram e falaram, roupa, comida, teto, agua limpa, cama e quarto, tv, e muito mais coisas, podemos dar, e foi assim, com muito amor e carinho o adotamos, demos tudo,principalmente medicos, psicologos e igreja, somos todos cristaos...resultado...meus pais moram num sitio perto de sidrolandia e nos em campo grande, meus pais estao idosos e doentes, e tem um menino cada vez mais forte e saudavel que a cada NAO, ele retribui com chutes, paulada e pontapes...fui parar no hospital quando vi minha mae espancada pela 3 vez...quem quiser, adote-o.
 
valdir balbueno em 05/11/2012 20:57:21
Como é fácil julgar... O casal como confirma a reportagem, já tentou de tudo, já criou outros filhos, mas tem medo. Oras! A criança tem dez anos, sabe manipular já. Pede desculpas e fica "amuado". Ou faz um tratamento psiquiátrico sério ou tem que ser devolvido mesmo. Colocar em risco a vida dos idosos? Colocar a criança na rua? E quando ele for um adolescente?
É um dilema cruel! Muito cruel! Portanto, é uma covardia achar que esses pais não sofrem.
Belíssima matéria!
 
Liziane Berrocal em 03/11/2012 09:33:40
tem que observar como foi criado essa criança, de repente por ser filho adotivo, não recebeu carinhos merecidos, tem casos que a criança é excluida por toda familia, e quando fica maior se sente deprimido, e inferior, tenta descontar magoas, que está alojado dentro do seu interior, se ele pede perdão, ele não é tão ruim assim,
sendo assim melhor ter um acompanhamento psicologico.
muito dificil um filho receber tanto carinho, e retribuir maldade
 
MARILZA SANTOS em 03/11/2012 09:09:23
não é falta de amor.... mas essa criança tem problemas sérios, e deve ser analisado por um psiquiatra,,, é triste mas é verdade... não tampemos o sol com a peneira...e a família não tem condições psicológicas para cuidar dele. Porque a agressão feita por essa criança só tende a aumentar, só de ler a reportagem já se nota a frieza dessa criança, mesmo que ela peça desculpa, mas ela não tem culpa de desenvolver distúrbios e ao mesmo tempo ela não sabe se controlar. A família fica sem orientação e a merce de violência, deve ser tratada todo cuidado é pouco e o orgão governamental deve agilizar o tratamento e orientação para esses idosos.
 
Dalva Santos em 02/11/2012 13:36:45
Fernando Afonso;
Não é por ai, a situação é muito delicada, vamos imaginar que fosse na nossa família, eu jamais aceitaria um irmão meu de sangue ou adotado agredir os meus mais, pau neles independentes do que seja, irmãos, primos, colegas, e que se f..., voce aceitaria alguém encostar as mãos em teus país? acho que a juiza deveria intervir e tentar encaminhar o garoto para algum orgão do governo estadual ou federal, o que não pode é ficar duas pessoas de idade a se sujeitar a éssa situação, depois acontece alguma coisa por parte do garoto, ou por parte dos filhos do casal, ai vem direito disso e daquilo, o correto e tomarem uma atitude logo, mais no momento este garoto é uma ameaça ao casal ja de idade.
 
Ruy da Costa em 02/11/2012 11:17:00
Nós devemos arcar com nossos atos, não soube criar a criança agora quer devolver, e se fosse filho legitimo o que faria?
 
Fernando Afonso Souza em 01/11/2012 20:10:28
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