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Capital

Com greve de fome enfraquecida, agora parentes falam em acampar na "Supermáxima"

Grupo de 20 pessoas afirma que está preparado para domir no local. Agentes afirmam que presos não estão totalmente sem comer

Por Mirian Machado, Ana Paula Chuva e Anahi Zurutuza | 18/02/2021 13:28
Mulheres de presos em frente ao presídio na tarde desta quinta-feira. (Foto: Direto das Ruas)
Mulheres de presos em frente ao presídio na tarde desta quinta-feira. (Foto: Direto das Ruas)

Grupo de cerca de 20 pessoas segue acampado nesta quinta-feira (18) em frente à Penitenciária de Regime Fechado da Gameleira  em Campo Grande, que ficou conhecida como “Supermáxima”, após ser informado que detentos estão sem comer há cinco dias.

Segundo a esposa de um dos presos, de 42 anos, a comida servida aos internos estava vindo estragada. e há quem durma o chão, pois não tem colchão.

Conforme relatado pela mulher, nem o dinheiro fornecido por elas aos detentos é entregue a eles.  A informação é que até advogados estão proibidos de entrar no local.

Quanto ao pedido de regalias informado pela Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) por meio de nota, como TV em celas, por exemplo, a mulher afirma que o que eles querem é a presença da TV [imprensa] e não aparelho dentro da cela. “A nota da Agepen não condiz”, afirma.

A situação, ainda segundo a mulher é desesperadora, já que dá pra ouvir do lado de fora gritos dos presos. Por isso o grupo de mulheres segue em frente ao presídio aguardando informações e afirma que estão preparadas para dormir, se for o caso.

A greve de fome perdeu força, depois que, por 5 dias, pelo menos 150 dos 550 internos passaram a recursar as refeições disponibilizadas como forma de protesto. Os presos fazem várias reivindicações.

Ontem à noite, conforme apurado pelo Campo Grande News, apenas parte dos detentos que ficam nas celas do Pavilhão 1 recursaram o jantar e hoje pela manhã, alguns deles não quiseram o café da manhã. Os detentos começaram a greve de fome no sábado, dia 13.

Mas, de acordo com agentes penitenciários, não estão totalmente sem comer. “Eles pegam duas marmitas e dividem entre todos da cela. Tipo, duas para cada 8”, afirmou um servidor, que pediu para ter o nome preservado.

Bilhete enviado à reportagem seria pedido de socorro de um dos presos entregue a advogado (Foto: Direto das Ruas)
Bilhete enviado à reportagem seria pedido de socorro de um dos presos entregue a advogado (Foto: Direto das Ruas)

Greve de fome- Familiares dos detentos alegam que tratamento da unidade, inaugurada em novembro de 2019, “é totalmente desumano”. Companheira de um presidiário, que pediu para não ter o nome divulgado, afirma que o pedido de socorro chegou por bilhete, enviado por outro detento, através do advogado dele. “Muitos presos não têm colchão e nem uma coberta pra dormir em cima. A água para beber e tomar banho é quente. Totalmente desumano”.

Ela afirma que como as visitas estão suspensas, famílias também estão impedidas de levar alimentos para os internos. “Até a visita que é feita por videoconferência. Eles não tão deixando a família levar [comida]”.

O Campo Grande News apurou, porém, que a greve de fome começou antes, estimulada por lideranças do PCC (Primeiro Comando da Capital) na unidade.

A Agepen confirma que o protesto foi mobilizado pela facção e estima que cerca de 150 detentos tenham aderido ao movimento. “Desde o sábado [dia 13], um grupo formado por lideranças negativas passou a recusar as refeições oferecidas, exigindo que sejam autorizadas algumas regalias na penitenciária, entre elas televisores nas celas”. Confirmou também que o contato com parentes está temporariamente suspenso - só é permitido virtualmente, em virtude da pandemia - e que a entrega de pertences está restrita.

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