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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

02/09/2016 09:34

Com história de 10 projetos frustrados, antiga rodoviária volta à mira eleitoral

O Terminal Rodoviário Heitor Laburu funcionou por 37 anos

Aline dos Santos
Pichação reclama de abandono da rodoviária;. (Foto: Fernando Antunes)Pichação reclama de abandono da rodoviária;. (Foto: Fernando Antunes)
Para Janete, rodoviária poderia ter sido mantida para ônibus intermunicipais. (Foto: Fernando Antunes)Para Janete, rodoviária poderia ter sido mantida para ônibus intermunicipais. (Foto: Fernando Antunes)

Terminal de ônibus, cinema popular, revitalização: os planos dos candidatos a prefeito de Campo Grande são muitos em relação à antiga rodoviária, desativada há seis anos. Desde 2010, já lhe desejaram restaurante popular, incubadora de projetos, duas universidades, local de atendimento do Tribunal de Justiça, Câmara Municipal, terminal, Camelódromo, polo de confecção e shopping.

Mas os sonhos passam e o local, misto de área pública com lojas particulares do Centro Comercial Condomínio Terminal Oeste, permanece à espera de uma ocupação do poder público que seja indutora de crescimento.

Sem nada sair do papel, a antiga rodoviária reclama abandono. Seja nas chorosas goteiras que ecoam em latas de tintas, nas escadas que não levam a lugar nenhum, nas pichações – que vão do lamento pela falta de projetos à exaltação às prostitutas -, nos pedidos apressados de não querer aparecer nas fotos, sintomas do tráfico e da prostituição que, em parceria com a presença maciça de igrejas, ocupam o entorno.

Fechado com cadeado e bloqueado com tapumes, o Cine Center, que exibia filmes de conteúdo adulto, tem logo na entrada duas latas para aparar goteiras. Ao redor, portas fechadas, inclusive de locais que já foram pontos de atendimento da prefeitura de Campo Grande.

A agricultora Janete Malaquias, 52 anos, diz que até hoje não entende porque desativaram a rodoviária. “Podia ter levado os ônibus interestaduais para a nova e deixado os ônibus intermunicipais saindo dessa rodoviária. Não tinha necessidade de desativar”, afirma. 

 

Na entrada de cinema desativado, água escorre de infiltrações. (Foto: Fernando Antunes)Na entrada de cinema desativado, água escorre de infiltrações. (Foto: Fernando Antunes)
Rosane afirma que solução seria parceria entre donos de lojas e poder público. (Foto: Fernando Antunes)Rosane afirma que solução seria parceria entre donos de lojas e poder público. (Foto: Fernando Antunes)

Na manhã de quinta-feira (dia 1º), ela aguardava a saída de um ônibus para Sidrolândia. No trajeto até a plataforma, relata que viu muitos usuários deitados pela calçadas. “A gente fica precavido”, diz, ainda mais por estar acompanhada da sobrinha Ingrid, de 6 anos.

O motorista Ênio de Almeida, 59 anos, vai diariamente à rodoviária, de onde leva os passageiros para assentamento em Sidrolândia. Para ele, o local poderia receber um shopping.

Do lado particular da rodoviária, que corresponde ao Centro Comercial Condomínio Terminal Oeste, ativo desde 1976, a administradora do local reclama do uso eleitoreiro e afirma que a solução seria uma Parceria Público Privada. “São 125 donos”, lembra Rosane Nely de Lima.

A administradora conta que o condomínio cobra na Justiça R$ 800 mil em dívidas dos proprietários e o montante poderia ser utilizado na reforma do prédio. “Aqui não tem problema nenhum de segurança. Mas um problema social”, diz.

Segundo Rosane, o trabalho social das igrejas no entorno atraem a população de rua, com distribuição de roupas e comidas. O centro comercial tem 230 lojas, sendo 50 abertas. Os serviços incluem salão de beleza, lanchonetes, lojas de roupas, escritório e comitê político de candidato.

A reportagem não conseguiu contato com a Associação dos Lojistas. A prefeitura tem 6,6 mil dos 25 mil metros quadrados do local. O Terminal Rodoviário Heitor Laburu, a antiga rodoviária, funcionou por 37 anos.

Escadas foram bloqueadas e não levam a lugar nenhum(Foto: Fernando Antunes)Escadas foram bloqueadas e não levam a lugar nenhum(Foto: Fernando Antunes)



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