Com mais de 100 assinaturas, moradores pedem semáforo em rotatória "complicada"
Relatos de acidentes e congestionamentos motivam ação na Toros Puxian com a Rua Spipe Calarge

Moradores e comerciantes da região da Vila Morumbi se mobilizam para pedir a instalação de um semáforo no cruzamento da Rua Spipe Calarge com a Avenida Toros Puxian, em Campo Grande. A reivindicação foi formalizada por meio de um abaixo-assinado deixado no balcão de um mercado da região nesta segunda-feira. Até a tarde de hoje (9), a lista já reunia 118 assinaturas.
RESUMO
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Moradores e comerciantes da Vila Morumbi, em Campo Grande, coletam assinaturas em abaixo-assinado para pedir a instalação de semáforo na rotatória da Rua Spipe Calarge com a Avenida Toros Puxian. Até segunda-feira (9), a lista reunia 118 assinaturas. O cruzamento é apontado como perigoso devido a acidentes frequentes e congestionamentos nos horários de pico. A Agetran não respondeu até o fechamento da reportagem.
O documento pede a avaliação da viabilidade de implantação de sinalização semafórica no trecho, considerado problemático por quem passa diariamente pelo local. No texto, os moradores afirmam que a medida busca “otimizar o fluxo de veículos” nas vias e dar mais segurança a motoristas e pedestres.
Segundo a gerente do mercado, Elaine Cristina Meneses de Moraes, de 49 anos, a adesão tem sido rápida. Ela conta que clientes e pessoas que passam pelo estabelecimento assinam sem resistência. “Quando a gente apresenta a lista, ninguém questiona. Todo mundo topa assinar na hora. Alguns até brincam que querem assinar mais de uma vez”, relatou.

Elaine afirma que o abaixo-assinado surgiu por causa da quantidade de acidentes, freadas bruscas e situações de risco na rotatória. “Acontecem muitos acidentes aqui, muita freada, o dia inteiro. Com frequência, clientes vêm aqui pedir imagens das câmeras por causa de batida, carro arranhado e outras situações no trânsito”, disse.
De acordo com ela, o maior problema está na falta de respeito à rotatória. “O pessoal não respeita. É buzina, freada, caminhão quase atropelando carro menor. Caminhão é grande, entra, e quem está de carro menor precisa sair da frente ou parar”, afirmou.
A gerente também relata dificuldade diária para atravessar o trecho no horário de pico. “Eu mesma busco minha filha na escola às 18h20 e saio daqui às 18h. Tem dia que fico 10, 15 minutos parada esperando o fluxo diminuir para conseguir passar. Depois que passa esse trecho, vai embora tranquilo, mas aqui é muito perigoso”, contou.
Elaine trabalha como gerente no local há oito meses e afirma já ter visto vários acidentes. Segundo ela, na manhã de ontem, uma mulher foi atropelada, o que interrompeu o trânsito na região. “A polícia e o Corpo de Bombeiros vieram”, disse relembrando que já houve caso de caminhão tombado no trecho.

A iniciativa do abaixo-assinado partiu da professora Susana Hiran Glória, de 60 anos, moradora da Vila Morumbi há seis anos. Ela chama a mobilização de “ação popular” e afirma que a proposta nasceu da dificuldade enfrentada por quem precisa atravessar a Avenida Toros Puxian pela Rua Spipe Calarge.
“A ideia de elaborar esse abaixo-assinado nasceu da necessidade de otimizar o fluxo de veículos que utilizam ambas as vias para se dirigirem à região central da cidade, de maneira que os condutores que trafegam pela Spipe Calarge consigam atravessar a Avenida Toros Puxian sem o risco de colisão, atropelamento, entre outras situações”, afirmou.
Susana diz que os problemas são diários. “Todos os dias naquele cruzamento ocorrem incidentes e acidentes, pois os condutores que vêm pela Avenida Toros Puxian desenvolvem alta velocidade e não diminuem quando chegam no cruzamento das vias, onde hoje existe uma rotatória”, relatou.
Ainda segundo a moradora, a dificuldade de acesso afeta não apenas a Rua Spipe Calarge, mas também vias secundárias da região, principalmente nos horários de rush. “É quase impossível entrar na Avenida Toros Puxian quando se está na Spipe Calarge, em ambos os sentidos, bairro-centro e centro-bairro”, disse.

Para Susana, o abaixo-assinado é uma forma de pressionar o poder público a olhar para o problema. “É a forma que encontramos de dar ciência e sensibilizar as autoridades responsáveis pelo trânsito para a dificuldade que enfrentamos todos os dias para irmos ao trabalho, escola, faculdade, academia, tratamentos médicos e outras atividades do dia a dia. São horas de atraso que precisam ser amenizadas”, afirmou.
Semáforo é visto como saída para desafogar a região - A professora Lucília Defanti, de 38 anos, mora no Rita Vieira há 10 anos e passa pelo local todos os dias. Ela afirma que o período da manhã é o mais crítico.
“De manhã é o pior horário de todos. A gente precisa sair muito cedo, bem antes do horário de pico. Para não pegar trânsito aqui, tem que sair por volta das 6h”, contou.
Segundo Lucília, o congestionamento se forma antes mesmo da rotatória. “O congestionamento já começa lá da praça, perto do mercado, e se estende até a Spipe. É muita buzina, muita agitação, e isso pode ocasionar acidentes, porque fica todo mundo aglomerado, com horário para chegar ao trabalho. É bem tenso”, relatou.
Embora diga que ainda não presenciou acidente no local, ela afirma que o tumulto é constante. “Acidente, propriamente, eu ainda não presenciei, mas o tumulto é constante, todos os dias”, disse.
Lucília defende a instalação de semáforo e compara a situação com outra rotatória da Capital. “Acho que o semáforo seria ideal, porque foi justamente o que fizeram na rotatória da Coca-Cola, onde também existia esse problema. Lá deu uma resolvida e ficou mais tranquilo”, afirmou.

Vinicius Paes, de 28 anos, dono de uma barbearia há sete meses na região, também aponta a rotatória como o principal gargalo. “O principal problema é na rotatória, especialmente para quem vem da Avenida Touros Puxian, no sentido Coca-Cola. É ali que acontecem alguns acidentes e onde o trânsito fica mais complicado”, disse.
Segundo ele, os horários de maior dificuldade são por volta das 7h e das 17h. “Acredito que a instalação de um semáforo seria o ideal, até para o fluxo de veículos rodar melhor. O abaixo-assinado pode ajudar a melhorar o trânsito na região, porque aqui fica congestionado e acaba afetando quem vem dos bairros para cá”, afirmou.
O abaixo-assinado segue disponível no balcão do mercado para moradores, comerciantes e motoristas que passam pela região.
A reportagem solicitou posicionamento da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), sobre a possibilidade de implantação de semáforo na rotatória. Também questionou se há estudo técnico em andamento, previsão de envio de equipes ao local nos horários de pico e registros de acidentes no cruzamento. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Carreta tombada - No dia 12 de novembro do ano passado, um caminhão Mercedes-Benz tombou na rotatória da Rua Spipe Calarge, no cruzamento com a Avenida Toros Puxian. O acidente ocorreu por volta das 16h e deixou entulhos espalhados pela pista, dificultando a passagem de veículos e provocando lentidão no trânsito.
Na época, um colega de trabalho do motorista informou que ele seguia pela Avenida Toros Puxian quando um dos pneus do caminhão estourou, fazendo com que perdesse o controle da direção e tombasse. O condutor, que não teve o nome divulgado, sofreu escoriações no rosto e nos braços. Ele foi socorrido por amigos da empresa e levado para uma unidade de saúde da cidade.
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