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Capital

Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto e recebido com cartaz

Profissional deixou a Deam após 11 dias preso e defesa alega que ele é inocente

Por Anahi Zurutuza e Clara Farias | 24/07/2026 17:15
Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto e recebido com cartaz
Vítima no Hospital Regional, três dias antes do estupro que ela denunciou (Foto: Direto das Ruas/Arquivo)

O técnico de enfermagem de 52 anos investigado por suspeita de estupro contra uma paciente internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) foi solto às 16h40 desta sexta-feira (24), em Campo Grande.

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Técnico de enfermagem de 52 anos investigado por suspeita de estupro contra paciente internada na UTI do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul foi solto nesta sexta-feira (24), após 11 dias preso na Delegacia da Mulher em Campo Grande. A defesa afirma que não há indícios de autoria e que o profissional não estava escalado para o leito da vítima no horário do suposto abuso. O inquérito segue aberto.

Ele estava preso na Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) desde 13 de julho. Na saída, foi recebido por familiares, que o aguardavam diante da delegacia com uma faixa com a frase: “Herói não é aquele que vence as batalhas, mas aquele que nunca desiste da vitória”.

O profissional deixou o local acompanhado pelos parentes, mas nem ele nem os familiares falaram com a imprensa.

Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto e recebido com cartaz
Técnico de enfermagem deixando a Deam, nesta tarde (Foto: Maya Severino)

Segundo o advogado Matheus Morandi, a prisão temporária foi decretada durante o plantão judiciário com o objetivo de preservar as investigações. A defesa afirma que, com o avanço das diligências, não foram encontrados elementos suficientes para manter o técnico preso. “Com o andamento do inquérito, passou a ficar claro que não há indícios de autoria e materialidade para o cometimento do delito e que boa parte da investigação já foi concluída. Por isso, na quarta-feira, ingressei com o pedido de relaxamento da prisão temporária”, declarou.

Morandi disse que o técnico prestou depoimento à Polícia Civil nesta quinta-feira (23) e que, depois disso, a própria delegada responsável pela investigação também teria solicitado a soltura. “A soltura ocorreu em razão do andamento natural do processo, algo que a defesa já esperava. Tudo indica que, se as investigações continuarem seguindo esse caminho, ficará comprovada a inocência desse técnico de enfermagem, que está sendo injustamente acusado dessa barbaridade, ainda na fase de inquérito policial”, afirmou.

O advogado ressaltou que o inquérito continua aberto, mas disse acreditar que a apuração será concluída sem o indiciamento do profissional. “Em razão da imparcialidade das investigações e do conjunto probatório que está sendo produzido, a defesa está convicta de que a inocência dele será reconhecida ainda na fase policial”, declarou.

Defesa contesta horário – Morandi afirmou que representa o técnico e a família dele há algum tempo. Segundo o advogado, o profissional entrou em contato por telefone no domingo, relatou o caso e compareceu ao escritório na manhã seguinte. “Desde o primeiro momento, sustentou sua inocência. Fomos surpreendidos com a decretação de sua prisão na tarde daquele mesmo dia, mas ele mantém a coerência em seu relato”, afirmou.

A principal alegação da defesa é que o técnico não estaria na UTI no horário em que o suposto abuso teria ocorrido. “Sua defesa baseia-se no fato de que, segundo o horário narrado nos autos, ele não estava presente na unidade de terapia intensiva”, disse Morandi.

O advogado também argumenta que a estrutura de uma UTI, com circulação e vigilância constantes de diferentes profissionais, dificultaria uma atuação isolada sem que outras pessoas percebessem. “A dinâmica de uma UTI impede que um profissional atue de forma isolada, visto que a estrutura do setor visa à supervisão constante de todos os pacientes por uma equipe multiprofissional”, declarou.

Ele ainda criticou o julgamento público do técnico antes da conclusão da investigação e afirmou que a presunção de inocência precisa ser respeitada.

Técnico de enfermagem suspeito de estupro em UTI é solto e recebido com cartaz
Cartaz levado pelos familiares do profissional para a frente da delegacia (Foto: Clara Farias)

Relação com a paciente – Conforme a defesa, o profissional não mantinha relação pessoal ou amizade com a paciente. O técnico conhecia apenas uma tia da jovem, devido a atividades políticas e sindicais.

Segundo Morandi, a mulher encontrou o profissional no hospital e pediu que ele acompanhasse o estado de saúde da sobrinha. O advogado sustenta que o técnico buscou informações com as profissionais responsáveis pelo atendimento, mas não estava escalado para cuidar daquele leito. “Ronaldo não se aproximou da paciente de forma invasiva. Ele buscou informações junto às colegas responsáveis pelo atendimento. É importante pontuar que o profissional sequer estava escalado para o leito da referida paciente”, disse.

A defesa também levanta a hipótese de que o quadro clínico e os medicamentos utilizados durante a internação possam ter afetado a percepção da paciente. Essa versão ainda depende da análise de prontuários, depoimentos e dos demais elementos reunidos no inquérito. “Tratava-se de uma pessoa recém-extubada, sob efeito de medicações potentes, as quais possuem o potencial de alterar o raciocínio e o estado de consciência. Diante disso, é prematuro estabelecer conclusões definitivas sobre o ocorrido”, declarou Morandi.

Denúncia – A paciente, de 27 anos, estava internada desde 15 de junho por complicações relacionadas à gravidez e ao pós-parto. Ela deu à luz em 30 de junho e foi encaminhada à UTI após sofrer uma hemorragia.

Segundo o boletim de ocorrência, o suposto abuso teria ocorrido durante um plantão noturno. A jovem relatou que estava sonolenta e despertou durante a suposta violência, quando teria reconhecido o técnico.

Depois, ela contou o episódio a uma profissional da equipe, que comunicou o caso à enfermeira responsável e à psicóloga do setor. A família procurou a polícia e registrou a ocorrência.

O técnico foi preso em casa, no Bairro Manoel Taveira, três dias depois de a denúncia chegar à Polícia Civil.