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Capital

Com MS e PR somando 75% dos casos, apreensões de drogas disparam na pandemia

O número real de apreensões é ainda maior. Nas rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul, já foram recolhidas 94 toneladas

Por Geisy Garnes | 28/07/2020 16:49
Fardos de maconha em caminhão apreendido no mês passado por policiais rodoviários federais em Dourados (Foto: Adilson Domingos)
Fardos de maconha em caminhão apreendido no mês passado por policiais rodoviários federais em Dourados (Foto: Adilson Domingos)

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) registrou um grande aumento na quantidade de drogas apreendidas nas estradas federais brasileiras nos primeiros sete meses de 2020. Em meio a pandemia do novo coronavírus, a apreensão de maconha neste semestre do ano mais que dobou e registrou alta de 128% em relação a 2019. Junto com o Paraná, Mato Grosso do Sul corresponde a 75% de mais de 316 toneladas da droga retirada das ruas em todo o país.

Os dados foram divulgados pela Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira (27). A nível nacional, foram apreendidas 316,2 toneladas de maconha nas rodovias federais e 14,6 toneladas de cocaína – um alta de 56% em relação a 2019.

Enquanto a cocaína chega preferencialmente ao Brasil por via aérea e fluvial, a maconha entra por via terrestre. Mato Grosso do Sul e Paraná, estados que fazem fronteira seca com o Paraguai, se tornam então porta de entrada da droga para o resto do país.

O último balanço da Polícia Rodoviária Federal de Mato Grosso do Sul aponta recorde histórico de apreensão, com um total que ultrapassa 216 toneladas de drogas retiradas das rodovias federais do Estado de janeiro até 24 de julho, valor 227% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

No entanto, o número real de apreensões nessa região é ainda maior. Nas rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul, por exemplo, a Polícia Militar Rodoviária já apreendeu mais de 94 toneladas de drogas nesses sete primeiros meses de 2020. O valor é maior que todo o entorpecente recolhido no ano passado inteiro. Em 2019 foram 89,5 toneladas apreendidas.

Ao jornal paulista, a PRF atribui o aumento a eficácia das ações de combate ao tráfico e investimento em tecnologias e serviços de inteligência. Especialistas e outras autoridades de segurança, no entanto, afirmaram que a maior quantidade de drogas circulando no país é resultado da hiper-safra de maconha no Paraguai e também da alta demanda durante o período de confinamento por causa da Covid-19.

“Houve uma grande apreensão [de drogas], mas, em períodos em que há uma grande apreensão, há também uma grande passagem”, relatou Luiz Fábio Paiva, professor da UFC (Universidade Federal do Ceará) e pesquisador do Laboratório de Estudo da Violência. Esse aumento, dizem, é consequência de grandes safras no país vizinho, favorecidas pelo clima e pelo aumento das áreas de plantio.

Outro ponto importante a ser levado em consideração, é o aumento da demanda diante do isolamento social provocado pelo coronavírus. Conforme o professor de relações internacionais da USP (Universidade de São Paulo) Leandro Piquet Carneiro, especialista em crime organizado, não apenas o Brasil, mas também em outros países do mundo, houve um consumo maior de drogas durante a pandemia.

“Especialistas na área de saúde alertam que têm aumentado realmente. As pessoas estão usando como medicamente, para aliviar o estresse desse período, assim como o álcool, então a maconha a gente sabe que está num processo de aumento”, afirmou em entrevista à Folha.