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Capital

Com volta de aeronaves, desfile leva ao menos 10 mil pessoas ao Centro da Capita

Famílias e estudantes celebraram a Independência e negaram polaridade política: "Pelo patriotismo"

Por Guilherme Cavalcante, Sofia Lupaes e Fernanda Palheta | 07/09/2026 12:23

Entre bandeiras nacionais, camisas da Seleção Brasileira e cobertores para enfrentar o frio, de 10 mil a 12 mil pessoas acompanharam o desfile de 7 de Setembro no Centro de Campo Grande nesta segunda-feira (7), segundo estimativa da organização. A celebração marcou o retorno das aeronaves após dois anos sem esse tipo de participação.

RESUMO

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Cerca de 10 mil a 12 mil pessoas acompanharam o desfile de 7 de Setembro no Centro de Campo Grande, que marcou o retorno de aeronaves à programação após dois anos, com dois helicópteros do Exército e dois aviões da Força Aérea. Famílias foram ao evento para celebrar a Independência, enquanto escolas e entidades civis desfilaram. O Grito dos Excluídos reuniu cerca de 150 manifestantes com pautas sociais.

Dois helicópteros do Exército e dois aviões da Força Aérea integraram a programação. Os helicópteros Esquilo e Pantera passaram durante o desfile da tropa do Exército. Já os dois Super Tucanos sobrevoaram o local durante a participação da Força Aérea.

Na plateia, famílias foram à celebração para manter tradições e explicar às crianças o significado da Independência. Vestindo verde e amarelo, o protético Luis Fernando Dias Cavalheiro, 27 anos, fez questão de distinguir sua motivação da disputa política: “Não tem nada a ver com direita ou esquerda, é pelo patriotismo”.

Ao lado da esposa, Ketlen, e dos filhos Ana Isabela, 9 anos, e Benjamin, 6, Luis acompanhou as apresentações com a família usando camisas da Seleção Brasileira e segurando a bandeira do Brasil. Segundo ele, os símbolos nacionais faziam parte da mensagem que queria transmitir às crianças.

Com volta de aeronaves, desfile leva ao menos 10 mil pessoas ao Centro da Capita
Luis Fernando levou a família ao desfile. "Foi pelo patriotismo" (Foto: Fernanda Palheta)

“Queremos mostrar aos filhos a importância da Independência do Brasil, amor à nossa pátria”, explicou. Para o caçula, a presença dos militares tinha um significado especial. “Meu filho também gosta do Exército, quer ser soldado”, contou o pai.

A servidora pública Dalila Bonfim também foi ao desfile com o marido e os dois filhos. Na família, acompanhar a programação já é uma tradição.

“Vai de cada um. A gente mesmo só veio pelo patriotismo e para incentivar as crianças ao respeito, à disciplina. Sempre viemos com eles”, afirmou.

Casacos e cobertores

O frio exigiu preparação dos espectadores. Além dos agasalhos, houve quem levasse cobertores. O movimento começou mais tímido e aumentou com o avanço da programação, com famílias nas arquibancadas e nos espaços ao longo do percurso.

A abertura ocorreu às 8h45, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua 13 de Maio. Foram hasteadas as bandeiras do Brasil, de Mato Grosso do Sul e de Campo Grande, com acendimento da pira e canto do Hino da Independência.

Às 9h, entidades civis e escolas começaram a desfilar pela Rua 13 de Maio. A programação previa cerca de mil militares e 34 viaturas.

Orgulho da escola e nervosismo na estreia

Para as estudantes que participaram, o desfile reuniu orgulho de representar a escola e ansiedade diante do público. Ana Julia Lopes Neves, 16 anos, já havia desfilado em outras ocasiões e, desta vez, levou a bandeira de Mato Grosso do Sul na Guarda-Bandeira.

“Eu acho isso muito incrível, porque eu me sinto representando muito a minha escola e tenho muito orgulho disso”, contou.

Aluna do primeiro ano da Escola Cívico-Militar Professor Tito, Júlia Beatriz Macedo, 15 anos, também já conhecia a experiência. Na instituição desde 2023, ela destacou o incentivo recebido dos espectadores.

Com volta de aeronaves, desfile leva ao menos 10 mil pessoas ao Centro da Capita
Ana Julia, Julia Beatriz e Kawanny relataram orgulho de desfilar no 7 de Setembro (Foto: Sofia Lupaes)

“É bom, é legal ver as pessoas falando com a gente, dando palmas. Eu tenho muito orgulho da escola em que eu estudo e gosto de estudar lá”, afirmou.

Para Kawanny Ribeiro de Souza, 15 anos, foi o primeiro desfile pela Escola Tito. Antes de entrar no percurso, a preocupação era conseguir cumprir o que havia sido preparado.

“No começo eu fiquei nervosa porque a gente sempre pensa que não vai dar certo. Só que a gente percebe que, no final, dá tudo certo”, relatou.

Durante a apresentação, a estudante seguiu os comandos do capitão até o fim do trajeto. Para ela, a presença dos alunos também era uma oportunidade de mostrar ao público o papel dos jovens na construção do País.

“Eu acho que é muito importante que as pessoas venham e vejam o que é realmente, não só uma escola, mas sim o futuro de um Brasil”, disse.

Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos levou cerca de 150 manifestantes ao percurso após a passagem da Polícia Civil. Embora não integrasse a programação oficial do desfile cívico, o grupo entrou na via sem dificuldade, enquanto o público ainda acompanhava as apresentações.

A mobilização reuniu representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores), sindicatos, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e políticos ligados às pautas defendidas pelos movimentos.

Entre as reivindicações estavam o fim da escala de trabalho 6x1 e o enfrentamento da violência contra as mulheres. Os manifestantes chamaram atenção para os casos de feminicídio em Mato Grosso do Sul.