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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

17/12/2017 14:13

Comerciantes apelam para as grades contra público das conveniências

Locais que vendem bebidas são alvos de denúncias constantes por badernas causadas por seus frequentadores

Bruna Kaspary
Comércio na avenida Ceará agora tem grades para proteger até fachadas.Comércio na avenida Ceará agora tem grades para proteger até fachadas.

Funcionando até tarde da madrugada, as conveniências têm sido um transtorno para moradores e comércio nos arredores já há muitos anos. As noites mal dormidas, devido o som alto e o trabalho de ter que limpar calçadas todos os dias por conta das garrafas deixadas pelos frequentadores, estão entre os principais problemas dos vizinhos.

Na avenida Ceará, alguns comerciantes tiveram que aderir às grades na frente de suas lojas para afastar os baderneiros. "Todo mundo teve que colocar grade aqui, porque senão vira motel ou banheiro", explica o proprietário de uma oficina mecânica, Wilson Finger, de 60 anos.

"Eu morava aqui em cima da firma, uma noite eu escutava gemidos e desci para ver. Tinha um casal fazendo sexo aqui na frente. Pedi que saíssem, eles vestiram a roupa e entraram no carro, quando de repente o cara pegou a arma e deu três tiros na direção da minha porta", lembra Finger.

Dentre os inconvenientes  enfrentados pelo proprietário da oficina, estão os de fazerem a garagem do estabelecimento de quarto ou de banheiro. Segundo ele, antes da instalação das grades, era comum encontrar jovens dormindo na frente do portão da loja e marcas de urina pelas paredes.

Hoje o funcionário de Finger, Leonardo Cathcart, de 47 anos, mora no apartamento em cima da empresa, e afirma que os transtornos continuam constantes. "Tem uma pessoa que pelo menos duas vezes na semana vem aqui, com o som alto. Esse som deve custar mais que o carro dele. As grades tremem só com o som do carro".

Na esquina da avenida Ceará com a rua Euclides da Cunha está outra conveniência bastante frequentada por jovens e que também tem causado transtornos para os vizinhos. "Na quinta começa a bagunça, com gente dormindo aqui na frente", afirma a funcionária de uma lanchonete próxima ao estabelecimento, que pediu para não ser identificada.

Garrafas ficam jogadas nas calçadas proveniente das conveniências (Foto: Paulo Francis)Garrafas ficam jogadas nas calçadas proveniente das conveniências (Foto: Paulo Francis)
Garrafa de cerveja deixada por frequentadores de conveniência (Foto: Paulo Francis)Garrafa de cerveja deixada por frequentadores de conveniência (Foto: Paulo Francis)

De acordo com ela, o incômodo é principalmente com o cheiro de urina. "O pior é que não tem nada para fazer, porque é tudo vidro aqui na frente, não dá nem para colocar grade".

Outro vizinho da conveniência, dono de uma garagem de venda de automóveis, concorda que os frequentadores da conveniência são um tanto exagerados depois do uso de bebidas alcoólicas. "Um dia cheguei aqui mais cedo e tinha um cara urinando pra dentro do pátio. Reclamei com ele, e ele me pediu desculpa, mas continuou urinando", reclama Sandro César de Oliveira Prado, de 55 anos.

Apesar dos transtornos que ele ainda passa, entre eles derrubada das grades que cercam o estabelecimento por cima dos carros que estão à exposição, Prado afirma que a "baderna" diminuiu bastante. "Eles enfrentam muitos processos dos vizinhos já, então eles mesmos resolveram fechar mais cedo, mas mesmo assim o pessoal vai ali no mercado, compra bebida e volta para cá".

O advogado Elpídio Belmondes lembra que já teve muito transtorno há alguns anos atrás com uma conveniência que tem na esquina de sua casa, na travessa Itaim. "eles faziam muito barulho, paravam na frente da garagem, e viravam a noite na baderna, ninguém conseguia dormir".

"Um dia eu não aguentei, levantei de madrugada e enlouqueci. Foi a maior confusão, gritava com todo mundo, e o dono do bar não reclamava, porque sabia que eu estava certo, já tinha reclamado inúmeras vezes com ele dessa bagunça toda", explica o advogado.

Ele ainda lembra que, depois desse episódio, há cerca de cinco anos, não teve mais problema com os frequentadores do estabelecimento, muito menos com proprietário. "Depois disso a gente virou amigo, a ponto dele frequentar a minha casa".



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