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Campo Grande, Terça-feira, 21 de Maio de 2019

26/04/2019 10:47

Constrangimento e intimidação: MP quer fim de protestos em júri de PRF

Promotoria também pede que imagens de vítimas em festa não entrem no processo

Aline dos Santos
Com camisetas azuis, colegas de policial usaram frase Força Moon. (Foto: Marina Pacheco)Com camisetas azuis, colegas de policial usaram frase Força Moon. (Foto: Marina Pacheco)

Remarcado para 30 de maio, o julgamento do policial rodoviário federal Ricardo Moon tem pedido do MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para que a manifestação de colegas, que foram ao primeiro julgamento com camisetas estampando a frase “Força Moon”, e amigos, que usaram camiseta com a frase “Eterno Adriano Correia”, fique do lado de fora do plenário, onde acontece o júri popular.

A promotora Lívia Carla Guadanhim Bariani pediu ao juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Carlos Alberto Garcete, que não seja autorizada a entrada, no plenário, de agentes rodoviários uniformizados e parentes da vítima com camisetas enaltecendo protestos.

No dia 11 de abril, o julgamento aconteceu no período da manhã, com depoimentos de duas vítimas e do réu. Contudo, um dos sete jurados teve crise de hipertensão e o julgamento foi cancelado.

Conforme o pedido, a manifestação no plenário pode influenciar o ânimo de todos os presentes, bem como a decisão dos jurados.

"Assim, a realização da sessão plenária, livre de quaisquer manifestações ou representações mesmo que pacíficas -in locco -, evita constrangimentos, intimidações e eventuais interrupções do julgamento, bem como permite às partes exporem seus posicionamentos a fim de que ocorra a decisão de forma justa”, afirma a promotora no pedido.

O Ministério Público também se manifestou para que não seja acolhida no processo uma mídia apresentada pela defesa. Segundo o processo, o vídeo exibe as vítimas numa festa, mas sem data e horário. As imagens não tinham passado por perícia.

 

Amiga foi a julgamento com camiseta que mostrava foto  e nome de Adriano. (Foto: Marina Pacheco)Amiga foi a julgamento com camiseta que mostrava foto e nome de Adriano. (Foto: Marina Pacheco)

Força - No primeiro julgamento, cerca de 70 policiais entre rodoviários federais, militares, civis e guardas municipais foram ao Tribunal do Júri. O SINPRF (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul) deu apoio logístico para o café da manhã, realizado na calçada do Fórum, e camisetas.

Ricardo Moon será julgado pela morte do empresário Adriano Correia Nascimento (motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima) e tentativas de homicídio contra Agnaldo Espinosa da Silva (que sofreu fratura ao pular da caminhonete) e Vinícius Cauã Ortiz Simões (baleado nas pernas).

De acordo com a promotoria, no dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40, na avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, em Campo Grande, o acusado matou Adriano e tentou matar as outras duas vítimas. O policial conduzia um veículo Mitsubishi Pajero, enquanto Adriano estava em uma caminhonete Toyota Hilux.

Prévia – No julgamento de 11 de abril, o advogado Renê Siufi, que atua na defesa do policial, centrou o questionamento no consumo de bebida alcoólica das três vítimas, incluindo Vinícius, que na época tinha 16 anos e relatou ingestão de cerveja e vodka, além de perguntar se os amigos sabiam que Adriano consumia droga, agredia funcionária, caluniou pessoa, furtou energia elétrica e tinha medida restritiva.

Já a acusação questionou a todo tempo o posicionamento do policial na hora dos disparos. A perícia aponta que o atirador estava no vértice esquerdo do veículo, portanto, não na frente da caminhonete. Ricardo Moon conta que pulou para a lateral com intuito de salvar sua vida, em legítima defesa.

Ricardo Moon durante julgamento de 11 de abril, quer foi cancelado. (Foto: Marina Pacheco)Ricardo Moon durante julgamento de 11 de abril, quer foi cancelado. (Foto: Marina Pacheco)


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