Setor financeiro é principal alvo dentro da Santa Casa em manhã de operação
A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou fraudes e desvios de dinheiro em contratos
O setor financeiro da Santa Casa de Campo Grande é o principal alvo da operação Antidotum, que foi deflagrada nesta sexta-feira (dia 11) para investigar suspeita de desvios de R$ 4,9 milhões.
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A informação extraoficial é que todos os funcionários foram retirados para o trabalho das equipes do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
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Em declaração à imprensa, o diretor de Finanças do hospital, Marcos Alceu da Silva Villalba, disse que as atividades transcorrem normalmente. “O hospital continua. Por enquanto, não houve comprometimento de ordem de pagamento”.
A investigação, conduzida pelo Gecoc, identificou fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), que administra o hospital, para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços.
O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.
No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.
A apuração apontou que, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo de, no mínimo, R$ 3,5 milhões.
Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.
O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações. A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados, da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil). Nome da operação, Antidotum é antídoto em latim.
Nota oficial - A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informou que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação realizada nesta sexta-feira, colocando-se à disposição para fornecer as informações e os esclarecimentos que forem formalmente solicitados.
"A instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar de forma adequada sobre os fatos. A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes", diz a nota oficial encaminhada à imprensa.
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