Correios entram em greve e entregas podem atrasar em MS a partir de hoje
Estado tem 1,2 mil funcionários; adesão é facultativa e tende a aumentar durante a mobilização, diz sindicato

Trabalhadores dos Correios em Mato Grosso do Sul iniciaram, às 22h desta quinta-feira (10), uma greve por tempo indeterminado. O Estado possui cerca de 1,2 mil funcionários da estatal, mas a adesão individual à paralisação é facultativa. Segundo o sindicato da categoria, a distribuição de encomendas e correspondências deverá ser o serviço mais prejudicado.
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Trabalhadores dos Correios em Mato Grosso do Sul iniciaram greve por tempo indeterminado na noite desta quinta-feira (10). O Estado conta com cerca de 1,2 mil funcionários da estatal, e a distribuição de encomendas e correspondências deve ser o serviço mais afetado. A paralisação ocorre em âmbito nacional, com todas as 35 assembleias realizadas aprovando o movimento. A principal reivindicação é a manutenção do plano de saúde CorreiosSaúde e a reposição da inflação.
O movimento foi aprovado em assembleia realizada às 18h de quinta-feira. Na manhã desta sexta-feira (11), trabalhadores fizeram um piquete em frente a uma unidade da empresa em Campo Grande, enquanto mobilizações também foram registradas no interior do Estado.
Ao Campo Grande News, o presidente do Sintect-MS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de Mato Grosso do Sul), Wilton dos Santos Lopes, explicou que nenhuma agência estava completamente fechada até o momento, mas que o atendimento poderia ser afetado.
“Dependendo da agência, ela pode estar aberta, mas o atendimento e as entregas estarão prejudicados. Por enquanto, nenhuma agência está 100% fechada”, afirmou o sindicalista.
O dirigente explicou que a distribuição deverá concentrar os principais efeitos da paralisação, mas que o impacto dependerá do número de trabalhadores que aderirem ao movimento nos próximos dias. “A distribuição ficará mais prejudicada e dependerá da adesão dos trabalhadores, que pode aumentar”, disse.
A greve abrange entregadores, funcionários das unidades de atendimento, trabalhadores dos centros de triagem e servidores da área administrativa. Apesar de aprovada pela categoria, a participação não é obrigatória.
Segundo Wilton, há paralisações em vários municípios de Mato Grosso do Sul, e a expectativa do sindicato é de crescimento da adesão. Uma nova mobilização está prevista para a manhã de segunda-feira (14), em frente ao complexo dos Correios na Rua Barão do Rio Branco, em Campo Grande.
“Pedimos paciência à população, porque queremos apenas garantir nossa dignidade e, inclusive, ter condições de atender melhor as pessoas”, pediu Wilton.
Plano de saúde — O principal ponto do impasse é o CorreiosSaúde, plano administrado pela Postal Saúde. Atualmente, segundo o sindicato, os trabalhadores pagam parte do custeio, enquanto os Correios atuam como mantenedores e também contribuem para o serviço.
A categoria afirma que a empresa pretende deixar a condição de mantenedora e passar a figurar como patrocinadora. Na avaliação do sindicato, a alteração reduziria as responsabilidades da estatal e poderia elevar a parcela paga pelos funcionários.
“Hoje, tenho trabalhador pagando em torno de R$ 1,2 mil pelo plano de saúde. O trabalhador da base dos Correios recebe, em média, R$ 2,5 mil. Quem vai conseguir pagar ainda mais?”, questionou Wilton.
O dirigente também afirmou que a categoria reivindica a reposição da inflação e a manutenção de direitos previstos há décadas nos acordos coletivos. Segundo ele, as negociações com a direção dos Correios terminaram sem avanço.
“A gente se coloca à disposição para continuar a negociação. Não queremos nada além daquilo que já temos: a manutenção dos nossos direitos e, no mínimo, a reposição da inflação”, disse o presidente do Sintect-MS.
O movimento ocorre em âmbito nacional. Segundo a Findect (Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios), todas as 35 assembleias realizadas até quinta-feira aprovaram a greve. No Acre, a deliberação estava prevista para esta sexta-feira.
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