De caramelo, pitbull e amputados, CCZ já doou 91 cães este ano
De janeiro a junho, o Centro de Controle de Zoonoses entregou 164 animais a novos lares

O CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de Campo Grande encaminhou 164 animais para adoção no primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, 91 cães e 73 gatos, entre filhotes e adultos, ganharam um novo lar após serem resgatados das ruas ou recolhidos em situação de abandono. Entre os adotados estavam animais com necessidades especiais, como cães amputados, além de pitbulls, que só são disponibilizados após avaliação comportamental.
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Segundo a chefe do Serviço de Controle da Raiva e Outras Zoonoses da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Maria Aparecida Conche Cunha, todos os animais disponíveis para adoção são divulgados nas redes sociais do CCZ. No caso dos pitbulls, a equipe faz uma avaliação mais criteriosa e orienta detalhadamente os interessados antes da adoção.
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Ela explica que, como a maioria desses cães é recolhida solta nas ruas, não há informações sobre seu histórico de convivência com crianças, idosos ou outros animais. Por isso, a equipe procura identificar o perfil mais adequado para cada adoção. "Conversamos bastante com quem demonstra interesse em adotar um pitbull para explicar os riscos e as responsabilidades. Em geral, orientamos que o tutor não tenha crianças pequenas, idosos ou outros animais em casa, justamente porque desconhecemos o histórico daquele cão", afirma.
De acordo com Maria Aparecida, todos os animais recolhidos são encontrados soltos em vias públicas. No caso dos pitbulls, muitas vezes o recolhimento ocorre porque a simples presença do animal gera medo na população, independentemente de ele apresentar comportamento agressivo.
Após o recolhimento, o animal permanece no CCZ por, no mínimo, três dias úteis, prazo previsto em lei para que o tutor possa resgatá-lo. Caso isso não aconteça, ele passa por avaliação comportamental. Somente cães considerados dóceis e aptos para convivência familiar são disponibilizados para adoção. Já aqueles que apresentam agressividade extrema e representam risco para pessoas e até para os servidores que realizam o manejo não são encaminhados para novos lares.
Segundo a chefe do serviço, quando o animal possui histórico de agressão e permanece extremamente agressivo durante o período de observação, a legislação prevê a eutanásia como medida de proteção à saúde pública.
Nesta segunda-feira (29), o Centro de Controle de Zoonoses não tinha cães nem gatos disponíveis para adoção. Os poucos animais abrigados estavam em observação obrigatória após episódios de agressão, período necessário para o monitoramento da raiva.
Maria Aparecida destaca que, atualmente, a maior parte das campanhas de adoção é realizada pela Subea (Superintendência do Bem-Estar Animal). O CCZ atua principalmente em casos de animais recolhidos nas ruas, vítimas de atropelamentos ou abandonados.
Entre os bichos encaminhados para adoção estão os chamados casos especiais, como cães resgatados após acidentes que precisaram passar por amputações. Segundo Maria Aparecida, eles costumam encontrar mais dificuldade para conseguir um novo lar devido ao preconceito, apesar de se adaptarem rapidamente à nova condição e levarem uma vida normal.
"O preconceito também existe com os animais. Muitas pessoas têm receio de adotar um cachorro amputado, mas eles se adaptam muito bem e levam uma vida normal. Por isso, fazemos questão de divulgar esses casos especiais e incentivar a adoção responsável", diz.
A chefe do serviço reforça que a adoção segue os mesmos critérios para qualquer animal, independentemente da raça. Segundo ela, pitbulls e cães sem raça definida exigem os mesmos cuidados básicos e o principal compromisso do tutor é garantir o bem-estar do animal. "A pessoa precisa ter consciência de que está adotando um ser vivo, e não um objeto. Todo animal precisa de alimentação, água, abrigo contra sol e chuva, vacinação, vermifugação e, principalmente, não pode ter acesso livre às ruas", ressalta.
Ela alerta que permitir que cães circulem sozinhos pelas vias públicas coloca em risco tanto o próprio animal quanto a população. Além de poder provocar acidentes ou ataques, o cão pode contrair doenças em contato com animais de rua e transmiti-las a outros animais e até aos seres humanos.
Outro ponto destacado pelo é que a adoção é definitiva. Não existe a possibilidade de devolução caso o tutor mude de ideia. "Não é uma mercadoria que você adota e devolve quando quiser. No momento da adoção, o tutor assina um termo de responsabilidade e assume todos os cuidados com aquele animal. Se depois não puder mais ficar com ele, terá de encontrar um novo lar, porque o CCZ não recebe devoluções", explica.
A orientação também vale para quem se depara com animais atropelados nas ruas. Segundo Maria Aparecida, o motorista responsável pelo atropelamento deve prestar socorro ao animal e acionar o atendimento adequado. Já quem apenas encontra um cão ou gato ferido não deve tentar resgatá-lo por conta própria. Isso porque, devido à dor, ao medo e ao estresse, o animal pode reagir de forma instintiva e atacar, mesmo sendo dócil.
"Animal com dor pode reagir por instinto e morder quem tenta ajudá-lo. O mais seguro é acionar o CCZ, que possui equipe treinada para fazer o recolhimento sem colocar ninguém em risco", orienta.
O Centro de Controle de Zoonoses mantém plantão para recolhimento de animais todos os dias. De segunda a sexta-feira, o atendimento é realizado até as 21h pelo telefone (67) 3313-5000. Aos sábados, domingos e feriados, o serviço funciona das 6h às 22h, pelo número (67) 2020-1794. Os interessados em adotar cão ou gato podem acompanhar os animais disponíveis no perfil oficial no Instagram, @ccz_cg.
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