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Capital

De olho em mercado promissor, novos aplicativos chegam para enfrentar Uber

Plataformas digitais que oferecem serviço de transporte já estão compondo rede de motoristas para iniciar operação na cidade.

Por Anahi Gurgel | 11/04/2017 10:23
Aplicativo 4Move já possui mais de 500 motoristas cadastrados. Plataforma está de olho no mercado campo-grandense. (Foto: Marcos Ermínio)
Aplicativo 4Move já possui mais de 500 motoristas cadastrados. Plataforma está de olho no mercado campo-grandense. (Foto: Marcos Ermínio)

Considerado forte para o setor, o mercado de serviços de caronas pagas em Campo Grande está chamando atenção de novas plataformas semelhantes à Uber, que desembarcou na cidade em setembro do ano passado.

Pelo menos 3 grandes empresas, que atuam em movimentados centros urbanos do mundo, já estão se articulando para iniciar a operação na Capital, o que promete acirrar ainda mais a concorrência por aqui, onde a presença do aplicativo mais 'famoso' já gerou reações de taxistas, mototaxistas e Poder Público. 

Pelo jeito, essas novas empresas estão literalmente pegando "carona" no caminho aberto pela Uber para abocanhar a clientela campo-grandense. Isto inclui o oferecimento de planos e modelos vantajosos para migração de motoristas e usuários.

Ainda não há data para que as plataformas comecem a atuar na cidade, mas elas já estão causando rebuliço no mercado. Uma delas é a americana 4move.

“O aplicativo aceita motoristas particulares e taxistas e trabalha com o marketing de recompensa, que oferece vantagens por meio de pontuação a cada viagem ou cadastro ligado à rede de contato e indicações”, explica Flávio Ferreira, 44 anos, que atualmente é motorista ligado ao Uber, mas já se cadastrou na 4move. 

A plataforma começou a ser montada em São Paulo, onde será oficialmente lançada em 25 de abril. De lá, indicaram 4 pessoas em Campo Grande, conhecidas como upline ou pilares, para montar a rede e ampliar os cadastros.  

"Para que a 4move passe a operar na cidade, a meta estipulada é cerca de 1.300 cadastros de motoristas. Atualmente, já são mais de 500 profissionais registrados, sendo 50 taxistas", calcula Flávio, que é um desses upline e já conta com aproximadamente 240 colegas cadastrados. 

Outra empresa que já está rondando motoristas e passageiros na Capital é a espanhola Cabify, que funciona em Portugal e muitos países da América Latina. No Brasil, circula por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. 

A Cabify, concorrente direto da Uber, segue o mesmo padrão dos outros aplicativos de transporte particular, com cadastro, marcação dos pontos de partida e destino, e requisição de veículos disponíveis. No final, o valor cobrado é debitado automaticamente e motorista e passageiro avaliam mutuamente a experiência.

Também são chamariz a definição do valor feita antes da corrida, independente da rota, e que a empresa só aceita pagamentos por cartão de crédito, sem dinheiro, - o que muitos acreditam trazer segurança a motoristas e passageiros. 

A proposta do preço fixo também está sendo oferecida pela K-rona Gold, que começou a operar em todo o estado na quinta-feira (6). Contempla motoristas particulares e taxistas, com taxa fixa de R$ 270 para profissionais. Em Campo Grande já são mais de 2 mil passageiros cadastrados, e uma média de 50 motoristas. 

É preciso renovar e oferecer vantagens - De acordo com motoristas que oferecem serviço por meio de aplicativos, o diferencial dessas três novas plataformas é a inexistência da chamada tarifa dinâmica. O passageiro paga as corridas somente por quilômetro, ou seja, o tempo fica fora da equação.

Sendo assim, ao pegar trânsito ou engarrafamento, o usuário não paga pelos minutos que permanecer parado, como acontece com o Uber, por exemplo, que regula os valores considerando o padrão de oferta e procura.

Novos aplicativos de mobilidade urbana, como Cabify, estão de olho no mercado de Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio)
Novos aplicativos de mobilidade urbana, como Cabify, estão de olho no mercado de Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio)

Alguns outros aplicativos já realizavam operações em Campo Grande desde 2015, quando a cidade foi, inclusive, uma das primeiras do Brasil a oferecer o serviço digital.

As empresas 99Taxi e Easy Táxi começaram a atuar na cidade englobando exclusivamente taxistas e não apresentavam muitas novidades no modelo de negócio tradicional: sistema traz a relação dos taxistas cadastrados, o usuário aciona o mais próximo, e o profissional aceita fazer a viagem.

Porém, aos poucos, cada vez menos usuários estão optando por esses serviços, mesmo as empresas tendo feito upgrades e até troca de nomes. Agora, são chamadas de 99Motorista e Easy Motorista, por contemplar também essa categoria.

"As novas empresas estão vivendo um cenário de incerteza política, por conta de movimentações na Câmara e Senado, mas logo deverão investir para ingressar o quanto antes no mercado", acredita Wellignton Dias, presidente da AMU (Associação de Motoristas de Aplicativo de Mobilidade Urbana). 

"A Uber foi pioneira nos serviços digitais, e abriu uma gama de possibilidades para que a concorrência seja cada vez mais saudável. Ganha motorista e usuário, que optam pela plataforma mais vantajosa, com melhores condições a todos. Os aplicativos têm que mexer e renovar para não ficar obsoletos", acredita. 

"Não tem como saturar o mercado porque motoristas estão sendo cadastrados em vários aplicativos, pois já possuem o veículo. Enquanto uma plataforma é utilizada, desliga as outras. Esta está sendo a orientação", comenta.

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