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Lado Rural

Seca responde por 80% das perdas nas lavouras de Mato Grosso do Sul

Embrapa aponta manejo do solo e plantio direto como aliados contra eventos climáticos

Por Anderson Viegas | 17/05/2026 09:18
Seca responde por 80% das perdas nas lavouras de Mato Grosso do Sul
Estiagem é a principal causa de perdas nas lavouras em MS, segundo a Embrapa (Foto: Aprosoja/MS)

A seca é o evento climático que mais impacta as lavouras em Mato Grosso do Sul. Levantamento do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) mostra que, entre 2006 e 2021, foram registrados no Estado 7.839 relatos de perdas provocadas pela estiagem. O volume representou 80,5% dos acionamentos do PSR (Programa de Seguro Rural) no período.

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A estiagem é o principal fator de perdas nas lavouras de Mato Grosso do Sul, com 7.839 registros entre 2006 e 2021, o que representa 80,5% dos acionamentos do seguro rural, segundo o MAPA. Além da seca, granizo, geada, excesso de chuva e ventos também afetam a produção. A Embrapa destaca manejo como plantio direto e diversificação de culturas para reduzir riscos e testa o ZarcNM, que inclui a qualidade do solo na avaliação climática.

Além da seca, o pesquisador Júlio Cesar Salton, da Embrapa Agropecuária Oeste, apresentou durante a Expoagro, em Dourados, outros fenômenos que afetam as lavouras no Estado, como granizo, geada, excesso de chuva, tromba d’água, ventanias e incêndios.

Salton destacou, entretanto, que o produtor pode adotar técnicas de manejo para aumentar a segurança no enfrentamento aos eventos climáticos. Entre as estratégias citadas estão o plantio direto, o aumento do tempo sem revolvimento do solo, a ampliação da cobertura vegetal e a diversificação de cultivos.

Segundo o pesquisador, essas práticas contribuem para a reciclagem de nutrientes, aporte de carbono no solo, melhora da fitossanidade, maior retenção de água e fortalecimento da resiliência das lavouras em períodos de estiagem.

Ele ressaltou ainda que a Embrapa trabalha em uma evolução metodológica do ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), denominada ZarcNM (Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo). A nova metodologia, além de avaliar o risco da produção fora das janelas estipuladas com base no clima, solo e ciclo da cultura, também incorpora a qualidade do manejo do solo como fator determinante na mitigação dos riscos climáticos.

Os dados do ZarcNM já estão sendo considerados, conforme o pesquisador, em processos para concessão de crédito e contratação de seguro rural em um projeto piloto de cultivo de soja desenvolvido no Paraná, durante a safra 2025/2026.

A previsão é que o piloto seja expandido para os três estados da região Sul e para Mato Grosso do Sul na safra 2026/2027, abrangendo também as culturas de milho e trigo.