Delegado ficou “muito surpreso” com ordem de prisão, alega advogado
Segundo a defesa de Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, saída de casa minutos antes foi "pura coincidência"

“Está muito surpreso”. Segundo o advogado Amilton Ferreira de Almeida, essa é a reação do delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa após ser alvo da Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O policial se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil nesta tarde, depois de não ser encontrado em casa durante o cumprimento do mandado de prisão.
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Delegado Hoffman D'Ávila se apresentou à Corregedoria da Polícia Civil após ser alvo da Operação Infiltrados, do Gaeco, que investiga desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança. Seu advogado nega que ele soubesse da operação e afirma que sua saída de casa antes da chegada dos investigadores foi coincidência. A defesa aguarda acesso aos autos para pedir a revogação da prisão.
De acordo com o defensor, Hoffman ainda não sabe quais acusações são atribuídas a ele porque a investigação tramita sob sigilo e a defesa não teve acesso aos autos. "Não está entendendo nada do que aconteceu”, afirmou Amilton. Segundo ele, a expectativa é que o conteúdo da investigação seja disponibilizado na próxima semana.
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O advogado também voltou a negar que Hoffman soubesse antecipadamente da operação. Pela manhã, equipes do Gaeco foram até a casa do delegado, no Carandá Bosque, mas não o encontraram. Amilton afirmou que o policial havia dormido na residência e saiu por volta das 5h, antes da chegada dos investigadores.
“Não vazou informação nenhuma. Policiais nenhum avisou ele. Foi uma pura coincidência ter saído cedo”, disse. Questionado sobre o fato de Hoffman ter deixado o imóvel pouco antes da chegada das equipes, o defensor afirmou que as câmeras de segurança poderão mostrar a movimentação. “Eles têm o DVR das câmeras, vai ver que ele saiu de casa e o jeito que ele saiu”, declarou.
Amilton reforçou que a saída não teve relação com a operação. “Não é por conta da operação, é que ele não sabia, entendeu? Foi uma coincidência ele ter saído”, afirmou. O advogado também disse que não sabe para onde Hoffman será encaminhado após a apresentação na Corregedoria.
Com o acesso aos autos, a defesa pretende pedir a revogação da prisão ao juiz responsável pelo caso. “Vou entrar e pedir reclamação de prisão para o próprio juiz, explicar que ele tem as condições de responder esse processo em liberdade”, afirmou.
A Operação Infiltrados investiga um suposto esquema envolvendo agentes de segurança pública e traficantes para o desvio de drogas apreendidas, principalmente cocaína. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Conforme o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a investigação começou em outubro de 2025, a partir de provas e desdobramentos das operações Traquetos e Blindspot. Entre os alvos estão policiais civis, policiais militares, um policial penal e um ex-policial civil.
A suspeita é de que integrantes do grupo tenham usado o acesso proporcionado pelos cargos públicos para retirar entorpecentes apreendidos em operações policiais e recolocá-los no mercado ilegal. Como a investigação tramita sob sigilo, a defesa afirma que ainda aguarda acesso ao conteúdo dos autos para conhecer as acusações feitas contra Hoffman.
Até o momento, foram confirmadas as prisões de Nelson Ricardo Barros de Oliveira, de 40 anos; Douglas Tobias, de 45 anos; Neverson Vieira de Araújo, de 44 anos; Luiz Carlos de Souza, de 37 anos; Nilton César Sales dos Santos, de 55 anos, Wesley Benites; e o ex-policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, de 39 anos, conhecido como “Paraíba”.
Também foram presos o policial militar Alison Lemes Bezerra, o policial penal Vitor Ribeiro Venancio dos Santos, que já estava preso, além de Valdenice da Silva Goes, mãe de Lucas da Silva dos Santos, o "LK", e Ana Carolina da Silva dos Santos, irmã de "LK".

