ACOMPANHE-NOS    
MAIO, SÁBADO  28    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Delegado-geral presta depoimento hoje sobre discussão com colega em reunião

Durante a briga, a delegada Daniela Kades se recusou a revelar detalhes de uma investigação

Por Geisy Garnes | 03/12/2021 12:06
Delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Geraldo Garcia. (Foto: Arquivo)
Delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Geraldo Garcia. (Foto: Arquivo)

O delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Geraldo Garcia, presta nesta sexta-feira (3), depoimento sobre o desentendimento com a colega Daniela Kades, em uma reunião interna com os delegados titulares das unidades policiais de Campo Grande. Ele deve comparecer a Corregedoria no início desta tarde.

Conforme apurado pela reportagem, Adriano foi intimado para prestar esclarecimento na apuração requisitada por ele mesmo, depois que foi contrariado pela delegada Daniela Kades. A briga acabou em denúncia por “insubordinação grave em serviço" na Corregedoria da Polícia Civil e, por isso, deu início a investigação do episódio.

Áudio da briga foi divulgado pelo Campo Grande News no dia 4 de novembro e revelou que o desentendimento aconteceu depois que Kades se negou a falar os nomes de investigados pela força-tarefa montada contra grupo ligado ao jogo do bicho, acusado também de uma série de assassinatos em Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso do Sul.

Ao ser questionada dos motivos, a delegada foi categórica em responder que “não confiava na polícia” e apontou indícios do envolvimento do chefe com os bicheiros investigados pela Operação Omertà.

Kades também já foi ouvida no inquérito da Corregedoria e precisou ir a Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) para explicar as “acusações” que fez contra o chefe.

A divulgação do áudio da discussão deu início à uma série de denúncias contra a administração do atual delegado-geral, Adriano Garcia Geraldo. Dois pedidos de investigação contra Garcia foram registrados no Ministério Público. O primeiro, um pedido de apuração sobre a ligação do chefe da instituição com o jogo do bicho e o segundo pede o afastamento dele do cargo.

Críticas sobre ações da "Operação Deu Zebra", realizada quase que semanalmente contra o jogo do bicho, vieram à tona. Entre as reclamações, estão o fato das equipes "ignorarem" os líderes da jogatina e serem retirados das unidades que deveriam estar à frente de investigações de outros crimes, como roubos, homicídios e furtos, para "enxugar gelo".

No meio das polêmicas, Adriano entrou de férias por 15 dias. Ele voltou ao cargo nesta quarta-feira (1°).

Intimação – O áudio publicado pelo Campo Grande News também resultou em uma investigação paralela na Corregedoria, aberta exclusivamente para descobrir quem gravou a reunião e enviou ao jornal.

Por conta disso, a polícia chegou a oficializar o portal de notícias a entregar a gravação. Diante de duas negativas, intimou a jornalista responsável pela reportagem, violando o princípio constitucional do sigilo a fonte, que segundo juristas, é prerrogativa absoluta e inviolável na legislação brasileira.

Nos siga no Google Notícias