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Capital

Delegado preso na operação Omertá é denunciado por posse de fuzil e munições

Obara disse que recebeu arma para manutenção, versão confirmada por colega delegado

Por Aline dos Santos | 05/07/2020 10:37
Delegado Márcio Obara foi preso em 18 de junho na terceira fase da operação Omertà. (Foto: Divulgação-Sejusp)
Delegado Márcio Obara foi preso em 18 de junho na terceira fase da operação Omertà. (Foto: Divulgação-Sejusp)

Preso na terceira fase da operação Omertà, o delegado Márcio Shiro Obara foi denunciado por posse ilegal de arma de fogo e munição de uso restrito. No dia da operação, em 18 de junho, Obara foi flagrado com fuzil e quase 800 munições.

O documento eletrônico foi protocolado às 22h53 da última sexta-feira (dia 3) na 5ª Vara Criminal de Campo Grande. O promotor Sílvio Amaral Nogueira de Lima optou por não oferecer proposta de suspensão condicional do processo e ou de acordo de não persecução penal.

“Insta salientar que, diante da quantidade de munições e diante da periculosidade da arma de fogo encontrada na posse do denunciado, o acordo de não persecução penal mostra-se insuficiente. Além disso, é importante mencionar que o denunciado possui conhecimento acerca da ilicitude do ato praticado, eis que o seu ofício – como Delegado de Polícia Civil – é repelir crimes como este noticiado”, afirma o promotor.

Obara foi ouvido no último dia 26 sobre o flagrante. Ele disse que se calou no dia da prisão por estar emocionalmente abalado e constrangido. Citou que é delegado há duas décadas, sendo titular da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios) por quatro anos.

Sobre o fuzil, disse que teve contato com a arma de grosso calibre há dois ou três anos durante capacitação oferecida pela Polícia Civil a agentes da região de Ponta Porã. O fuzil estava com problemas e ele trouxe a Campo Grande para manutenção, a pedido do delegado de Amambai, Milkaill Faria. Primeiro, Obara disse ter deixado o fuzil nas delegacias por onde passou. Mas, por fim, decidiu levar para a casa e fazer a manutenção no feriado de Corpus Christi.

O delegado também citou que todas as munições têm origem legal, sendo recebidas do Exército, Forças Armadas, Instituto Militar e também da polícia para atividades de docente (é instrutor de tiros) e atividade profissional.

Ele também cita que 393 munições foram repassadas, “salvo engano”, pelo Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) porque foram submetidas a umidade excessiva no depósito não sendo indicadas para uso em atividade, mas eram utilizadas em ambiente controlado durante treinamento.

Lotado em Campo Grande desde dezembro de 2019, o delegado Mikaill Faria procurou a Corregedoria-Geral da Polícia Civil e confirmou o repasse do fuzil para a manutenção em 2018, quando era delegado regional adjunto de Amambai. A arma foi entregue para Obara, instrutor da Acadepol (Academia de Polícia Civil), em setembro de 2018. A academia informou que não forneceu munição para Obara nos últimos 18 meses.

A prisão preventiva contra o delegado na operação Omertà foi decretada, a pedido do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), por suspeita de esconder provas na apuração do assassinato de policial militar reformado e apontado como o destinatário de R$ 100 mil que seria pago por organização criminosa a um delegado.

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