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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

27/07/2011 09:00

Demora em processo faz com que “pretendentes a pais” desistam de adoção

Ana Paula Carvalho
Alessandra e Claiton esperam há quase dois anos para adotar criança. (Foto: Simão Nogueira)Alessandra e Claiton esperam há quase dois anos para adotar criança. (Foto: Simão Nogueira)

Alessandra Fagundes Barros, 35 anos, gestora de marketing, e Claiton Barbosa da Silva, 38 anos, diretor de infraestrutura do IMIT (Instituto Municipal de Tecnologia da Informação), são casados há 10 anos.

Em 2008, Alessandra descobriu que era portadora da endometriose, uma doença silenciosa e que muitas vezes impede que a mulher fique grávida. Desde então, começaram os tratamentos de fertilização. “Assim que descobri a doença, procurei tratamento e partimos para a fertilização”, reforça Alessandra.

Após a primeira tentativa, sem sucesso, o casal resolveu se inscrever no Cadastro Nacional de Adoção. Para tentar diminuir o tempo de espera, eles não fizeram muitas “exigências”, dizem.

“Dissemos que podia ser menina ou menino, branco ou preto e que poderia vir com um irmão”, relata a gestora de marketing. Em outubro completa dois anos que eles esperam pelo filho que segundo eles, receberia todas as condições necessárias, desde financeiras até emocionais.

A vontade de ter uma criança correndo pela casa, de sentir o afago das mãozinhas e ouvir aquela voz doce os chamando de pais, fez com que o casal tentasse uma medida desesperada.

Há aproximadamente cinco meses, eles ficaram sabendo de que uma mulher grávida estava internada em um hospital de Itaporã, município distante 227 quilômetros de Campo Grande, e que não queria a criança. Eles foram até a cidade na tentativa de encontrar essa mãe e pedir que ela os acompanhasse até o juiz e doasse a criança a eles. “Quando nós chegamos lá, tinha uma mulher que não era da família no hospital que disse que iria levar a criança embora, por isso nós acionamos o Conselho Tutelar”, relata Claiton.

“Nós ficamos dois dias com o pai do menino para ver se ele ficava lúcido para nos acompanhar até o juiz, mas não conseguimos”, diz Alessandra.

O casal entrou com o pedido de adoção no Judiciário daquele município e por longos quatro meses esperaram pela decisão do juiz, que entendeu que como o casal era da comarca de Campo Grande e não da comarca de Itaporã, não poderia adotar a criança. Ou seja, mesmo o cadastro de adoção sendo nacional, o juiz entendeu que o fato de eles morarem em outra cidade não os tornava aptos a adoção.

O pequeno Caio, nome escolhido por Alessandra, ficou no abrigo por quase cinco meses, até que o juiz decidiu que a guarda da criança ficaria com o avô materno. “No dia de registrar, o pai me perguntou que nome eu daria se ele fosse meu filho. Eu disse Caio e ele registrou”, lembra.

“Fica a frustração de ver que toda a campanha de adoção que a Justiça faz não é verdade”, afirma Claiton. Para ele, a morosidade no processo e falta de transparência é o que mais revolta os casais que são pretendentes a pais.

O cadastro dos dois termina em outubro e precisa ser refeito para que eles continuem aptos a adotar uma criança. Mas, para isso, é necessário refazer o todo o processo, desde as visitas as psicólogas até o curso de preparação para a adoção. Todo o processo de habilitação demora cerca de seis meses.

Frustrada, Alessandra, não quer refazer o cadastro. Ela não quer criar novas expectativas e vê-las indo por água abaixo. “Eu não quero, pelo menos por enquanto. Não sei depois”, diz.

O casal sempre participa de ações em abrigos e se entristecem em ver a quantidade de crianças à espera de adoção. “Final de ano você vai ao abrigo as crianças chegam e pedem: 'me tira daqui', 'me leva para a sua casa' isso é muito triste”, relata Claiton.

Ano passado, após o segundo processo de fertilização, ela ficou grávida de trigêmeos, mas no terceiro mês teve que tirar os fetos, porque a gravidez se desenvolveu nas trompas. É com esperança que ela vê os dias passar enquanto a maternidade não chega. “Mas eu acredito que ainda vai dar tudo certo e, eu te ligo para contar”, afirma ela durante a nossa despedida.

Muitas crianças grandinhas passam a vida toda em abrigo. Muitas "crianças grandinhas" passam a vida toda em abrigo.

À espera de um lar- Hoje, 15 crianças e adolescentes estão aptas a ser adotadas em Campo Grande, em todo o Estado são 419. No Brasil, 4.427 crianças e adolescentes esperam por lar, muitos chegam à idade adulta sem nunca ter conhecido um pai e uma mãe.

Em Campo Grande, 149 crianças adolescentes estão em abrigos, muitas passam pelo processo que as torna apta a adoção e que pode demorar até dois anos, várias outras esperam ser entregues a alguém da família, um avô, uma tia, ou até serem devolvidas aos pais.

O problema é que a maioria dos casais quer adotar crianças com até dois três de idade, e, por isso os abrigos estão abarrotados de crianças “grandinhas”. Hoje, segundo o CNA, em Campo Grande, dos 15 que podem ser adotados, três tem de seis a 10 anos, cinco de 11 a 15 anos e sete estão acima dos 15 anos. Muitas dessas crianças passarão a vida toda em abrigos.

Pretendentes a pais - Hoje, Campo Grande tem 70 casais aptos a adoção. Eles passam por todo um processo que inclui curso de preparação, visita a psicólogas para ver se eles têm condições emocionais e visitas de representantes do núcleo de adoções em casa.

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Acredito que com empenho dos Juizes das Varas da Infância e Juventude, as quais são competentes para assuntos de adoção a participação do conselho tutelar na fiscalização da própria lei 8.069/90, art. 50, § 1º, pois ainda não temos uma cultura de adoção legal. É preciso não somente realizar campanhas bem como promover multirões para realização de audiências para andamento de processos antigos.
 
JOSE CARLOS em 29/02/2012 07:52:02
O número de crianças aptas a adoção no MS está equivocado, são 92 crianças, não 419 como foi veiculado pela matéria. A imensa maioria dos pretendentres à adoçao querem meninas, branquinhas e de até três anos, o que não confere com o perfil das crianças e adolescentes aptos à adoção no Brasil, vejam o contraponto, enquanto há mais de 26.000 habilitados para adoção no país, o número de crianças e adolescentes disponíveis no país inteiro não chega a 5.000, mas a imensa maioria não aceita uma criança acima de 8 anos, que são a maioria absoluta.
 
Regiane Silva em 29/07/2011 09:16:17
Será que este Juiz ja ouviu falar em ECA? E na Carta Magna? O Estado Publico nas suas esferas, é o maior escudo que a burguesia criou. São ridiculos.
 
Alan Nantes em 27/07/2011 12:38:17
Cleiton colega, e Alessandra, não desanimem, uma criança é a maior benção de Deus!
Claro que a espera nos cansa, mais vai ser na hora certa, Deus sabe o que faz.
Deus abençõe vocês!
 
Camila Peichoto em 27/07/2011 11:15:13
NOSSA FIQUEI SUPER EMOCIONADA COM ESTE CASAL, MAIS QUERO DIZER A VOCES QUE NÃO DESISTAM, TANATO DA ADOÇÃO, QUANTO DA TENTATIVA DE ENGRAVIDAR ALESSANDRA, EU PASSEI POR ESTE PROBLEMA, ENGRAVIDEI NA ICSI, FIZ TRATAMENTO, E CONSEGUI, TENHO UMA FILHA DE 07 ANOS E ESTOU NOVAMENTE NA MINHA SEGUNDA GRAVIDEZ, VOU PRA 4 MESES, TBEM NA ICSI, GRAÇAS A DESUS FIZ A PRIMEIRA TENTATIVA E, 2003 E DEU CERTO DEPOIS TENTEI MAIS 3 X NÃO TIVE SUCESSO, AGORA FIZ EM MAIO DESTE ANO E COM A GRAÇA DE DEUS ESTOU CARREGANDO O MEU BEBEZINHO, TENTA DE NOVO, QUALQUER COISA ME MANDE UM EMAIL, QUE VOU TE PASSAR O NOME E ENDEREÇO DOS MEUS MÉDICOS DE RIBEIRÃO PRETO, ELES SÃO OTIMOS, FACILITAM MUITO NO PREÇO, VAI DAR TUDO CERTO NÃO DESANIME , QUE DEUS ABENÇOE VC SE SEU ESPOSO E CONTINUE NA LUTA, NUNCA DESISTA VC VAI REALIZAR ESTE SONHO O DE SER MÃE. FIQUE NA PAZ DO SENHOR.
ANGELA
 
angela maria da silva em 27/07/2011 11:06:48
Olha é muito triste, voce querer um filho e nao poder ter. Mas fica uma pergunta. A demora da adoção é porque os pais tbem so querem adotar recem nascidos. À varias crianças para serem adotadas. Se existe uma fila de pais querendo adotar, falam que demora anos, porque o abrigo esta lotado de crianças???????????????????
 
thiago souza em 27/07/2011 10:51:31
Que burocracia rídicula é essa?! Já não foi feito todo o processo necessário para a habilitação dos "pais" ?! E agora tem que fazer tudo novamente?! É uma barbaridade... Enquanto isso as crianças continuam órfãs. Isso é um absurdo....
 
João Alfredo Da Costa em 27/07/2011 10:46:20
Olá sou de Rondônia prima do Cleiton e da Alessandra, tenho algo especial a dizer a vocês pra Deus nada e impossível, Deus só age no que e impossível mesmo e eu tenho muita fé em Deus que um dia ele te vai realizar seu sonho que e ter um filho, assim como Sara esperou 91 anos mais Deus cumpriu o que foi dito, e assim Alessandra ele vai fazer contigo estamos orando por vocês para Deus realize seu sonho.A palavra do senhor diz Tudo que pedires em meu nome eu te darei...... beijis abraços amamos vocês.
 
GISLAINE RICARDO SANTIAGO em 27/07/2011 10:28:09
nossa to emocionada com a historia desse casal mas Alessandra Claiton não desanimem minha vizinha tambem espero por longos quatro anos e agora chego o Felipe
uma criança linda e abençõada que renovo a vida do casal por isso acreditem que Deus tem tambem uma benção preparada para vcs o coração de vcs e bom não desanimem nem percam a fe
 
soraia lombardi em 27/07/2011 10:12:17
Este casal estaá cheio de rãzão e eu sei muito bem porque já passei por isto, tanto que desisti de adotar aqui e fui adotar minha filha em Porto Velho (RO) onde em poucos dias passei por todos os testes, palestras e avaliações e trouxe de lá minha menina que hoje tem 19 anos. Esta ideia de fazer acordo com os pais que "não querem a criança", não funciona porque depois eles vem atrás da gente pedindo dinheiro e te ameaçando.
Mesmo o cadastro sendo nacional tenho certeza que a conduta do juizado não é igual
porque aqui eles queriam encontrar uma criança parecida com o casal e a minha menina não tem a nossa cor mas sempre soube da adoção e nós somos muito felizes.
boa sorte pra voces
 
Liane Salvador em 27/07/2011 09:57:10
Isto é injusto...o casal já passaram por por todos os processos e não alcançaram seus objetivos...tantas gente (mães) abandonando e até matando bebes e quem realmente deseja não consegue...porque tanta burocracia?
 
Nercy Lemes em 27/07/2011 09:55:21
DEUS ME DEU 2 FILHOS,... FICO MUITO TRISTE POR ESSE CASAL, E TAMBEM PELAS CRIANÇAS QUE PODERIAM SER AGRACIADAS POR ESSES PAIS!!!!!! ACHO QUE A JUSTICIA DEVERIA REVER ESSES CONCEITOS DE ADOÇAO.....
 
jussara mateus ferreira ortiz em 27/07/2011 09:15:26
Como tudo que envolve justiça nesse país, é uma vergonha, tudo que a justiça se mete é vergonhoso, no que diz respeito á politica e justiça no Brasil, tenho vergonha de ser brasileiro...
 
Tony Ferraz em 27/07/2011 09:11:01
Profº Cleiton, vi esta matéria no Face do Renato... não sabia que vocês estavam no cadastro nacional para adoção. Sei que a espera é angustiante, mas não desistam porque o tempo de Deus é diferente do nosso e se vocês ainda conseguiram a adoção é porque a criança que Deus preparou para vocês ainda não está disponível. Tenham fé e peçam para Deus abreviar esta espera. Abraços. Maria.
 
MARIA FERREIRA em 27/07/2011 04:25:08
não vou entrar no merito das leis que enfrentamos para obter exito numa adoção:
uma coisa posso afirmar, tanto eu como a minha esposa, somos muito felizes com a nossa pequena vitoria, hoje com 09 anos adotamos ela com uma prematuridade de 25 semanas de nascida pesando 600 gramas, e conseguio sobreviver, graças a deus.
não desistam, vale a pena qualquer sacrificio.
 
cesar cortez em 27/07/2011 02:30:15
Pois o absurdo é tanto, que o negócio é fazer que nem a Madonna e a Angelina Jolie, adotar um africano. Esse país não vai para frente desse jeito, com tanta burocracia para quem quer apenas dar continuidade a uma vida que já não começou bem, já começou com um não do mundo, da mãe, dos pais, ou da situação que a criança nem pediu para estar inserida1
 
Christiane Mahrous em 27/07/2011 01:57:34
Prof.Cleiton, estou torcendo por voces . Deus abencoe voce e sua esposa. Nao desista. Voces estao escolhendo salvar uma vida.
 
MARCOS VINICIO BERTOGLIO em 27/07/2011 01:29:07
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