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Capital

Depois 30 dias intubada, Érika vê seus gêmeos Rafael e Gabriel pela primeira vez

A superação é dupla, já que tanto os bebês quanto a mãe, sobreviveram

Por Lucia Morel | 01/08/2021 08:55


Os filhos nasceram há um mês, no dia 30 de junho, mas a mãe só os conheceu ontem, 30 de julho. Intubada com covid-19 entre 13 de junho e 13 de julho, Erika Ferreira de Santana, de 36 anos, autônoma, contou ao Campo Grande News como foi ver os gêmeos Rafael e Gabriel pela primeira vez.

A superação é dupla, já que tanto os bebês – nascidos prematuros em cesariana de emergência com 29 semanas de gestação – quanto a mãe – intubada por 30 dias – sobreviveram. Vale lembrar, que há cerca de seis anos, ela foi diagnosticada com câncer de útero, o que a impediria de engravidar. Mas ela engravidou em meio à pandemia e tanto ela quanto os bebês resistiram.

Para Érika, a alegria em ver os meninos transbordava. “Fiquei besta. Nem consegui chorar, porque meu coração queria ver se eram perfeitinhos e se estavam mesmo bem”, comentou, informando que a equipe de enfermagem relatou que eles são espertinhos, super saudáveis, se desenvolvem bem e estão ganhando peso.

Tratando um fungo persistente no pulmão, sem conseguir andar nem movendo a mão esquerda, Érika não pôde ser aproximar muito das crianças nem pegá-las no colo. No entanto, a emoção foi muito grande. “Hoje (ontem) foi o mesversário deles e eu ganhei o presente de conhecê-los pessoalmente, mas só os vi de longe”.

A alta deles e da mãe ainda não tem data. Ela contou, com voz frágil e lenta devido o tratamento, que alguns dos medicamentos dos quais faz uso no hospital terminam em 15 dias, só então haverá avaliação. Quanto aos bebês, eles precisam ganhar mais peso para poderem ser liberados.

Se alimentando de leite materno doado por amigos de igreja de Érika e também de bancos de leite, os gêmeos crescem bem. “A covid veio pra mostrar que as coisas não são do nosso jeito. Sou muito grata por tudo e sei que devem ter algumas coisas que eu preciso aprender com tudo isso”, enfatiza Érika.

“É um milagre mesmo, tudo que aconteceu. Eu com 85% do pulmão tomado, edema na cabeça, grávida e sobrevivi. Tenho aprendido que as coisas não são do nosso jeito. Sempre fui muito imediatista, queria as coisas do meu jeito, mas eu aprendi, estou aprendendo”, ensina.

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