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Capital

Depois de 119 dias internado e 2 intubações, Paulo é milagre em casa

Dias de desespero foram rotina para família, que já não acreditava que a luta teria um desfecho feliz

Por Lucia Morel | 16/04/2021 07:18
Paulo César, antes da covid-19. (Foto: Arquivo pessoal)
Paulo César, antes da covid-19. (Foto: Arquivo pessoal)

Foram praticamente quatro meses em uma cama de hospital. Total de 119 dias contados em aflição. Quem ouve não acredita, mas Paulo César Alves da Silva, de 43 anos, sobreviveu à covid e a duas intubações decorrentes de complicações da doença.

Dias de desespero e desengano rondaram a família que não sabia que a luta teria um desfecho feliz em novembro do ano passado. Contaminado em meados de julho, Paulo acreditou que sararia logo, mas não foi o que ocorreu.


Medicamentos iniciados ainda nos primeiros sintomas não fizeram efeito algum e o quadro de saúde foi piorando, mesmo ele não tendo nenhuma comorbidade. Era apenas obeso.

“Ele foi agravando os sintomas, mesmo depois de dias tomando remédio em casa. Só piorava. Teve febre, diarreia, vômito, dores nas costas, tosse, até que paramos de esperar e fomos pro hospital”, contou a esposa, a professora Clementina de Souza Almeida, 41.

Isso foi em 24 de julho de 2020, quando o marido internou. Três dias depois, a orientação foi intubar, porque a saturação estava baixa e a respiração cada vez mais difícil.

Em setembro, com o quadro melhorado, a expectativa era de que ele saísse do hospital e chegou a ir para leito de enfermaria. Mas por apenas um dia. A secreção pulmonar voltou e ele precisou ser intubado novamente.

No dia da alta, em 20 de novembro. (Foto: Arquivo pessoal)
No dia da alta, em 20 de novembro. (Foto: Arquivo pessoal)

No mês seguinte, nova ida para a enfermaria, mas desta vez uma infecção hospitalar, com bactérias mais resistentes, o fizeram voltar para a UTI. “Ele também teve infecção urinária e  passados alguns dias, ele voltou pro CTI. Ele só saiu mesmo dia 20 de novembro, quando voltou pra casa”, conta a esposa.

Segundo ela, a família sempre acreditou na recuperação, apesar dos altos e baixos e até dos dias de desengano. Nesse período ainda, o apego a Deus e à fé aumentou.

“Havia dias que o boletim não era nenhum pouco favorável e ele não respondia à pronação, um quadro gravíssimo.”


Superação - prestes a completar 5 meses de alta os avanços são claros, mas ainda há recuperação a ser alcançada. Paulo perdeu pouco mais de 30 Kg e muita massa muscular. Desenvolveu anemia e escaras, bem como perdeu o movimento das pernas devido os meses deitado e perdeu todo cabelo.

Hoje, ele já anda, mesmo com dificuldade, engordou, e já melhorou da anemia profunda.O pulmão ainda apresenta resquícios de “vridro fosco”, mas não houve fibrose, segundo Clementina.

“Ele foi um milagre. Ele foi muito bem cuidado, atendido por uma equipe muito humana, mas eu acredito muito que é o milagre de Deus que guia os humanos”, sentencia a esposa.

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